segunda-feira, 6 de junho de 2016

1969: - O homem é Aristófanes


1969: - O HOMEM É ARISTÓFANES

O dirigente Valdomiro Silva, do Santa Cruz, acredita que a candidatura de Aristófanes de Andrade à presidência do clube é a solução mais viável para os tricolores. O nome do atual presidente da comissão patrimonial é visto com simpatia por grande parte dos santacruzenses, principalmente pelo papel que vem desempenhando na construção do Estádio do Arruda.

A grande meta do sr. Luiz Ignácio Pessoa de Melo, que deveria ser atingida este ano, era dar melhores condições de vida aos jogadores do Santa Cruz, segundo revelou Valdomiro Silva que privava da amizade do desportista, recentemente falecido.
Cita o atual dirigente que pretende cooperar e conclama os demais companheiros e torcida para se unirem em torno desse empreendimento, que seria uma homenagem justa àquele que em vida sempre amou o clube das três cores.
Ainda tristonho com o passamento do companheiro, Valdomiro conta que somente a presença de Luiz Ignácio era uma segurança para os destinos do clube, pois ele prestigiava e era a favor do aproveitamento do atleta da casa. O Departamento de Amadores também sofreu um enorme abalo com o seu desaparecimento.
As eleições do próximo dia dez continuam na ordem do dia entre os tricolores e o nome mais indicado para suceder a José Albuquerque é o do sr. Aristófanes de Andrade, que acumularia assim dois cargos: o de presidente executivo e presidente da comissão patrimonial.
Alguns tricolores pensam em conseguir um outro candidato, para evitar o acúmulo de trabalho para Aristófanes, temendo-se que haja prejuízo com uma possível solução de continuidade.
Valdomiro não sabe ainda se poderá colaborar, com trabalho, na próxima gestão, porque a ampliação de sua indústria, segundo ele, deverá tomar todo e qualquer tempo disponível. Afirma, todavia, que o certo mesmo é sua colaboração financeira, da mesma forma que vem efetuando há alguns anos.
- “Agora, mais do que nunca, é preciso união entre os tricolores. Pessoas inteligentes e com tempo disponível devem ocupar os postos-chaves do clube, para uma ajuda concreta ao executivo”.
Aristófanes, por outro lado, vai aos poucos concluindo seus planos, que deverá por em execução, caso venha assumir a presidência do clube. Pensa em reformular o quadro de Conselheiros, angariando promessas firmadas de trabalhar em benefício do clube. Aqueles que faltarem a três reuniões consecutivas, sem motivo justo, serão automaticamente eliminados, dando vez aos que de fato desejam colaborar.
É ainda Valdomiro, que depois de apoiar sem restrições o nome de Aristófanes, lembra o nome de Fernando Neves para ser convocado. A dedicação e inteligência daquele desportista, no setor de amadorismo do clube, deve ser aproveitada no setor de futebol, acrescenta. O nome de Ferando é visto com simpatia pelos outros tricolores, sendo provável o seu aproveitamento numa das vice-presidências que se tentará criar na nova gestão.
O técnico Gradim, por outro lado, está traçando planos, a fim de trazer sua família para o Recife. Dona Eugênia, sua esposa, atualmente nesta cidade, representa mais um incentivo ao trabalho fecundo que Gradim vem desenvolvendo no clube das multidões. Está praticamente acertada a permanência da família de Gradim, com rês dos seus filhos, no Recife, por doze meses.

Fonte: Diario de Noite, Recife, 03/01/1969

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