segunda-feira, 29 de agosto de 2016

À deriva!


Cruzeiro 2 x 0 Santa Cruz.
Mesmo com DORIVA, continuamos à DERIVA!

Cruzeiro 2 x 0 Santa Cruz


Fotografia de Edesio Ferreira

CRUZEIRO 2 x 0 SANTA CRUZ

Yuri de Lira

A Santa Cruz pagou caro o preço por não ter “matado” o jogo no primeiro tempo, quando foi melhor que o Cruzeiro. Logo no início do segundo, o Tricolor falhou duas vezes o permitiu a Raposa fazer os gols que decretaram a derrota coral por 2 a 0 na manhã deste domingo, no Mineirão. Diante de um adversário que, embora em ascensão na Série A, era o pior mandante do campeonato, a equipe pernambucana acumulou a sétima partida sem ganhar no Brasileiro. Segue na sua pior sequência na temporada e o técnico Doriva, há três jogos no comando tricolor, não tem sido capaz de fazer o time reagir e reencontrar as vitórias.
A fim de dar “liga” ao time, Doriva repetiu a mesma escalação pela primeira vez em sua terceira partida no comando do Santa, que, conforme preza o treinador, teve maior posse de bola no primeiro tempo e as melhores chances de abrir o placar. Sem encontrar muito espaço para trocar passes e chegar à barra mineira, a primeira jogada saiu de uma bola em profundidade de João Paulo para Grafite. Dentro da grande área, o camisa 23, no entanto, teve o seu gol impedido pelo goleiro Rafael e completou agora dez partidas seguidas no ano sem balançar as redes, na sua maior “seca” no clube.
O Santa chegou a sofrer uma pressão no começo do confronto contra o Cruzeiro, empurrado, aliás, por mais de 40 mil torcedores no Mineirão. Mas, pouco a pouco, o time pernambucano foi começando a chegar ao campo de ataque com bem mais desenvoltura que nos minutos iniciais. Um cruzamento de Allan Vieira, desviado de cabeça por Grafite, sobrou para Léo Moura, que acertou o travessão cruzeirense.
Os mandantes poderiam ter inaugurado a contagem com Rafael Sóbis, logo na sequência. Oportunidade pontual do Cruzeiro. Descompactada, a Raposa não conseguia furar um sólido sistema defensivo coral, que teve o destaque para o zagueiro Danny Morais na etapa inicial do duelo. Ele, por muitas vezes, ainda era capaz de corrigir falhas pontuais do seu colega de posição, Luan Peres.

Gols no início do segundo tempo
O que o Santa fez nos 47 minutos iniciais não fez nos sete primeiros do segundo tempo. Aos três, o mesmo Luan Peres cortou uma bola errada para o meio e desta vez não teve como Danny consertar. Sobrou nos pés de Robinho. À longa distância, o cruzeirense chutou, a bola bateu na trave e entrou, sem chances para Tiago Cardoso: 1 a 0. Aos sete, enquanto Léo Moura parou para reclamar com a arbitragem, a equipe mineira cobrou um lateral rapidamente e pegou a defesa do Santa desguarnecida. Depois de passe de Arrascaeta, Ábila só teve o trabalho de escorar a bola para dentro da barra. Doriva tentou o que pôde para reverter a situação. Acionou dois atacantes (Wallyson e Marion) no lugar de duas peças do meio-campo (Derley e Pisano), mas as trocas não surtiram o efeito esperado. Wallyson ainda teve chances de fazer um gol de falta e outro de cabeça, ambas defendidas por Rafael.

Ficha do jogo

CRUZEIRO: Rafael; Lucas, Manoel, Bruno Rodrigo e Edimar; Lucas Romero (Denílson), Ariel Cabral e Robinho; Rafael Sóbis, Arrascaeta e Ábila (Willian). Técnico: Mano Menezes.

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Allan Vieira; Derley (Wallyson), Uillian Correia (Danilo Pires) e João Paulo; Pisano (Marion) e Keno; Grafite. Técnico: Doriva.

Local: Mineirão (Belo Horizonte-MG). Árbitro: Sandro Meira Ricci (Fifa-SC). Assistentes: Nadine Schramm Câmara Bastos (Fifa-SC) e Hélton Nunes (SC). Gols: Robinho (3’ do 2T, Cruzeiro); Ábila (7’ do 2T, Cruzeiro). Cartões amarelos:Lucas Romero e Ariel Cabral (Cruzeiro); Derley, Uillian Correia e Keno (Santa Cruz). Público: 49.028. Renda: R$ 1.445.435,00.
Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 28/8/2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Santa Cruz 0 x 0 Sport



Fotografias de Ricardo Fernandes / DP

SANTA CRUZ 0 x 0 SPORT

João de Andrade Neto

Demorou 100 anos para que Santa Cruz e Sport se enfrentassem pela primeira vez em um torneio internacional. No caso, válido pela Copa Sul-Americana. No entanto, um clássico desse tamanho merecia bem mais. Em todos os fatores. A começar pelo público, que não fez jus a alcunha de “multidões” que o duelo carrega, com apenas 5.517 torcedores presentes. Dentro de campo, as duas equipes também deixaram a desejar. Com um futebol de muita marcação, mas pouca inspiração, tricolores e rubro-negros não saíram do 0 a 0, na estreia do duelo também na Arena de Pernambuco.
Placar que, pelo menos, deixa tudo em aberto para o jogo de volta, quarta-feira que vem, novamente na Arena. Quem vencer avança para enfrentar Independiente de Medellin-COL ou Deportivo Luqueno-PAR. Já um empate com gols favorece aos corais, já que o mando da volta pertence aos leões.
Para a partida, os dois treinadores parecem ter se rendido a importância histórica do primeiro confronto internacional entre tricolores e rubro-negros. Ao contrário do que se especulava, nada de times mistos, com Santa e Sport em campo com todos os seus titulares. O que, no entanto, não impediu o primeiro tempo de ser fraco tecnicamente.
Nos minutos iniciais, coube ao Sport a maior posse de bola. No entanto, faltava ao Leão um maior poder de definição dos lances. Tanto que o primeiro chute com certo perigo à meta de Tiago Cardoso só veio aos 33 minutos, com Rogério arriscando de fora da área e o arqueiro tricolor defendendo em dois lances. Contribuiu para a falta de um maior poderio ofensivo rubro-negro as atuações apagadas de Gabriel Xavier, sumido em campo, e Éverton Felipe, errando quase tudo que tentava.
Pelo lado do Santa, a proposta inicial de apostar apenas na velocidade dos contra-ataques, aos poucos, foi dando espaço também a uma melhor troca de passes e uma postura mais aguda. Tanto que entre os 15 e os 23 minutos foram três finalizações. Com direito também a duas “cheiradas” bisonhas do volante Derley. Na melhor chance de gol, a argentino Pisano chutou por cima, após a bola sobrar livre na entrada da pequena área.
Por sinal, o preenchimento de espaços em frente a área de Magrão foi outro mérito coral, que praticamente ficou com todos os rebotes ofensivos. No entanto, apesar do Santa terminar os primeiros 45 minutos um pouco melhor, as duas equipes desceram para o vestiário com o placar em branco.
Para o segundo tempo, os dois treinadores optaram por voltar com as mesmas formações. Mas não por muito tempo. Ainda no embalo da primeira etapa, o Santa iniciou tomando a iniciativa do jogo. O momento coral fez com que Oswaldo de Oliveira modificasse o Sport logo aos sete minutos (algo que não costuma fazer) ao sacar Edmílson para a entrada do colombiano Ruiz. Dez minutos depois, foi a vez do Santa mudar e reforçar a marcação, com Danilo Pires na vaga de João Paulo. O clássico voltaria a ficar truncado. E equilibrado. Só aos 23, o coral Pisano voltaria a mexer com as torcidas na Arena ao chutar com perigo.
Oswaldo ainda colocariam em campo mais dois estrangeiros, com Lenis e Mark González nas vagas de Everton Felipe e Rodney Wallace. Já pelo lado tricolor, Doriva ainda tentou dar mais velocidade ofensiva com Wallyson na vaga de Grafite. Nada, porém, foi capaz de tirar o zero do placar. O primeiro Clássico das Multidões internacional merecia mais.

Ficha do jogo

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Allan Vieira; Uillian Corrêa, Derley, João Paulo (Danilo Pires) e Pisano; Keno (Marion) e Grafite (Wallyson). Técnico: Doriva.

SPORT: Magrão; Samuel Xavier, Matheus Ferraz, Ronaldo Alves e Rodney Wallace (Mark Gonzalez); Paulo Roberto, Rithely, Éverton Felipe (Lenis), Gabriel Xavier e Rogério; Edmilson (Ruiz). Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Local: Arena de Pernambuco. Árbitro: Julian Bascuñan (Chile-Fifa). Assistentes: Marcelo Barraza e Christian Schierman (ambos do Chile). Cartões amarelos: Matheus Ferraz, Paulo Roberto (S), Derley (SC). Público: 5.517. Renda: R$ 71.085,00.


Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 24/8/2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sul-Americana pode ajudar na Série A


Fotografia de Ricardo Fernandes

SUL-AMERICANA PODE AJUDAR NA SÉRIE A

Yuri de Lira

Reforços, mudança de esquema tático, troca de treinador… Por enquanto, nenhuma dessas tentativas ainda deu certo para o Santa Cruz melhorar na Série A. Segundo Léo Moura, a retomada no Tricolor no Brasileiro pode vir justamente a partir da Copa Sul-Americana, que se inicia para o time com o clássico contra o Sport nesta quarta-feira, na Arena de Pernambuco. O veterano acredita que bons resultados na competição continental são capazes de servir como “combustível” rumo a uma arrancada para fora da zona de rebaixamento no nacional.
“Primeiramente, temos que voltar a vencer. O nosso principal objetivo é retomar as vitórias, independentemente da competição que estamos disputando. Então, contra o nosso maior rival, acho uma vitória vai nos dar confiança para seguirmos no Campeonato Brasileiro”, declarou o lateral direito. “Apareceu Sul-Americana e vamos tentar passar a cada fase porque isso dá mais confiança ao grupo”, emendou.
Apesar de declarar maior importância à Sula em detrimento da Série A, Léo Moura não deixa de destacar a sua ambição pelo torneio continental. “O peso da Sul-Americana é grande. É uma competição internacional. Já disputei algumas vezes, sei da importância que é. Já que apareceu, é o que está na nossa frente e vamos pegar.”

