domingo, 14 de agosto de 2016

A hora da virada


Fotografia de Paulo Paiva

A HORA DA VIRADA

Yuri de Lira

Sob às vistas do recém-contratado técnico Doriva, o Santa Cruz dá largada neste domingo no segundo turno da Série A. Às 16h, no Barradão, visita o Vitória. A primeira parte do campeonato é página virada. Embora sem o novo treinador à beira do gramado, o Tricolor tem desde já a obrigação de iniciar uma reação para se livrar do rebaixamento. Nesta última metade da competição, a tarefa é conquistar quase metade dos pontos a serem disputados. E os primeiros deles, mesmo ainda comandado pelo interino Adriano Teixeira, devem ser conquistados em Salvador.
Na era dos pontos corridos, nenhuma equipe caiu para a Série B com 46 pontos. Portanto, dos 57 pontos restantes em disputa neste Brasileirão, o Santa Cruz, segundo as projeções, precisaria abocanhar 28 para não cair de divisão. Se alcançar essa margem, chegará um aproveitamento de 49% nesta última metade do campeonato. Rendimento semelhante ao que Atlético-PR (52,6%) e Ponte Preta (47,4%) tiveram no primeiro turno, em que acabaram em sétimo e oitavo lugar, respectivamente. De quebra, o time coral seria o sétimo clube na história a se livrar da queda depois de terminar o primeiro turno com 18 pontos (atual pontuação coral) ou menos.
Esse tipo de missão não foi fácil para o Santa Cruz nem quando o clube jogava a Série B do Brasileiro no atual sistema de disputa, em vigor desde 2006. Até o ano passado, a pontuação máxima do Tricolor nos segundos turnos da Segundona foi de apenas 25 pontos. Só em 2015, entretanto, que o time coral quebrou esse “gelo” nos pontos corridos, conquistando 39 pontos que se traduziram no acesso à elite.
Hoje, uma reabilitação é igualmente necessária. O novo técnico estará nas tribunas do Barradão já para tentar compreender quais as necessidades da equipe e diagnosticar erros que devem ser corrigidos na sequência da competição. Algumas falhas, caso repetidas, já poderão ser vistas facilmente, a exemplo da instabilidade do sistema defensivo (que deve ser tornar ainda mais vulnerável a partir da ausência de Neris, machucado na coxa direita por um mês) e da inoperância de um setor de criação que tem custado para criar as jogadas para Keno e Grafite.
Pouco tempo depois do acerto da diretoria com Doriva, o interino Adriano Teixeira conversou por telefone com o recém-contratado comandante. Preferiu que o colega tirasse as suas próprias conclusões da equipe e deixou-o à vontade para começar um trabalho e implantar a sua filosofia no elenco. “Disse que ele viesse com a cabeça tranquila e com muita vontade de trabalhar. O treinador que estiver feliz, vai deixar o clima muito bom”, falou Teixeira. Neste domingo, porém, a missão é novamente do auxiliar. Os três pontos, um desejo para que possa repassar o cargo a Doriva com o Santa um pouco mais tranquilo na tabela. “A minha proposta é fazer um bom jogo, se doar dentro de campo e trazer um resultado positivo.”

Time
Para encarar o Vitória, o interino confirmou que vai manter a base da equipe de Milton Mendes. Mas prometeu "algumas mudanças", sem revelar quais, tampouco quantificá-las. Adriano Teixeira disse que tem a sua metodologia de trabalho e, consequentemente, sinalizou que trocas de peças e estratégia podem serão feitas. "A minha forma de trabalhar é diferente da dele, mas não se pode mudar muita coisa", declarou o interino. "Não é momento de invenção", completou. Certo é que é machucado Neris não joga. Luan Peres e Wellington são os cotados para a vaga na zaga. Após melhorar de dores no pé, Uillian Correia pode também retornar à titularidade e devolver Derley à reserva.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 14/8/2016

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