quarta-feira, 4 de maio de 2016

Tiago Cardoso, o maior da história do Santa Cruz


TIAGO CARDOSO, O MAIOR DA HISTÓRIA DO SANTA CRUZ

Roberto Dantas

Como se sabe quando um jogador é o maior da história de determinada agremiação?Como mensurar em apenas um nome, o grande jogador de uma história que muitas vezes é centenária, extremamente vitoriosa? Em alguns casos, é fácil falar, tais quais Zico no Flamengo e Rogério Ceni no São Paulo. No Santa Cruz Futebol Clube, agremiação centenária da cidade de Recife, a discussão – que antes girava em torno de vários nomes de respeito, tais quais o arqueiro Birigui, o volante Givanildo, o atacante Ramon (todos nomes da grande fase histórica que o Santa viveu na década de 70) – vem diminuindo e cada vez mais vem se tornando consenso em torno de um só nome: Tiago Cardoso, o atual goleiro do Santa Cruz.
Para se fazer o maior jogador de um clube, é necessário estar presente num momento histórico. No caso de Tiago, o momento histórico foi o…pior da história do clube. Tiago Cardoso chegou em 2011. No ano em questão, a equipe (mais uma vez) buscava vaga pra Série D, a última divisão do campeonato nacional. Vinha de campanhas vexatórias em nível nacional e pernambucano. Contava com apenas três pratas-da-casa em seu elenco (Memo, Éverton Sena e Renatinho) e um futuro que apresentava ser tão preocupante quanto o passado recente. Humilhado, sofrido, o Santa Cruz ia perdendo força no futebol e ia tomando um rumo preocupante: o de clube simpático, inofensivo.
A chegada de Tiago Cardoso ao Santa Cruz foi sem alarde algum. Veio do desconhecido Monte Azul, de São Paulo, vindo de uma lesão. Assim como o tricolor do Arruda, o arqueiro vinha tentar recuperar a própria carreira e buscar um futuro melhor. Nada mais correto afirmar que ambos – time e jogador – viviam fases muito ruins. No caso do Santa, a pior de sua história.
Então temos o momento histórico já devidamente destrinchado. Avançando para outros pontos, temos outro fator fundamental: Desempenho em clássicos também faz um maior jogador da história do clube. Mais um ponto decisivo pra Tiago Cardoso, que costuma (afinal, ainda é jogador do Santa) fazer grandes exibições contra o Sport. E foi graças a essas grandes exibições que o Santa Cruz, contrariando todas as previsões, conseguiu um tricampeonato pernambucano (2011-2012-2013) contra o maior rival. Tiago Cardoso foi FUNDAMENTAL nas três taças.
Enfrentando a desconfiança e até mesmo o desdém dos adversários Sport e Náutico, frequentadores assíduos de divisões acima no futebol nacional, o Santa Cruz bateu o Leão da Ilha em três finais consecutivas, com a estrela do goleiro brilhando forte em todas,especialmente em 2011, na primeira, quando foi eleito craque do campeonato.
Para se fazer o maior jogador da história de um clube, também é necessário pioneirismo. Fazer aquilo que nunca se fez. E Tiago – mais uma vez – preenche esse requisito. Em todos os âmbitos.
No estadual, foi a força motriz da recuperação do respeito e do ânimo da própria torcida, já sem forças pelos maus resultados e sucessivos rebaixamentos. No nacional, também teve papel decisivo no único Brasileiro levantado pelo Tricolor: a Série C de 2013, ano que sacramentou a saída da equipe coral dos porões do futebol brasileiro, depois de seis anos de peregrinação entre as Séries C e D do Brasileirão. O campeonato é mero detalhe diante da escalada do Santa Cruz rumo a primeira divisão, onde o goleiro esteve como titular em TODOS os acessos.
Era o camisa 1 em Santa Cruz 0x0 Treze, que garantiu o acesso a Série C de 2012. Também era o titular em Santa Cruz 2×1 Betim, que levou a equipe pernambucana a Série B de 2014. E, por fim, envergava a faixa de capitão em Mogi Mirim 0x3 Santa Cruz, que colocou o Santa de volta à elite do futebol brasileiro depois de 10 longos anos.
Então já temos um jogador que chegou na pior história do clube. Que foi fundamental para a recuperação da auto-estima do torcedor a nível estadual. Que estava presente no primeiro título nacional e em todos os acessos que desembocaram na volta a elite do futebol brasileiro. Faltava, apenas, a consagração a nível regional. Faltava.
Com uma campanha impecável nas fases finais, o Santa Cruz levou o Nordestão, eliminando o Ceará nas quartas, o Bahia nas semis e o Campinense na grande final.Mais um grande campeonato do arqueiro, que evitou uma eliminação ao defender um pênalti nas quartas, no segundo jogo da eliminatória, em plena Arena Castelão.
Com o título regional, o Santa Cruz garantiu classificação para a Copa Sulamericana de 2016 e 2017. Ou seja: O arqueiro (que já estava presente nos inéditos títulos regional e nacional) também vai estar presente no debute da Cobra Coral em competições internacionais.
Então, nós temos um jogador que chegou no time em seu pior momento da história.Domesticamente, reergueu a autoestima de um clube e conquistou taças fundamentais para afastar o estigma de time inofensivo. Na região, teve papel fundamental na conquista da primeira taça. No país, foi nome chave nos três acessos, da última para a primeira divisão, e levantou também a primeira taça nacional da equipe. No âmbito internacional, ainda vai jogar as primeiras competições desse nível com o Santa, um clube de 100 anos de história.
De todas as competições que o Santa Cruz disputou e venceu, só não foi titular em uma – o Pernambucano de 2015. A taça conquistada ontem me dá tranqüilidade pra afirmar que se o arqueiro deixar o clube hoje, bom…o passado não se reescreve.

ANTES DE TIAGO CARDOSO

2006 – Rebaixado para a Série B
2007 – Rebaixado para Série C
2008 – Rebaixado para Série D
2009 e 2010 – Permanência na Série D
DEPOIS DE TIAGO CARDOSO

2011 – Campeão Pernambucano + Acesso à Série C
2012 – Bi Pernambucano
2013 – Tri Pernambucano + Acesso à Série B + Título da Série C
2015 – Campeão Pernambucano + Acesso à Série A
2016 – Campeão do Nordeste + Presença na Sulamericana 2016/2017

Fonte: Doentes Por Futebol
Enviado por Gabriel Campêlo

Um comentário:

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A matéria já diz tudo.
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