Bem fisicamente para a Sula-Americana
Com dez jogos seguidos entre os titulares e sem ser substituído sequer, o lateral de 37 anos pode ser poupado contra o Sport. Léo Moura, no entanto, se diz bem fisicamente e diz que, embora esteja exercendo uma o que exige bastante fisicamente, está pronto para seguir entre os titulares da equipe tricolor.
“Essa posição já não é mais segredo. Vim com (o técnico) Marcelo Martelotte para jogar no meio-campo, mas depois com Milton voltei à lateral. Estou com uma sequência na posição e tenho me sentido muito bem. Toda a minha carreira foi na lateral, vou procurar fazer o meu melhor para continuar ajudando o Santa Cruz", contou. "O cansaço não bateu de maneira nenhuma. Tenho me preparado para isso. Gosto de jogar os 90 minutos, não gosto de ficar fora", acrescentou.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 22/8/2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dias ingratos


DIAS INGRATOS

Clóvis Campêlo

Caros amigos corais, os dias atuais nos têm sido ingratos. Principalmente os dias posteriores aos jogos do Santinha. Assim, hoje é mais uma segunda-feira ingrata. Perdemos mais uma e continuamos sem convencer. Acho difícil que Doriva consiga mudar esse panorama em tempo útil. Parece que a coisa (sem nenhum trocadilho) vem de fora do campo.
Ontem, contra o Fluminense, no Arruda, continuamos a demonstrar a nossa ineficiência. Sem ataque, sem esquema tático convincente, com os jogadores visivelmente desanimados desde o começo do jogo. Fomos um time apático e sem forças para a superação. Penso que dificilmente conseguiremos evitar o retorno para a Série B.
Na estreia do novo treinador o plantel não demonstrou motivação suficiente para ganhar o jogo. Continuamos abusando dos passes laterais infrutíferos, da falta de triangulação na entrada da área adversária, com precisão e velocidade, para abris espaços aos atacantes. Fomos um time ruim, desarticulado, jogando em um gramado péssimo. Se a bola já nos atrapalha, imaginem com o gramado esburacado...
Acho que a vaca já está indo para o brejo. E a Cobra Coral também. Mas, o que mais me preocupou foi ver a cara triste e desanimada dos jogadores desde o início da partida. O que poderá estar havendo com o elenco?
Milton Mendes, o desagregador, já se foi. Doriva, o estimulador, já chegou. Vamos ganhar, gente! Colocar o coração no bico da chuteira. Voltar a ser um time de guerreiros. Só assim ainda poderemos ter alguma chance real de nos mantermos na Série A em 2017.

Santa Cruz 0 x 1 Fluminense


Fotografia de Rafael Martins

SANTA CRUZ 0 x 1 FLUMINENSE

Yuri de Lira

A estreia de Doriva pelo Santa Cruz foi completamente diferente do que ele planejava. A mudança de comando e o técnico como “fato novo” no grupo não foram suficientes para fazer o Santa Cruz voltar a vencer na Série A. Neste domingo, o Fluminense gannhou 1 a 0 em uma partida que tudo saiu como o treinador estreante não queria. O Tricolor Pernambucano não conseguiu propor o jogo quando deveria, não teve poder de reação e não tomou o Arruda como aliado. A equipe coral agora acumula seis rodadas sem vitórias, sete derrotas em casa em 11 jogos e continua imerso na zona de rebaixamento.
No esquema 4-2-3-1, Doriva confirmou a mudança que havia sinalizado durante a semana ao escalar Pisano no time no lugar de Arthur. O argentino cumpriu uma função mais centralizada no meio-campo, enquanto o volante Derley foi encarregado de ocupou a ponta direita. Com essa formação, o Santa conseguiu até algumas boas triangulações no ataque. O time, no entanto, não foi capaz de adotar a postura que o novo técnico disse que gostaria de ver, a de manutenção de posse de bola e de proposição das ações quando o placar estava zerado.
O gol dos visitantes poderia ter sido evitado. Aos 29 da etapa inicial, Tiago Cardoso saiu errado após escanteio e trombou com Luan Peres. A bola sobrou para Henrique Dourado, que teve somente o trabalho de encostá-la para o fundo das redes: 1 a 0. Keno, que seguiu sendo o principal peça da equipe para escapatória ao ataque, não conseguiu que o seu individualismo se sobressaísse. Insistiu, então, em chutes à longa e média distância. Todos sem sucesso. Com os cariocas fechados desde o começo a partida, Uillian Correia e Derley tentaram também fazer gols dessa forma nos primeiros 48 minutos do duelo.
Doriva pareceu que ia deixar o Santa mais agressivo ofensivamente com as entradas de Lelê e Arthur no lugar de Derley e Grafite, respectivamente. Mas o time recifense não apresentou o poder de reação mostrado na rodada passada, no 2 a 2 que conseguiu contra o Vitória, no Barradão - ainda sob o comando do interino Adriano Teixeira. O meio-campo era lento nas transições.
Pisano, atleta de melhor rendimento do setor, cansou, ficou mais recuado em campo e o desgaste dele refletiu diretamente na atuação do resto dos seus colegas. Os mandantes, apesar de terem um ilusório domínio no segundo tempo, tinham dificuldades para criar qualquer tipo de jogada. A torcida foi perdendo a paciência. Muitos torcedores voltaram-se contra a equipe, inclusive. O apito final deu a sensação que, mesmo depois da troca de Milton Mendes por Doriva, o Santa Cruz continua o mesmo.

Ficha do jogo

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Tiago Costa (Allan Vieira); Derley (Lelê), Uillian Correia, João Paulo, Pisano e Keno; Grafite (Arthur). Técnico: Doriva.

FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Wellington Silva (Igor Julião), Gum, Henrique e William Matheus; Douglas, Edson (Pierre) e Gustavo Scarpa; Danilinho, Wellington e Henrique Dourado (Samuel). Técnico: Levir Culpi.

Local: Arruda (Recife-PE). Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (Fifa-SP). Assistentes: Tatiane Sacilotti Camargo (Fifa-SP) e Miguel Ribeiro da Costa (SP). Gol: Dourado (29’ do 1T, Fluminense). Cartões amarelos: Igor Julião e Edson (Fluminense).Público: 8.279. Renda: R$ 120.780,00.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 21/8/2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Lacraia, o poeta do Santa Cruz


Lacraia, no destaque

LACRAIA, O POETA DO SANTA CRUZ

Leonardo Dantas Silva

Cabeleira negra e farta, pele morena escura, altura acima dos seus companheiros, Teófilo Batista de Carvalho logo se destacou, entre os meninos que em 1914 fundaram na Boa Vista o Santa Cruz, como o mais dotado dos rapazes, dentro e fora dos campos daquela época.
Filho de uma família de classe média do bairro da Boa Vista (seu pai era médico), acompanhou os meninos que se reuniam na calçada da Igreja da Santa Cruz nos primeiros momentos daquele início de século. Por motivos outros, não assinou a ata de fundação do seu clube, não se registrando a sua presença na reunião ocorrida na casa do despachante Adolpho Silva, situada no nº 5 da Rua da Mangueira (hoje, Leão Coroado), esquina com a Rua da Alegria, naquela noite de 3 de fevereiro de 1914.
Atendia pelo simpático apelido de Lacraia, ocupava a posição centromédio, logo se transformando em um dos mais renomados artilheiros e, ao mesmo tempo, em capitão e técnico daquele time de iniciantes, que comparecia aos jogos da campina do Derby envergando as cores preta e branca.
Foi o jogador mais popular de sua época, sendo dele o projeto do escudo do Santa Cruz, inspirado na “âncora branca da esperança”, trazendo as cores encarnado, preto e branco, cujo primeiro exemplar fora confeccionado nos Estados Unidos, por encomenda do livreiro Ramiro Costa, e que se mantém, em sua forma primitiva, até os nossos dias.
Segundo o blog do Santa Cruz, “a idéia do escudo nasceu numa ocasião em que um amigo do pai de Lacraia, o livreiro Ramiro Costa, proprietário da secular livraria, que levava seu nome, perguntou ao centromédio, se ele não estava interessado em mandar confeccionar alguns escudos em metal para o Santa Cruz.
Sentindo que o clube precisava de um distintivo que identificasse seus diretores e simpatizantes, não hesitou em responder favoravelmente. Ele mesmo elaborou o desenho, e a encomenda seguiu para os Estados Unidos, pois naquele tempo, tanto no Rio como em São Paulo não haveria facilidades para fazê-los. Pois, no Recife, nem se fala”.
Quando algum tempo depois, Lacraia foi informado da chegada dos escudos, a notícia estava acompanhada da conta, cinco contos de reis. Apenas para tomar o real como parâmetro, digamos, cinco mil reais. Àquela altura, o presidente era Álvaro Ramos Leal, mais tarde médico, pai do também médico e dirigente do clube em meados do século passado, Nilson Ramos Leal. Álvaro seria também avô do ponta-direita Carlinhos (Ramos Leal), de vitoriosa passagem pelo Santa – ainda defendeu o América e o Sport.
Quando foi cientificado do compromisso que teria que ser saldado com Ramiro Costa, Álvaro deixou seu companheiro assustado ao dizer que o assunto seria levado à apreciação da diretoria. Se esta não aprovasse, nada feito. Lacraia que pagasse do seu bolso, uma vez que o clube nada tinha encomendado.
Sem dinheiro para saldar um débito tão alto, o centromédio ficou apreensivo. Porém, para sua tranqüilidade, os demais diretores acharam lindos os escudos, que podiam ser usados no chapéu – um dos costumes da época – com os menores sendo presos à lapela e à gravata. E o Santa pagou a conta.
Mas o nosso Lacraia, com a sua simpatia peculiar, soube brilhar fora de campo, não só como projetista do escudo do Santa Cruz, que os tricolores daquela época usavam, com orgulho, nos chapéus, broches de gravata e lapela, muitos deles confeccionados em ouro cravejado com brilhantes, mas como autor dos versos que apresentavam os jogadores daqueles idos de 1914 a 1917.
Nas ruas a rapaziada já desfilava cantando, atraindo a presença do público feminino, depois de cada conquista no campo do Derby ou no campo do Tramways (na Avenida Malaquias).

