quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A saída de Milton Mendes


Fotografia de Ricardo Fernandes / DP

A SAÍDA DE MILTON MENDES

Yuri de Lira

Todos os dirigentes do Santa Cruz estiveram na sala de imprensa na tarde desta terça-feira para comunicar oficialmente o desligamento de Milton Mendes. O treinador e a cúpula coral se derreteram em elogios uns aos outros no dia de despedida. Rebateram o ambiente pesado nos vestiários do Arruda sob o comando do técnico e expuseram que promessas não cumpridas foram fundamentais para o fim da relação com o treinador.
Com a cota de televisão, a principal fonte de renda do clube, retida na Justiça do Trabalho desde o mês passado, a diretoria revelou que não conseguiu atender os anseios de reforços de Milton Mendes como o comandante gostaria. "Não conseguimos cumprir os nossos compromissos com ele porque tivemos que fazer uma readequação financeira" disse o presidente do Santa Cruz, Alírio Moraes. "Coloquei que a gente tinha que adiar projetos. Hoje, chegamos à concordância que seria melhor paralisar o trabalho dele e criar uma outra lógica sobre o futuro do futebol", emendou.
O mandatário assumiu que, sem dinheiro em caixa, problemas estruturais questionados por Mendes (como a reforma do gramado do Arruda e o início da construção do CT) também não puderam ser solucionados. "A retenção da cota de TV limita investimentos. Num momento de sonho no início da gestão, falei que íamos fazer o CT. Mas não conseguimos recursos para sentar com a Comissão Patrimonial para esboçar o projeto", falou. Chegou até a ser mais duro nas palavras. "Estamos na elite do futebol brasileiro, mas não temos estrutura de clube de elite", pontuou.
Problemas à parte, o presidente se rasgou em elogios ao técnico. "Posso assegurar que, na minha experiência de um ano e meio no futebol, ele é o treinador mais qualificado que esteve à frente do Santa. O profissional que eu mais me identifiquei. Aprendi sobre futebol, táticas, jogadores. Sinto-me lisonjeado em ter recebido o professor. Tinha certeza que ele ficaria até dezembro de 2017, no fim do seu contrato e do nosso mandato." 
Mendes, por sua vez, retribuiu as palavras. Não só a Alirio, como também ao restante da direção, toda presente na coletiva no Arruda (estavam os diretores Jomar Rocha, Ataíde Macedo e Hélder Moura, além do vice presdiente Constantino Júnior). "Era mais do que natural que tivéssemos rumos diferentes. Mas os homens que estão aqui são os que mais lutam pelo clube. Três desses profissionais põem dinheiro no clube. Tentaram de tudo. Infelizmente, as coisas não aconteceram", disse.
"Tininho (Constantino) chora pelo clube. É um ser-humano que se dedica e não recebe um tostão. Sem contar Ataíde, um dos caras que mais admiro e tenho amizade. O Jomar.. o Hélder aprendi a respeitar. Conseguiu para a gente um ônibus leito de Fortaleza para não haver desgaste nas viagens. Só tenho a dizer coisas boas deles, nada de ruim. Uma vez disse que só não saí deste clube por causa deles. Aqui fica uma boa relação e isso não é fácil no futebol", complementou o treinador.
Milton, que passou por momentos de excesso de cobranças com o elenco também não esqueceu de lembrar dos atletas. "Só tenho que bater palmas para eles." Mostrou-se ainda otimista com a saída do time da zona do rebaixamento sem ele no comando. "Quero dizer a todos os jogadores e funcionários que, enquanto o coração bate, temos que ter esperança."

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 09/8/2016

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