segunda-feira, 9 de maio de 2016

Um treinador pé-quente


UM TREINADOR PÉ-QUENTE

Há dois modos de olhar para o segundo título estadual da carreira de Milton Mendes, conquistado no Santa Cruz. Um deles é observar a quantidade de jogos na competição sob o seu comando. Cinco, somente. A outra, exige aspas no "somente". Ela olha para os adversários. Para levar o Tricolor ao seu 29º título pernambucano - uma semana após a conquista da Copa do Nordeste -, o treinador só jogou clássicos. Três contra o Sport, dois contra o Náutico. Todos eles extremamente decisivos.
Mendes assumiu o time com os dois campeonatos em andamento e foi a pedra fundamental para as conquistas. Encontrou o Santa Cruz numa encruzilhada na temporada, com dois caminhos à sua frente: o do fracasso ou o da recuperação. Teve o mérito de colocar a equipe na rota certa. Organizou o grupo taticamente, criou opções e viu os resultados começarem a vir. Primeiro na Copa do Nordeste. Agora, no Pernambucano.
Tão difícil quanto arrumar o Santa foi administrar os sentimentos do elenco. Acabar com a desconfiança, a princípio. Depois, conter a euforia. Milton conseguiu segurar a motivação do grupo após a conquista no Nordestão. Não deixou o time relaxar, apesar do desgaste. "A vitória não é eterna", repetia. O elenco entendeu a mensagem. Sempre entrou para vencer, como se aquela partida fosse a mais importante da vida. Foi assim contra o Sport, na final do PE2016. Um título, este sim, eternizado na história da competição, na história do Santa Cruz.

A maratona


Em sua carreira como treinador no Brasil, Mendes havia disputado apenas uma decisão de campeonato. Com a Ferroviária, na Série A2 do Paulista. Foi campeão. A pouca rodagem poderia gerar dúvidas sobre o seu desempenho em momentos decisivos. Eis que, no Tricolor, num período de pouco mais de um mês, tudo mudou. Campeão do Nordestão e, agora, do Pernambucano. Desconfiança dissipada.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 09/5/2016

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