Ai meu Deus, que barulho!
Quantas palmas, que horror!
Torcedoras estão contentes,
A vibrar com o tricolor!

Naqueles primeiros anos Teófilo Batista de Carvalho, o nosso Lacraia, descrevia em versos o perfil de cada um dos jogadores do tricolor:

Minha gente não se iluda
Nosso goal-kepper é Ilo Just
Seu apelido é Bicuda.
Atenção Bicuda! Olho na bola!
Cuidado, o inimigo atola!
E não sabeis por onde entrou.
Teu talismã foi perdido,
O teu dente foi partido,
De uma bola que levou

E seguia descrevendo cada um dos jogadores de então, terminando por ele próprio:

Do ingrato Americano
O lugar está ocupando
O rebolo do Tiano [Martiniano Fernandes]
Ai Tiano, center-ford ardiloso
Japonês perigoso,
O primeiro da posição
És um center de primeira
Faz o goal e quantos queira
Assim tenha ocasião

………………………………………….

Eis aqui o tricolor
Que acabo de descrever
Jogador por jogador
Ai que time,
Todos eles desdentados
Uns gorduchos outros cortados
Na metade da altura
Tem também uma Lacraia
Quem pisar em sua raia
A ferrada está segura

E assim o Santa Cruz, que tivera suas cores alvinegras no primeiro ano, transformando-se depois no tricolor com a inclusão do encarnado, passou a ser “o Clube das Multidões dos nossos dias…”
Confessa Givanildo Alves, em seu livro História do Futebol em Pernambuco (1978), que “o Santa continuou sendo amado por pretos e brancos, ricos e pobres, até os dias de hoje. O moreno quase negro Lacraia abrasileirou o futebol pernambucano, até então praticado somente pela elite recifense misturada aos galegos de olhos azuis das companhias inglesas aqui instaladas. O Santa Cruz pôs um ponto final no anglicismo futebolístico reinante e iniciou o estilo de jogo nacional da ginga de corpo, do banho-de-cuia, da bola de efeito, do gol de letra, do drible e da picardia. Um futebol enfim narcisista como o espírito brasileiro. Era a ruptura do velho e a instalação do novo”.
Fonte: Jornal da Besta Fubana

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A boa estreia de Pisano


A BOA ESTREIA DE PISANO

Yuri de Lira

Matías Pisano só não teve uma estreia perfeita pelo Santa Cruz porque o time coral não conseguiu ganhar. O argentino, que foi acionado pelo técnico interino Adriano Teixeira aos 20 minutos do segundo tempo, acabou sendo o autor do gol de empate em 2 a 2 contra o Vitória, no Barradão, e teve um rendimento convincente. O meia, portanto, dá uma boa impressão ao recém-chegado treinador Doriva, que assistiu a tudo das tribunas do estádio.
O meio-campista tem apenas 1,66 metro de altura. Entre os jogadores do elenco tricolor, é mais alto apenas que Renatinho, com sete centímetros a menos. Ainda assim, fez, de cabeça, o gol em sua estreia. Não que essa seja a sua especialidade. Longe disso. Nem ele próprio imaginava que seria dessa maneira que balançaria as redes adversárias pela primeira vez no Santa Cruz No entanto, feliz com o seu desempenho, tal detalhe pouco importou. “De cabeça não (esperava), mas de todo jeito serve”, falou, aos risos.
A atuação do meio-campista não pode ser restrita ao gol. Mesmo em campo por apenas 27 minutos, Matías Pisano foi capaz de melhorar o rendimento do setor de criação da equipe coral na partida e teve chance até de fazer o seu segundo gol para decretar um triunfo histórico no Barradão (já que o Santa nunca venceu o Vitória em Salvador).
Ele entrou no lugar de Arthur. A depender da atuação do concorrente e da dele, Doriva pode ter atestado que a vaga no time titular é mesmo do argentino. Isso se continuar no esquema 4-2-3-1 que Adriano Teixeira adotou neste jogo. Já se o novo técnico retomar o 4-4-2, Pisano disputaria a posição com João Paulo ou Uillian Correia para atuar como um meia mais centralizado.
Após o jogo no Barradão, o jogador avaliou positivamente a sua participação no duelo com o Rubro-negro. “Gostei (da estreia). Fui bem. Viu-se tudo: a luta da gente e a gente competindo para conseguir os objetivos”, afirmou. “Pude fazer um gol importante para nós e para seguirmos na briga (contra o rebaixamento)”, complementou.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 14/8/2016

Vitória-BA 2 x 2 Santa Cruz


Fotografia de Raul Spinassé

VITÓRIA-BA 2 x 2 SANTA CRUZ

Yuri de Lira
O técnico Doriva vai ter ainda trabalho para corrigir os defeitos do time do Santa Cruz e tornar possível a fuga da zona de rebaixamento da Série A. Mas, das tribunas do Barradão, teve uma boa impressão neste domingo da atuação time coral, comandado pelo interino Adriano Teixeira. O 2 a 2 contra o Vitória mantém a escrita de o Tricolor nunca ter vencido o adversário em Salvador, em contrapartida dá esperança de tempos melhores para o clube na competição. Ainda mais depois da estreia de Pisano, que entrou no segundo tempo, melhorou a equipe e fez o gol de empate.
Antes do jogo, Adriano disse que o seu método de trabalho era diferente ao do ex-técnico coral Milton Mendes e que, consequentemente, faria “algumas mudanças” na escalação. Não se furtou em tirar Danilo Pires, promovendo o retorno do titular Uillian Correia. Derley, porém, continuou na equipe. O auxiliar também devolveu o atacante Arthur ao time ao sacar o volante Jadson. Dessa maneira, o Santa voltou a jogar no 4-3-2-1 após ter sido formado no 4-4-2 nas duas rodadas passadas. A última alteração foi circunstancial: Neris, machucado por um mês na coxa direita, cedeu vaga a Luan Peres.
A mudança tática pouco adiantou. A equipe não jogou na etapa inicial com “alegria” que Adriano disse que gostaria ao ser questionado sobre a estratégia coral para a partida em Salvador. Com o Santa descompactado na marcação, o Vitória não demorou para criar as suas jogadas. Aos cinco minutos, depois de trocar passes na intermediária coral, o Rubro-negro abriu o placar com Diego Renan, ao infiltrar pelo lado esquerdo e chutar sem chances para Tiago Cardoso.
O sistema defensivo pernambucano era falho individualmente. Luan Peres quase “dá” um gol para Kieza ao recuar uma bola de cabeça. Coletivamente, seguiu permitindo o adversário ter mais posse de bola e o controle total do jogo. O Rubro-negro ainda acertaria uma bola no travessão. O setor ofensivo do Santa também não funcionava. Rifar a bola para frente parecia ser a única solução para construir uma jogada.
O gol de empate acabou saindo de um lance mais fortuito que elaborado. Tiago Costa resolveu chutar de longe, a tentativa deu certo e o lateral conseguiu igualar a contagem no Barradão com um golaço. A última vez que o Santa havia buscado um empate, por sinal, foi ainda na segunda rodada do Brasileiro, contra o Fluminense. Poder de reação que se estendeu para a etapa final.

Doriva nos vestiários
Doriva desceu das cabines do estádio e falou com Adriano Teixeira na hora do intervalo para que os erros mostrados fosse corrigidos. Mal deu tempo para os jogadores tricolores colocarem em prática e que foi conversado no vestiários. Já aos dois minutos, o Vitória voltou à vantagem no placar. Foi a vez de Willian Farias fazer um gol tão bonito quanto o de Tiago Costa.
O Santa começou a ser mais agressivo aos 20 do segundo tempo, quando o Matías Pisano estreou ao entrar no lugar de Arthur. O meia argentino logo fez com que a criação do Santa crescesse de produção. Mostrando velocidade e visão de jogo apurada, também foi participativo e chegou mais à frente para ajudar os colegas de ataque. Numa dessas investidas, com seus 1,66 metro, recebeu cruzamento de Wallyson (também acionado do banco de reservas) e fez um gol de cabeça, aos 37. O estrangeiro ainda teve a chance da virada.

Ficha do jogo
VITÓRIA-BA: Fernando Miguel; Diogo Mateus (José Welison), Ramon, Kanu e Diego Renan; Willian Farias, Flávio (Marcelo) e Sherman Cárdenas; Marinho, Kieza e Vander (Dagoberto). Técnico: Vágner Mancini.

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Tiago Costa; Derley (Danilo Pires), Uillian Correia, João Paulo (Wallyson), Arthur (Pisano) e Keno; Grafite. Técnico: Adriano Teixeira (interino).

Estádio: Barradão (Salvador-BA). Árbitro: Emerson de Almeida Ferreira (MG). Assistentes: Luiz Antônio Barbosa (MG) e Marconi Helbert Vieira (MG). Gols: Diego Renan (Vitória, 5’ do 1T); Tiago Costa (Santa, 37’ do 1T), Willian Farias (Vitória, 2’ do 2T) e Pisano (Santa, 38’ do 2T). Cartões amarelos: Kieza (Vitória); Luan Peres, Danny Morais (Santa Cruz).Público: 6.797. Renda: R$ 91.803,00.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 14/8/2016

domingo, 14 de agosto de 2016

A hora da virada


Fotografia de Paulo Paiva

A HORA DA VIRADA

Yuri de Lira

Sob às vistas do recém-contratado técnico Doriva, o Santa Cruz dá largada neste domingo no segundo turno da Série A. Às 16h, no Barradão, visita o Vitória. A primeira parte do campeonato é página virada. Embora sem o novo treinador à beira do gramado, o Tricolor tem desde já a obrigação de iniciar uma reação para se livrar do rebaixamento. Nesta última metade da competição, a tarefa é conquistar quase metade dos pontos a serem disputados. E os primeiros deles, mesmo ainda comandado pelo interino Adriano Teixeira, devem ser conquistados em Salvador.
Na era dos pontos corridos, nenhuma equipe caiu para a Série B com 46 pontos. Portanto, dos 57 pontos restantes em disputa neste Brasileirão, o Santa Cruz, segundo as projeções, precisaria abocanhar 28 para não cair de divisão. Se alcançar essa margem, chegará um aproveitamento de 49% nesta última metade do campeonato. Rendimento semelhante ao que Atlético-PR (52,6%) e Ponte Preta (47,4%) tiveram no primeiro turno, em que acabaram em sétimo e oitavo lugar, respectivamente. De quebra, o time coral seria o sétimo clube na história a se livrar da queda depois de terminar o primeiro turno com 18 pontos (atual pontuação coral) ou menos.
Esse tipo de missão não foi fácil para o Santa Cruz nem quando o clube jogava a Série B do Brasileiro no atual sistema de disputa, em vigor desde 2006. Até o ano passado, a pontuação máxima do Tricolor nos segundos turnos da Segundona foi de apenas 25 pontos. Só em 2015, entretanto, que o time coral quebrou esse “gelo” nos pontos corridos, conquistando 39 pontos que se traduziram no acesso à elite.
Hoje, uma reabilitação é igualmente necessária. O novo técnico estará nas tribunas do Barradão já para tentar compreender quais as necessidades da equipe e diagnosticar erros que devem ser corrigidos na sequência da competição. Algumas falhas, caso repetidas, já poderão ser vistas facilmente, a exemplo da instabilidade do sistema defensivo (que deve ser tornar ainda mais vulnerável a partir da ausência de Neris, machucado na coxa direita por um mês) e da inoperância de um setor de criação que tem custado para criar as jogadas para Keno e Grafite.
Pouco tempo depois do acerto da diretoria com Doriva, o interino Adriano Teixeira conversou por telefone com o recém-contratado comandante. Preferiu que o colega tirasse as suas próprias conclusões da equipe e deixou-o à vontade para começar um trabalho e implantar a sua filosofia no elenco. “Disse que ele viesse com a cabeça tranquila e com muita vontade de trabalhar. O treinador que estiver feliz, vai deixar o clima muito bom”, falou Teixeira. Neste domingo, porém, a missão é novamente do auxiliar. Os três pontos, um desejo para que possa repassar o cargo a Doriva com o Santa um pouco mais tranquilo na tabela. “A minha proposta é fazer um bom jogo, se doar dentro de campo e trazer um resultado positivo.”

Time
Para encarar o Vitória, o interino confirmou que vai manter a base da equipe de Milton Mendes. Mas prometeu "algumas mudanças", sem revelar quais, tampouco quantificá-las. Adriano Teixeira disse que tem a sua metodologia de trabalho e, consequentemente, sinalizou que trocas de peças e estratégia podem serão feitas. "A minha forma de trabalhar é diferente da dele, mas não se pode mudar muita coisa", declarou o interino. "Não é momento de invenção", completou. Certo é que é machucado Neris não joga. Luan Peres e Wellington são os cotados para a vaga na zaga. Após melhorar de dores no pé, Uillian Correia pode também retornar à titularidade e devolver Derley à reserva.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 14/8/2016

A chegada de Doriva


Fotografia de Yuri de Lira

A CHEGADA DE DORIVA

Daniel Leal

Ainda com reforços para estrear (como o meia Matías Pisano, recém-regularizado) e prevendo um processo normal para conhecer mais o elenco, o novo técnico do Santa Cruz evitou em falar na necessidade de reforços. Doriva preferiu a cautela. E pediu tempo para trabalhar, detectar possíveis carências e, então, falar em buscar novos atletas para tentar tirar o clube do mau momento na Série A.
"Ainda não falamos (em reforços), mas vamos avaliar se há carências e aí sim comunicar à diretoria o pensamento, uma vez que tiver trabalhando, depois de uma semana, para ter mais noção", afirmou Doriva, no seu desembarque à capital pernambucana, na noite desta sexta-feira.
Técnico do Bahia até julho, Doriva enfrentou o Santa Cruz na semifinal da Copa do Nordeste - foi eliminado pelo Tricolor, que acabou campeão. E demonstrou conhecer bem o elenco que agora terá em mãos.
"Com alguns já trabalhei, outros enfrentei. Mas obviamente não é igual trabalhar o dia a dia... Vamos levar alguns dias para conhecer a maioria. Mas conheço alguns e isso vai ajudar no início. Conheço o Marcinho, Keno, João Paulo, Uillian Corrêa, o Danilo, que estava comigo no Bahia. E alguns dispensam cometários, como Léo Moura e Grafite. São jogadores que têm qualidade e capacidade e com certeza levantando a moral, estimulando, fazendo eles acreditarem que podem render em nível alto, vamos conseguir vitórias", pontuou.
O treinador ainda não estará à frente do time na rodada deste domingo, contra o Vitória, em Salvador. Doriva, porém, afirmou que pretende dar sua colaboração "com conversa". Na segunda-feira, começa a trabalhar para valer com o grupo. O treinador, então, deve fazer a estreia à frente do Tricolor, no dia 21, quando o Santa Cruz receberá o Fluminense, no Arruda, pela 21ª rodada da Série A.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 13/8/2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A saída de Milton Mendes


Fotografia de Ricardo Fernandes / DP

A SAÍDA DE MILTON MENDES

Yuri de Lira

Todos os dirigentes do Santa Cruz estiveram na sala de imprensa na tarde desta terça-feira para comunicar oficialmente o desligamento de Milton Mendes. O treinador e a cúpula coral se derreteram em elogios uns aos outros no dia de despedida. Rebateram o ambiente pesado nos vestiários do Arruda sob o comando do técnico e expuseram que promessas não cumpridas foram fundamentais para o fim da relação com o treinador.
Com a cota de televisão, a principal fonte de renda do clube, retida na Justiça do Trabalho desde o mês passado, a diretoria revelou que não conseguiu atender os anseios de reforços de Milton Mendes como o comandante gostaria. "Não conseguimos cumprir os nossos compromissos com ele porque tivemos que fazer uma readequação financeira" disse o presidente do Santa Cruz, Alírio Moraes. "Coloquei que a gente tinha que adiar projetos. Hoje, chegamos à concordância que seria melhor paralisar o trabalho dele e criar uma outra lógica sobre o futuro do futebol", emendou.
O mandatário assumiu que, sem dinheiro em caixa, problemas estruturais questionados por Mendes (como a reforma do gramado do Arruda e o início da construção do CT) também não puderam ser solucionados. "A retenção da cota de TV limita investimentos. Num momento de sonho no início da gestão, falei que íamos fazer o CT. Mas não conseguimos recursos para sentar com a Comissão Patrimonial para esboçar o projeto", falou. Chegou até a ser mais duro nas palavras. "Estamos na elite do futebol brasileiro, mas não temos estrutura de clube de elite", pontuou.
Problemas à parte, o presidente se rasgou em elogios ao técnico. "Posso assegurar que, na minha experiência de um ano e meio no futebol, ele é o treinador mais qualificado que esteve à frente do Santa. O profissional que eu mais me identifiquei. Aprendi sobre futebol, táticas, jogadores. Sinto-me lisonjeado em ter recebido o professor. Tinha certeza que ele ficaria até dezembro de 2017, no fim do seu contrato e do nosso mandato." 
Mendes, por sua vez, retribuiu as palavras. Não só a Alirio, como também ao restante da direção, toda presente na coletiva no Arruda (estavam os diretores Jomar Rocha, Ataíde Macedo e Hélder Moura, além do vice presdiente Constantino Júnior). "Era mais do que natural que tivéssemos rumos diferentes. Mas os homens que estão aqui são os que mais lutam pelo clube. Três desses profissionais põem dinheiro no clube. Tentaram de tudo. Infelizmente, as coisas não aconteceram", disse.
"Tininho (Constantino) chora pelo clube. É um ser-humano que se dedica e não recebe um tostão. Sem contar Ataíde, um dos caras que mais admiro e tenho amizade. O Jomar.. o Hélder aprendi a respeitar. Conseguiu para a gente um ônibus leito de Fortaleza para não haver desgaste nas viagens. Só tenho a dizer coisas boas deles, nada de ruim. Uma vez disse que só não saí deste clube por causa deles. Aqui fica uma boa relação e isso não é fácil no futebol", complementou o treinador.
Milton, que passou por momentos de excesso de cobranças com o elenco também não esqueceu de lembrar dos atletas. "Só tenho que bater palmas para eles." Mostrou-se ainda otimista com a saída do time da zona do rebaixamento sem ele no comando. "Quero dizer a todos os jogadores e funcionários que, enquanto o coração bate, temos que ter esperança."

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 09/8/2016

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Santa Cruz 1 x 2 São Paulo


SANTA CRUZ 1 x 2 SÃO PAULO

Yuri de Lira

Que o Santa Cruz tenha tirado lições do primeiro turno da Série A, encerrada para os corais na tarde deste domingo com uma derrota por 2 a 1 para o São Paulo, em casa. O Tricolor Pernambucano novamente não fez prevalecer o Arruda. Perdeu a sexta de dez partidas em casa e acumula quatro jogos sem ganhar no campeonato. O resultado não permitiu que os comandados do técnico Milton Mendes deixassem a zona de rebaixamento para iniciar a segunda etapa da competição sem este fardo que carrega agora há três rodadas.
Milton Mendes havia acenado para a manutenção do esquema 4-4-2, mas queria um Santa mais ofensivo que nos dois últimos jogos no esquema. Com a formação mantida, os seus jogadores, no entanto, encontraram dificuldades para terem mais vocação ao ataque. A transição era defeituosa. Os três volantes e João Paulo não conseguiam levar a bola à frente. Os laterais pouco ajudavam nessa tarefa.
Pela frente, o Santa tinha um São Paulo em mau momento e sem o técnico Edgardo Bauza (que foi treinar a seleção argentina), porém com talentos individuais que foram suficientes para atrapalhar os planos táticos do time pernambucano. O Tricolor Paulista, aliás, não se acuava. Acabou sendo superior na etapa inicial. Teve mais posse de bola, mais finalizações e mais passes certos. Explorou no primeiro tempo, sobretudo, espaços deixados na parte direita do campo do time recifense e teve chances de abrir o placar. A melhor oportunidade são-paulina foi justamente por esse lado, quando João Paulo recuou errado e Chávez por pouco não inaugura a contagem.
Não era difícil prever que os mandantes seriam penalizados por causa da sua marcação desajustada. Depois de Jadson perder uma bola no meio-campo, o São Paulo atacou pela mesma direita coral e Cueva cruzou para Chávez fazer 1 a 0, aos 38. A partir daí, a cada momento que tocava na bola, o volante do Santa, que também já não conseguia fazer a cobertura de Léo Moura, era vaiado pela torcida. Protesto que se estendeu ao resto do time no apito para o intervalo.

Segundo tempo

Mendes voltou para o segundo tempo sem Jadson. Trocou-o pelo atacante Arthur. Sob a necessidade de buscar o resultado, devolveu o Santa Cruz a um 4-2-3-1 que varia para o 4-3-3 nos momentos de posse de bola. O time cresceu ofensivamente e Derley teve tudo para empatar já aos dez minutos. Contudo, os “buracos” na direita do campo permaneceram. Num novo mal posicionamento da defesa pernambucana, Cueva serviu Chávez: 2 a 0.
A segunda cartada de Milton Mendes para virar o jogo foi a entrada de Renatinho, que fez a sua estreia numa Série A. Enfrentou seu amigo da época de velhos tempos no Santa, Gilberto, acionado no São Paulo sob vaias (o atacante tinha recebido proposta da diretoria coral para retornar ao Arruda antes de fechar com a equipe paulista).
Num lance pontual, quando já tinha Bruno Moraes em campo para tentar uma reação, o Tricolor Pernambucano conseguiu um pênalti, defendido pelo goleiro Dênis após cobrança de Grafite, aos 36. Um gol que fez muito falta. Keno diminuiu dois minutos depois com um chute colocado e o time cresceu no jogo na busca pelo empate. Faltou tempo e um pouco mais de qualidade, que será imprescindível no segundo turno do Brasileirão.

Ficha do jogo


Santa Cruz: Tiago Cardoso; Léo Moura (Renatinho), Neris, Danny Morais e Tiago Costa; Derley, Danilo Pires (Bruno Moraes), Jadson (Arthur) e João Paulo; Keno e Grafite. Técnico: Milton Mendes.

São Paulo: Denis; Buffarini, Lyanco, Maicon e Mena; João Schmidt, Thiago Mendes (Wesley), Hudson, Kelvin e Cueva (Luiz Araújo); Chávez (Gilberto).Técnico: André Jardine (interino).

Estádio: Arruda (Recife-PE). Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ). Assistentes: Rodrigo Henrique Corrêa (Fifa-RJ) e Thiago Corrêa Farinha (RJ). Gols: Chávez (38’ do 1T e 19’ do 2T, São Paulo); Keno (38’ do 2T, Santa Cruz). Cartões amarelos: Derley (Santa Cruz); João Schmidt, Mena e Luiz Araújo (São Paulo). Público: 12.552. Renda: R$ 205.870,00.

Fonte: Dario de Pernambuco, Recife, 07/8/2016

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Grêmio 0 x 0 Santa Cruz


GRÊMIO 0 x 0 SANTA CRUZ

Yuri de Lira

O Santa Cruz teve uma atuação alentadora após derrotas nas duas últimas rodadas da Série A. Na noite desta quinta-feira, em Porto Alegre, não se intimidou com o Grêmio, enfrentou o adversário de igual para igual e teve chances de sair vitorioso em uma partida equilibrada. Mas o 0 a 0 persistiu no placar até o apito final. A uma rodada do término do primeiro turno do Brasileirão, apesar de ainda incrustado na zona de rebaixamento, o desempenho do Tricolor Pernambucano diante do time gaúcho lhe abre um horizonte mais promissor para sequência do campeonato.
Ao contrário do jogo contra o Atlético-MG, na rodada passada, o esquema 4-4-2 funcionou defensivamente no início da partida. Com um meio-campo mais povoado em relação à antiga formação no 4-2-3-1, o Santa Cruz mostrou consistência na marcação. Conforme pediu o técnico Milton Mendes durante a semana, o time foi menos retraído no ataque. Bem postado, até os primeiros 15 minutos, manteve até maior posse de bola e trocava passes no ataque mais do que o Grêmio. Tinha, no entanto, dificuldades para chutar em gol.
A equipe gaúcha logo achou espaços e começou a envolver o Santa. Muitas brechas eram deixadas na entrada da área e os comandados do técnico Roger Machado resolveram arriscar chutes à longa distância. Sem êxito. Mas um sinal que o combate dos pernambucanos precisavam melhorar. Se baixou a guarda na defesa, a equipe visitante acabou sendo efetiva ofensivamente no fim do primeiro tempo ao encaixar contra-ataques. Grafite e Jadson poderiam ter inaugurado a contagem. Antes, a única finalização recifense havia sido de uma falta cobrada perto da meia-lua por Tiago Costa, ainda aos quatro minutos.
Equipe coral repetiu a formação da última rodada, no 4-4-2, com quatro homens atentos à marcação no meio de campo e fazendo uma partida equilibrada contra o Grêmio.

Segundo tempo
O Grêmio poderia ter feito 1 a 0 já aos oito do segundo tempo, quando Bolaños acertou uma bola na trave do Santa. No rebote, Negueba cabeceou, de peixinho, para fora e com a barra aberta. Milton Mendes mexeu no time. Mudou o esquema. Arthur entrou e devolvia, por vezes, o Santa ao 4-2-3-1. Os corais seguiram taticamente aplicados. A partir daí, foi uma bola na trave para cada lado. Douglas cabeceou na de Tiago Cardoso. De falta, João Paulo acertou o travessão de Marcelo Grohe.
Marcado pelo equilíbrio, o confronto seguiu em aberto até o fim. Keno e Grafite, que estiveram em sintonia durante a partida, tiveram chances claras de fazer o gol da vitória coral. O zagueiro gremista Wallace Reis também teve logo na sequência. Prevaleceu a justiça e o empate, que era o mínimo que o Tricolor Pernambucano buscava na Arena do Grêmio, soou quase como uma vitória.
Ficha do jogo
Grêmio: Marcelo Grohe; Wallace Oliveira, Pedro Geromel, Wallace Reis e Marcelo Oliveira; Jaílson, Maicon, Negueba (Henrique Almeida), Douglas (Lincoln) e Pedro Rocha (Guilherme); Miller Bolaños. Técnico: Roger Machado.

Santa Cruz: Tiago Cardoso; Léo Moura, Neris, Danny Morais e Tiago Costa (Roberto); Derley, Jadson (Arthur), Danilo Pires e João Paulo; Keno e Grafite (Fernando Gabriel). Técnico: Milton Mendes.

Estádio: Arena do Grêmio (Porto Alegre-RS). Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (Fifa-SP). Assistentes: Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo (Fifa-SP) e Alex Ang Ribeiro (SP). Cartões amarelos: Geromel (Grêmio); Danilo Pires, Jadson e Roberto (Santa Cruz). Público: 17.883. Renda: R$ 464.475,00.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 04/8/2016

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Contrato encerrado


CONTRATO ENCERRADO

Caio Wallerstein

Ídolo e artilheiro do Santa Cruz na Série A, Grafite já tranquilizou a torcida coral em várias oportunidades e confirmou que vai mesmo ficar no Tricolor até o final de 2017. No entanto, seu antigo contrato com o clube, que ia até 31 de julho, chegou ao fim sem que o novo fosse publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. Até que isso aconteça, ele fica sem vínculo com clube algum. A diretoria coral, portanto, precisará agilizar a sua regularização até as 19h da próxima quarta-feira para evitar que o camisa 23 perca a partida contra o Grêmio, que acontece na quinta, no Rio Grande do Sul.
No entanto, o vice-presidente do Tricolor, Constantino Júnior, tratou de tranquilizar a torcida quanto à publicação do contrato. "Já foi assinado. Acredito que será publicado até amanhã", sintetizou o dirigente em contato com o Superesportes. Conforme já havia sido noticiado, ele garantiu que o novo vínculo vai até o final do próximo ano.
Para ficar no Tricolor, Grafite abriu mão de diversas propostas de outros clubes do Brasil. Pesou na decisão a vontade de seguir no Recife e o carinho pela torcida e pelo clube coral. O novo contrato pode ser, inclusive, o último do atleta de 37 anos como profissional, já que ele também manifestou desejo de se aposentar no Santa.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 01/8/2016

Instabilidade emocional ou incompetência tática?



