terça-feira, 10 de maio de 2016

Entrevista com Alírio Moraes


Fotografia de André Nery / JC Imagem

ENTREVISTA COM ALÍRIO MORAES

Leonardo Vasconcelos

Campeão da Copa do Nordeste e do Pernambucano em um intervalo de uma semana, o presidente Alírio Moraes conversou com o repórter Leonardo Vasconcelos sobre o futuro do Santa Cruz. Seguindo o perfil da gestão, as metas seguem ousadas: ficar entre os oito do Brasileirão e, quem sabe, abocanhar uma vaga na Libertadores.

JORNAL DO COMMERCIO – Após a festa pelo bicampeonato, como está a procura por reforços?

ALÍRIO MORAES – O professor Milton Mendes e a comissão técnica estão com as avaliações feitas, em face das campanhas do Nordestão e do Pernambucano, e naturalmente já estão buscando reforços, conversando com empresários, clubes, para a gente se reforçar. É sabido que neste primeiro momento nós vamos ter aí cerca de sete reforços, em torno disso.

JC – Quais as posições que devem ser mais reforçadas?

AM – Sobre posições eu não falaria. Nós temos uma política bem definida no Santa Cruz: quem fala sobre posição é Tininho (Constantino Júnior) e o professor Milton. Eu recebo um relatório final do custo financeiro, de contrato, para concordar ou não com a indicação deles.

JC – Qual a meta do Santa Cruz na Série A do Brasileiro?

AM – A nossa meta principal é ficar entre os oito primeiros colocados na Série A. Agora, se a gente conseguir soluções financeiras que estamos buscando para a contratação de um ou dois jogadores de peso, a gente provavelmente vai brigar por um posicionamento que nos permita até sonhar com a Libertadores da América.

JC – A Libertadores é uma meta real?

AM – O objetivo principal é ficar entre os oito melhores, mas se nós conseguirmos fechar as parcerias que estamos buscando, a gente sonha então com esse posto mais alto.

JC – Qual a avaliação do elenco atual em relação ao Brasileiro?

AM – Acreditamos muito na dinâmica de trabalho e na metodologia adotada pelo professor Milton Mendes. Acreditamos também que temos um elenco não somente formado por jovens jogadores que estão ganhando títulos pela primeira vez. Temos também jogadores maduros e rodados. Temos um Grafite que já jogou pelo mundo, com experiência internacional. Então a gente espera que, como vem acontecendo desde a chegada de Milton, que os atletas chamem a responsabilidade para si. Mantenham a mesma pegada, a mesma entrega, a mesma forma de atuar, independentemente do torneio que a gente vá jogar. Até porque ainda tem a Copa do Brasil. Eles têm que estar sempre focados dentro de campo porque o nosso projeto é que a gente tem que vencer sempre. Isso foi até destacado na nossa oração depois do jogo, tanto pelo professor como pelo Tiago Cardoso também. Campeonato encerrado, maravilha o título, mas tem campeonato que está se iniciando. E aí o relógio zera e agora é batalhar e batalhar.

JC – Qual a razão de ter decidido assistir ao jogo de domingo na arquibancada?

AM – A nossa gestão tem sido marcada pelo comprometimento com a torcida. É sabido que o torcedor do Santa Cruz, pelo menos a sua maior parte, do ponto do vista econômico, tem uma vida muito difícil. Ele tem muita dificuldade de ir pra jogo, de pagar ingresso caro, mas eu nunca abdiquei desse torcedor nesse um ano e meio de gestão. Ao contrário, sempre procurei mensurar um valor de ingresso que fosse compatível pra esse torcedor não se afastar dos estádios. Então nesse jogo final, em face do clima que estava criado, quis dar uma demonstração de que o Santa Cruz é um só: diretoria, jogadores, torcedores. Não fomos somente nós que fomos para as arquibancadas. Levamos também jogadores como João Paulo e Leandrinho, para torcer e vibrar no meio do povo.

JC – O clima que antecedeu a partida influenciou nessa decisão?

AM – A gente viveu uma semana de muita expectativa porque foram criados alguns problemas na venda de ingressos para o nosso torcedor. Boa parte da torcida comprou ingresso na mão de cambistas. Um tratamento que eu entendo ter sido desrespeitoso com a torcida. Principalmente em face daquilo que a gente praticou no jogo de ida. Nós abrimos bilheterias, fiscalizamos, procuramos manter a integridade do torcedor do clube visitante, como já vinha acontecendo há um tempo. Coisas que inclusive foram motivos de elogios. Então entendi que eu tinha que estar do lado do meu torcedor. Não teria que estar trancado em um camarote, isolado do contexto do jogo, fechado com seguranças.
Fonte: Jornal do Commercio, Recife, 10/5/2016

Nenhum comentário: