quinta-feira, 9 de junho de 2016

1969: Santa arranca para o título


1969: SANTA ARRANCA PARA O TÍTULO

Como o que se diz é que o Santa Cruz só é campeão de dez em dez anos, os dirigentes corais passaram a levar mais a sério os problemas do clube e estão arregimentando forças para dar ao mais querido o título máximo da temporada que se aproxima. A grande tarefa é reunir todos os tricolores, e isso já está sendo feito. Nomes expressivos figuram na lista do Conselho coral, também para ocupar alguns postos de comando, havendo uma adesão nunca vista no clube do Arruda.
A reunião da diretoria do Santa Cruz, marcada para amanhã, à noite, no Arruda, está sendo considerada como o dia D, nos destinos do clube, pela importância com que se reveste. Embora não haja desacordos entre os tricolores, pois, praticamente, está definido que haverá um único candidato à presidência, o grupo de trabalho encarregado de conseguir novos conselheiros vai apresentar tudo que já existe de concreto, visando o soerguimento do clube das multidões.
Negib Correia Lima, ao lado de Armando Coentro e outros tricolores, está encabeçando o movimento renovador, na ansia de que o clube conquiste o título máximo de futebol este ano. Espera-se ultrapassar o número de conselheiros pretendidos, com os contatos a serem mantidos ainda hoje e por todo o dia de amanhã. Os ociosos, dentro do novo esquema tricolor, não vão ter vez este ano.
A decisão dos tricolores está sendo monopolizando as atenções da torcida, principalmente pela pacificação que existe entre os seus homens, sem desejos de aparecer e sempre buscando planos que venham deixar o clube numa posição de destaque no cenário esportivo do Estado. A política de economia, sem grandes contratações, anunciadas pelos outros concorrentes, deixa os corais mais esperançosos.
A permanência de Gradim à frente da equipe está assegurada e o pensamento dos tricolores é assegurar-lhe também melhores condições de trabalho. Reconhecido, unanimemente, de que não poderia ter feito mais pelo clube do que fez o ano passado, o técnico do Santa Cruz demonstra sua satisfação pelo movimento atual.
Gradim almoçou com Valdomiro Silva na granja deste e o assunto dominante foi o futebol tricolor. Confessava o técnico, na ocasião, sua confiança na equipe para a jornada de 69. Admirador incondicional do poder jovem, salientou que o atual plantel sob sua direção lhe proporcionou bastante alegria e que durante sua carreira jamais encontrara rapazes tão dedicados e com vontade de vencer.
A presidência tricolor deverá ficar mesmo com Aristófanes, em candidatura única, como até agora está decidido. O comando do Conselho Deliberativo ficará a cargo de Alfredo Ramos, ambos com apoio irrestrito dos demais dirigentes. Aristófanes, no entanto, ainda está tentando conseguir outro desportista que apresente melhores condições de dirigir os destinos do clube, mas, por outro lado, está comprometido de ficar com o alto posto, caso não apareça mais ninguém.
Considera muito árdua a missão de dirigir um clube, mas está disposto a dar o máximo dos seus esforços, caso fique definitivamente decidida sua candidatura. Pretendia o desportista ficar somente com a Comissão Patrimonial, acelerando em 69 as obras de construção do estádio, no entanto, acumulará as duas funções, numa autentica prova de fogo à sua capacidade administrativa.
O grupo que está congregando só antigos e tradicionais tricolores, esquecidos há anos, espera e convida todos os interessados nos destinos do clube a comparecerem a reunião de amanhã, à noite, na sede do Arruda. Os nomes dos 120 conselheiros poderão ser conhecidos naquela ocasião, esperando-se inclusive aumentar-se esse número, atingindo até 160, cada um cooperando com uma taxa miníma de trinta cruzeiros novos mensais.

Fonte: Diario da Noite, Recife, 07/01/1969

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