INSTABILIDADE EMOCIONAL OU INCOMPETÊNCIA TÁTICA?

Natália Santos

Não foi desta vez que o Santa Cruz deixou Minas Gerais com uma vitória diante do Atlético/MG. No Independência, o Tricolor manteve o tabu de nunca ter derrotado o Galo fora de casa e foi batido por 3x0, pela 17ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Na entrevista coletiva após o jogo, o técnico Milton Mendes procurou enfatizar a qualidade do adversário em vez de criticar o desempenho do time. Ainda assim, o treinador voltou a citar o problema de "instabilidade emocional" da equipe.
"Nossa estratégia era manter a posse de bola e, no intervalo, tentamos adiantar Keno e Grafite buscando uma segunda possibilidade com o Arthur. Mas depois tomamos o segundo gol, em uma jogada que mostra a qualidade do time deles. Ainda temos uma instabilidade emocional e precisamos estar seguros dentro de campo. Estivemos bem em muitos momentos do jogo, fazendo transições. Mas precisamos dar mérito ao Atlético, um clube extraordinário com um grande treinador", destacou Milton.
O técnico ainda explicou a ideia de entrar na partida com quatro volantes (Jadson, Uilian Correia, Derleu e Danilo Pires). "Danilo tem qualidade, Jadson tem saída pelo lado direito, Uilian também. Dentro do nosso modelo, a equipe estava com corpo, mas em uma transição perdemos a bola. Não podíamos dar arma ao adversário. Qualquer erro é fatal", lamentou. "Ganhar e pontuar é importante, mas nossa equipe vem trabalhando bem, tentando fazer o melhor dentro das possibilidades. Estamos conscientes de que a dificuldade é grande. Chegamos a ficar na parte de cima da tabela e precisamos ter disposição para lutar. É preciso bater no peito e saber em qual lugar queremos chegar. Se vai ser lá embaixo ou lutar para ficar lá em cima. Isso só se consegue com trabalho, determinação e vontade. Torcedor ficou hoje com gosto amargo porque viu que jogamos bem", completou.
Na próxima rodada, o Santa encara o Grêmio, quinta (4), fora de casa. O Tricolor é o 17º colocado do Brasileirão, com 17 pontos. "Sempre é difícil jogar lá. No Campeonato Brasileiro, todas as equipes são qualificadas. Sabemos da dificuldade, mas é importante procurar explorar as qualidades e não expor as deficiências", finalizou.

Fonte: Folha de Pernambuco, Recife, 31/7/2016

domingo, 31 de julho de 2016

Atlético-MG 3 x 0 Santa Cruz


ATLÉTICO-MG 3 x 0 SANTA CRUZ

Natália Santos

Não quebrou o tabu e muito menos manteve intacta a sequência invicta dos pernambucanos contra os mineiros na temporada 2016. O Santa Cruz falhou em todo os objetivos almejados neste sábado (30), contra o Atlético/MG, no Independência, pela Série A do Campeonato Brasileiro. Depois de vencer Cruzeiro e América/MG, os visitantes vacilaram diante do outro representante de Minas Gerais. Com gols de Robinho, Fred e Luan, o Tricolor foi derrotado por 3x0 pelo Galo. A Cobra Coral terminou a rodada na zona de rebaixamento, na 17ª colocação, podendo ainda perder posições, com 17 pontos, e segue sem vencer o Atlético fora de casa na história da competição.

O JOGO

O técnico Milton Mendes montou o Santa Cruz com três volantes, querendo aproveitar-se dos contra-ataques para tentar surpreender o Atlético/MG em casa. Funcionou no primeiro momento, já que a primeira chance, logo no começo do jogo, foi pernambucana. Jadson desceu pelo lado direito e cruzou na área para Keno, que chegou de cabeça, mas a bola acabou indo para fora. Depois disso, os mineiros dominaram a partida.
Aproveitando-se da dificuldade coral de encaixar a marcação, o Galo abusou das jogadas aéreas no primeiro tempo. Foi assim que surgiu a primeira oportunidade de gol do time alvinegro. Após cobrança de escanteio, a zaga tricolor deixou o zagueiro Erazo subir sozinho na pequena área, mas o jogador acabou desperdiçando a chance.
Na sequência, mais um vacilo da zaga pernambucana e foi a vez de Maicosuel, depois de mais um escanteio, cabecear livre, mas a bola foi para fora. A noite não era das melhores para os defensores corais. Uillian Correia dormiu no ponto e Maicosuel, que apresentou boa atuação pelo lado direito do campo, roubou a bola, lançando para Fred. O camisa 99 perdeu a primeira chance em boa defesa de Tiago Cardoso. Mas a sobra foi de Robinho, que chutou alto e abriu o placar no Independência.
O segundo tempo começou morno, com poucas chances criadas pelos dois lados. Mas não por muito tempo. Aos 22 minutos – mesmo tempo usado para abrir o placar no primeiro tempo -, o Galo ampliou. Numa bela jogada, Fred tocou para Robinho, que devolveu para o atacante. De calcanhar, ele serviu Patric, que devolveu para o camisa 99 finalizar com o gol, quebrando o jejum de três jogos sem marcar.
Não demorou muito para os alvinegros empurrarem a bola para o fundo do barbante mais uma vez. O autor do terceiro gol mineiro veio do banco de reservas. No lugar de Lucas Pratto, Luan mal entrou e já deixou o dele. Robinho pegou a bola, pedalou e passou para o atacante, que não perdoou. O Santa Cruz seguiu tentando encaixar a marcação, mas o Atlético/MG demonstrou muita facilidade para tocar a bola no campo de defesa adversário. Sem chance para reação do Tricolor pernambucano, que escreveu mais um capítulo no tabu contra os mineiros, saindo do Independência, mais uma vez, sem conseguir derrotar o Galo.

FICHA DO JOGO

ATLÉTICO-MG: Victor; Carlos César (Patric), Leonardo Silva, Erazo, Fábio Santos; Rafael Carioca, Leandro Donizete, Maicosuel (Junior Urso); Robinho, Lucas Pratto (Luan) e Fred. Técnico: Marcelo Oliveira.

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Luan Peres, Danny Morais e Tiago Costa; Uilian Correia, Jadson (Lelê), Derley e Danilo Pires (Arthur); Keno e Grafite (Fernando Gabriel). Técnico: Milton Mendes.

Local: Estádio Independência (MG). Horário: 21h. Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA). Assistentes: Marcio Gleidson Correia Dias (PA) e Helcio Araujo Neves (PA). Gols: Robinho (aos 22min 1T) e Fred (aos 22min do 2T) e Luan (aos 24min do 2T). Cartões amarelos: Derley (S), Leandro Donizete (A) e Uillian Correia (S).

Fonte: Folha de Pernambuco, Recife, 30/7/2016

sábado, 30 de julho de 2016

Em busca do Galo


EM BUSCA DO GALO

Paulo Henrique Tavares

Vencer o Atlético/MG no estádio Independência. A dificuldade que o Santa Cruz enfrentará para alcançar este objetivo está implícita. Conta de forma desfavorável o histórico do confronto em Minas Gerais - onde os tricolores nunca venceram - e a posição das duas equipes na tabela de classificação da Série A. Mesmo assim, caso o inesperado aconteça, o técnico Milton Mendes afirmou que a interferência do resultado valerá muito mais que os três pontos. Uma possível vitória contará positivamente no psicológico dos atletas.
O Santa Cruz chega para o confronto na 16ª colocação do Campeonato Brasileiro, com 17 pontos. Ou seja, um degrau acima da temida zona de rebaixamento. O aproveitamento da equipe na competição é de 35,4%, com cinco vitórias, dois empates e nove derrotas. Já o Atlético/MG entrará em campo para se aproximar do G4 - a diferença para o quarto colocado Santos é de três pontos. O Galo tem 26, conquistados com sete vitórias, cinco empates e quatro derrotas, na sétima colocação.
Além de revelar a condição atual das equipes, tais números demonstram quão dura será a busca tricolor. De alento serve o fato de a única vitória fora de casa da equipe na competição ter acontecido também no estádio Independência. O 3x0 diante do lanterna América/MG, inclusive, foi suficiente para mudar para melhor o ambiente no Arruda. “Uma vitória boa já foi contra o América. Nos deu alento, força, possibilidade de brigar por um lugar melhor que não chegamos por incompetência nossa mesmo. Acho que (diante do Atlético) seja um jogo de peso 3 (o mais elevado)”, disse o treinador.
Além da parte tática, trabalhada durante a semana livre que o Santa Cruz teve à disposição, o comandante fez questão de melhorar o lado psicológico dos atletas para o jogo. “A gente arriscou em alguns momentos, e a equipe não reagiu, com algumas mudanças. Trabalhamos o psicológico, porque quando tomamos o gol, visivelmente a nossa equipe se abateu e caiu. Trabalhei, sim, os dois fatores (tático e mental). E eu penso que as duas fluíram bem”, afirmou o comandante.
Milton Mendes viajou para Belo Horizonte com o time na cabeça, mas nenhuma confirmação foi dada à Imprensa. As principais dúvidas são com relação aos substitutos do zagueiro Neris, que está lesionado, e do meia João Paulo, suspenso. Wellington deve ser acionado na defesa. Já o meio de campo tem três atletas brigando pela vaga: Marcinho, Jadson e Danilo Pires. Ao todo, os tricolores irão para o jogo com cinco desfalques. Além de Neris e João Paulo, o lateral-direito Vítor, com dores na panturrilha, o atacante Marion, com um inchaço no joelho, e o volante Wellington Cézar, que sofre de tendinite no joelho direito.

Fonte: Folha de Pernambuco, Recife, 30/7/2016

Nossas cores, nossos valores, nossa paixão!







domingo, 24 de julho de 2016

Santa Cruz 0 x 1 Coritiba


SANTA CRUZ 0 x 1 CORITIBA

Yuri de Lira

A depender dos resultados deste domingo, o Santa Cruz pode voltar à zona de rebaixamento da Série A após apenas uma rodada fora dela. Diante do Coritiba, um adversário direto na briga contra a queda, o Tricolor teve neste sábado, no Arruda, sua reação interrompida no campeonato e não conseguiu a inédita série de três vitórias seguidas na Série A do Brasileiro. O terceiro resultado positivo seguido na competição, na verdade, esteve longe de vir. Sem poder ofensivo, o time do técnico Milton Mendes saiu derrotado por 1 a 0. Kleber Gladiador fez o seu gol solitário ainda no primeiro tempo e poderia ter feito o segundo não fosse Tiago Cardoso para defender um pênalti no começo da etapa final.
O Santa Cruz não perdeu tempo para ir para cima do Coxa. Frente a um adversário com as linhas recuados no meio-campo e na defesa, o Tricolor não sofreu para ter maior posse de bola e se manter quase sempre presente no campo de defesa paranaense. Mas a criação de jogadas dos corais era defeituosa. Sem ninguém para pensar o jogo, a equipe da casa praticamente restringia as suas ações à individualidade dos três atacantes - Keno, Arthur e Marion, que substituía o suspenso Grafite.
A melhor oportunidade de gol do Santa no primeiro tempo acabou sendo a partir de uma bola parada. Ainda aos cinco minutos, João Paulo achou Danny Morais na grande área, e o zagueiro obrigou o goleiro Wilson a fazer uma defesa de puro reflexo. O Coritiba raramente progredia. Aproveitou, porém, uma das suas raras investidas. Peça mais perigosa do Coxa, Kléber Gladiador iniciou e terminou um lance aos 32, que resultou no gol dos visitantes.
Imediatamente, Milton Mendes mexeu no time. Tirou Marion e colocou Bruno Moraes em campo. Após o gol sofrido, o Santa caiu de produção, descompactou a marcação e permitiu a equipe do técnico Pachequinho avançar no seu campo, como não acontecia no início da partida. Ofensivamente, se tornou ainda mais falho na construção. Começou a rifar bolas da defesa para o ataque. Sempre sem sucesso.
Não houve melhora no Santa depois do intervalo. Bastaram nove minutos para Kléber sofrer um pênalti de Tiago Cardoso. Contudo, o goleiro tricolor defendeu a sua segunda penalidade seguida na Série A (a terceira na temporada) e evitou que o mesmo atacante convertesse a cobrança em gol. A quem achou que os corais se motivariam mais após a defesa, ledo engano.
Para sanar o persistente problema na criação, Mendes acionou Marcinho na sequência. Também pouco adiantou. O time seguia realizando transições longas, e parte da torcida chegou ao ponto de pedir a entrada de Renatinho. Quase sem conseguir colocar a bola no chão, o primeiro chute na etapa final da partida só saiu aos 22 minutos, com Keno, que recebeu cruzamento da direita de Léo Moura. O segundo sequer aconteceu. Felipe Amorim ainda acertou a trave de Cardoso nos acréscimos, e o Coxa conseguiu sua primeira vitória como visitante no campeonato.

FICHA DO JOGO

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Wellington, Danny Morais e Tiago Costa; Uillian Correia, João Paulo, Marcílio (Marcinho), Arthur (Danilo Pires) e Keno; Marion (Bruno Moraes). Técnico: Milton Mendes.

CORITIBA: Wilson; Ceará, Luccas Claro, Juninho (Nery) e Carlinhos; Edinho, João Paulo e Alan Santos; Raphael Veiga (Felipe Amorim); Kléber (Iago) e Kazim. Técnico: Pachequinho.

Estádio: Arruda (Recife-PE). Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (Fifa-GO). Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva (Fifa-GO) e Bruno Raphael Pires (Fifa-GO). Gol: Kléber (32’ do 1T, Coritiba). Cartões amarelos: João Paulo e Tiago Cardoso (Santa Cruz); Carlinhos (Coritiba). Público: 10.021. Renda: R$ 133.770,00.

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 23/7/2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Santa Cruz 2 x 3 Vasco da Gama


SANTA CRUZ 2 x 3 VASCO DA GAMA

Depois de um primeiro tempo sem gols, Andrezinho abriu o placar, Yago Pikachu ampliou a vantagem, e Keno ainda descontou para os pernambucanos. Nos acréscimos, Jorge Henrique fez para os visitantes, e Arthur anotou mais um para os donos da casa.
Com o resultado, os cariocas capturaram sua vaga às oitavas de final da Copa do Brasil e, sob o comando do mestre Jorginho, seguem sua jornada. No duelo de ida, as duas equipes tinham ficado no empate por 1 a 1. Agora, os cruz-maltinos, que não contaram com lesionado Nenê, irão conhecer seu próximo adversário em sorteio.
Antes do duelo, houve uma cena triste e preocupante. Um torcedor do time visitante se desequilibrou, caiu no fosso do Arruda e foi encaminhado ao hospital.
Agora, o Vasco voltará a campo no sábado, quando receberá o Bragantino em São Januário, às 16h30 (de Brasília), pela Série B do Brasileirão. No mesmo dia, o Santa Cruz voltará a atuar em seu estádio, onde enfrentará o Coritiba, às 18h30, pela Série A.

Vasco resolve no segundo tempo e avança


Precisando marcar de qualquer forma, o time carioca criou mais ao longo da primeira etapa e parou em algumas boas defesas de Tiago Cardoso. Aos 31min, o goleiro defendeu cobrança de falta forte de Rodrigo. Sete minutos depois, Andrezinho levantou na área, Bruno Moraes desviou para trás e mandou por cima, quase marcando contra. Aos 40min, Yago Pikachu arriscou de fora da área, e o arqueiro voltou a aparecer bem.
Logo na sequência, Leandrinho tinha a chance pelos donos da casa, mas foi bloqueado por Rodrigo no momento da conclusão.
Apesar deste cenário, o duelo foi para o intervalo sem gols, o que mudaria em pouco tempo na segunda etapa.
Aos 7min, Julio Cesar recebeu de Jorge Henrique e tocou com desvio da zaga. A bola sobrou para Andrezinho, que bateu no ângulo direito, sem chances para o goleiro.
Os cariocas se animaram com o bom momento, seguiram no ataque e ampliaram a vantagem. Aos 19min, Evander fez boa jogada individual e cruzou. Yago Pikachu chutou com desvio e viu a bola entrar.
Os pernambucanos, que iniciaram o jogo com a vaga nas mãos, então passaram a precisar de três gols para seguirem adiante. A equipe até esboçou uma reação aos 23min, quando Keno aproveitou lançamento longo para a área e cabeceou para o alvo.
Porém, o Santa Cruz não conseguiu mais do que isso e ainda viu os vascaínos fazerem mais um. Nos acréscimos, Jorge Henrique foi acionado no ataque, chegou antes de Tiago Cardoso, que saiu mal, driblou o goleiro e mandou para a rede. Nem mesmo o gol de Arthur na sequência serviu para animar os pernambucanos.
Depois do apito final, Diguinho e Derley discutiram, sendo que o primeiro levou o cartão amarelo e o segundo, o vermelho.

FICHA TÉCNICA

Local: Estádio Arruda, em Recife (PE). Data: 20 de julho de 2016 (Quarta-feira). Horário: 21h45 (de Brasília). Árbitro: Igor Junio Benevenuto (MG). Assistentes: Marcus Vinicius Gomes (MG) e Flavio Gomes Barroca (RN). Renda: R$ 132.525,00. Público: 14.264 pagantes. Cartões amarelos: Vitor, Keno, Marcinho e Néris (Santa Cruz); Marcelo Mattos, Rodrigo e Diguinho (Vasco). Cartão vermelho: Derley (Santa Cruz). Gols: SANTA CRUZ: Keno, aos 23min do segundo tempo; Arthur, aos 48min do segundo tempo. VASCO: Andrezinho, aos 7min do segundo tempo; Yago Pikachu, aos 19min do segundo tempo; Jorge Henrique, aos 47min do segundo tempo

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Vitor, Neris (João Paulo), Danny Morais e Tiago Costa; Wellington Cézar, Derley, Marcílio (Arthur) e Leandrinho (Marcinho); Keno e Bruno Moraes. Técnico: Milton Mendes.

VASCO: Martin Silva; Madson, Jomar, Rodrigo e Júlio César; Marcelo Mattos (Diguinho), Andrezinho, Yago Pikachu (Julio dos Santos) e Evander (William); Jorge Henrique e Thalles. Técnico: Jorginho.

Fonte: ESPN

terça-feira, 19 de julho de 2016

América-MG 0 x 3 Santa Cruz


AMÉRICA-MG 0 x 3 SANTA CRUZ

Somente quatro times perderam pontos para o América-MG em 15 rodadas do Brasileiro: Cruzeiro, Coritiba, Vitória e Figueirense. Brigando diretamente com o Coelho para fugir do Z-4, o Santa Cruz não entrará nessa lista. Com um atuação soberba, a equipe pernambucana jogou melhor, atropelou os donos da casa e venceu por 3 a 0 neste domingo pela manhã, na Arena Independência.
Ficou barato para os mineiros.
Em situação desesperadora no campeonato, eles preparam o anúncio de um pacote nesta segunda-feira: Lucas Mugni (Flamengo), Nixon (ex-Flamengo), Diego Lopes (Kayserispor-TUR), Michael (Estoril-POR) e Loboa (Morelia-MEX).
Na ausência do quinteto, os comandados do português Sérgio Vieira penaram mais uma vez diante de sua torcida.
Logo aos oito minutos, Osman perdeu dividida para Tiago Costa, que invadiu e área e chutou de bico para abrir o placar para o Santa. Foi o seu primeiro nesta Série A.
O América-MG poderia ter dado o troco rapidamente, aos 13, em cobrança de pênalti com Osman. O atacante bateu de forma displicente, no meio do gol, e viu Tiago Cardoso defender com relativa facilidade.
No minuto seguinte, 15, após escanteio, o meia Marcílio aproveitou sobra na entrada da área e fez golaço, sem chance para João Ricardo.
Na volta do intervalo, aos 10, Léo Moura deu linda assistência para Arthur, que avançou sozinho e soltou bomba para assegurar de vez a vitória.
Com o resultado, o Santa Cruz chegou à 14ª colocação, com 17 pontos, enquanto que o América-MG segue na lanterna, com apenas oito.

FICHA TÉCNICA

Local: estádio Independência, em Belo Horizonte (MG). Data: 17 de julho de 2016 (domingo). Horário: 11h (de Brasília). Árbitro: Grazianni Maciel Rocha (CBF-RJ). Assistentes: Dibert Pedrosa Moisés (MAST-RJ) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (asp.FIFA-RJ)
Cartões amarelos: Pablo e Gilson (América-MG); Neris e Grafite (Santa Cruz). Gols: Tiago Costa aos 8 minutos e Marcílio aos 15 minutos do primeiro tempo; Arthur aos 10 minutos do segundo tempo

AMÉRICA-MG: João Ricardo; Pablo, Adalberto, Roger e Bruno Teles (Bruno Sávio); Leandro Guerreiro (Claudinei), Juninho, Gilson, Alan Mineiro (Danilo) e Osman; Danilo Dias
Técnico: Sérgio Vieira.

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Léo Moura, Neris, Danny Morais e Tiago Costa; Uillian Correia (Derley), Marcílio (Jadson) e João Paulo; Keno, Grafite (Marion) e Arthur
Técnico: Milton Mendes.

Fonte: ESPN

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Vasco da Gama 1 x 1 Santa Cruz


VASCO DA GAMA 1 x 1 SANTA CRUZ

Yuri de Lira

O time misto utilizado pelo Santa Cruz nesta quarta-feira parecia mostrar que a Copa do Brasil não era tão prioritária para o treinador Milton Mendes. Embora a direção assegurasse até preferência no torneio nacional em detrimento da Sul-Americana, o técnico não quis sacrificar os seus titulares e montou a escalação com sete reservas em São Januário, contra o Vasco. Ainda assim, a modificada equipe coral ficou no 1 a 1, sofrendo gol nos últimos minutos do segundo tempo. Pode agora até empatar sem gols no jogo de volta, no Arruda, para se classificar às oitavas cumprir o planejamento estratégico da diretoria. Ao mesmo tempo, vê mais perto a chance de perder a inédita vaga na Sula 2016 - conforme bizarra regra da CBF, que diz que os clubes não podem passar desta terceira fase para terem o direito de disputar a competição continental.
Dos titulares do Santa, apenas Tiago Cardoso, Neris, Marcílio e Tiago Costa iniciaram entre os 11 diante do Vasco. Segundo Mendes, as peças que estavam menos cansadas. Num vídeo institucional do clube, em que também se divulgou a escalação, o técnico avisou que este jogo serviria para experimentações. “É o momento que a gente pode errar”, afirmou o comandante na publicação.
Mesmo atuando com uma equipe mista contra o Vasco (por opção do técnico Milton Mendes, em priorizar a Série A), o Santa Cruz apresentou um futebol organizado
Enquanto parte dos titulares “descansavam” para a próxima partida do Brasileiro (esse, sim, o principal campeonato do ano para os corais), a equipe tricolor parecia não se intimidar com um Vasco completo e que trata a Copa do Brasil como “cereja do bolo” para a temporada. Bastaram dois minutos para Bruno Moraes, artilheiro do Santa no torneio nacional, abrir o placar. Como previa Milton Mendes, numa jogada fruto de um contra-ataque.
Em seguida, os mandantes estiveram mais perto do empate que o Santa do segundo gol no restante do primeiro tempo. Apesar de muitos erros na criação, o Vasco obrigou Tiago Cardoso a salvar os visitantes duas vezes, pelo menos. Ainda viu Wellington Cézar evitar um gol quase em cima da linha. A tática do time pernambucano era esperar o momento certo de mais uma investida rápida.
A tônica dos primeiros 48 minutos foi repetida no segundo tempo. O Tricolor também teve as suas chances de ampliar. Titulares absolutos, Keno, João Paulo e depois Uillian Correia foram acionados. Com a entrada do trio, o Tricolor fez de tudo para segurar o resultado e levar a vantagem mínima ao Arruda, numa mostra clara que anseia mesmo avançar de fase. Contudo, sofreu o golpe aos 43. Luan empatou num lance de azar de Tiago Cardoso e tornou a partida eletrizante até o apito final. O Santa volta agora atenções para o Brasileiro e vai enfrentar o América-MG no domingo, em Belo Horizonte. Na próxima quarta-feira, reencontra o Cruzmaltino no Recife e decide o seu futuro na Copa do Brasil (e Sul-Americana).

FICHA DO JOGO

VASCO DA GAMA: Martín Silva; Madson (Yago Pikachu), Luan, Rodrigo e Júlio César; Marcelo Mattos, Henrique (Caio Monteiro), Andrezinho e Nenê; Leandrão (Thalles) e Jorge Henrique. Técnico: Jorginho.

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Vitor, Neris, Wellington e Tiago Costa; Wellington Cézar (Uillian Correia), Derley, Leandrinho (Keno), Marcílio e Lelê (João Paulo); Bruno Moraes. Técnico: Milton Mendes.

Estádio: São Januário (Rio de Janeiro-RJ). Árbitro: Joélson Nazareno Ferreira Cardoso (PA). Assistentes: Hélcio Araújo Neves (PA) e Luiz Antônio Barbosa (MG). Gols: Bruno Moraes (2’ do 1T, Santa) e Luan (43' do 2T, Vasco). Cartões amarelos: Jorge Henrique, Madson, Júlio César (Vasco); Derley e Tiago Costa (Santa Cruz).

Fonte: Diario de Pernambuco, Recife, 13/7/2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

O que diz a revista Placar


Ramon, artilheiro do Brasileirão de 1976

O QUE DIZ A REVISTA PLACAR

Clóvis Campêlo

No mês de junho próximo passado, a Placar fez uma edição especial da revista enfocando as equipes que estão a disputar, no presente ano, o Campeonato Brasileiro da Série A. O Santa Cruz, por estar de volta à elite do futebol brasileiro depois de dez anos de ausência, foi um dos times enfocados. São quatro páginas dedicadas ao nosso clube, assim como a todos os outros participantes, abordando assuntos que vão desde o momento atual e ao atual elenco, como dados estatísticos sobre as nossas participações em anos anteriores.
Na primeira página, uma abordagem positiva, mostrando a ascensão do time sob o comando de Milton Mendes, até as conquistas da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano de 2016. A revista mostra a vitória sobre o campeãp baiano, na primeira rodada, finaliza o texto afirmando que o “novo Santa Cruz poderá ser a grande surprea do Brasileirão 2016”. Diz ainda que hoje nós temos apenas 10.794 sócios confirmados e contrariando a afirmativa anterior nos coloca na condição de meros figurantes.
Na segunda página, mostra o esquema 4-2-3-1 como o preferido do “estudioso” treinador Milton Mendes, coloca o ataque como o ponto forte da equipe, e, curiosamente, para nós torcedores e admiradores do seu futebol, coloca o arqueiro Tiago Cardoso como o ponto fraco da equipe. Afirma: “é experiente, tem 32 anos, e é titular do santa Cruz desde 2011. Mas ainda não passa total confiança à equipe, principalmente para um campeonato tão exigente”.
Na terceira página, as fichas de alguns jogadores do elenco coral, inclusive de alguns que hoje, depois de algumas rodadas, já não se encontram mais no clube. Na verdade, durante as rodadas iniciais do Brasileirão 2016, houve uma rotatividade muito grande no nosso plantel, modificando substancialmente as características da equipe.
Finalmente, na quarta página, são colocados pela revista dados estatísticos e históricos mostrando ao longo dos anos as nossas participações na Série A, e até mesmo as passagens pelas Séries B, C e D, quando chegamos ao fundo poço do nosso futebol, e iniciamos uma recuperação inesquecível e brilhante.
Na matéria, por exemplo, descubro que Evaristo de Macedo foi o treinador que mais nos comandou e que mais disputou Brasileiros da Série A, com 78 jogos em quatro edições, nos anos de 1972, 1977, 1978 e 1979. Do mesmo modo, nos mesmos períodos, foi o técnico com um maior índice de aproveitamento, com 53,4% dos pontos disputados. Tomo conhecimento, ainda, de que Givanildo foi quem mais jogous na Série A vestindo a nossa camisa, entre 1971 e 1979, com 177 jogos disputados. Fico ainda sabendo, que Gilberto, em 1975, foi o nosso goleiro que ostentou a maior invencibilidade, passando 376 minutos sem tomar gols.
No que tange aos atacantes, Nunes, o Cabelo de Fogo, foi quem mais marcou gols para as nossa cores, com 43 gols marcados entre 1975-1978. Do mesmo modo, em 1973, o jovem Ramon foi o artilheiro do Brasileirão daquele ano, fazendo 21 gols naquela edição. O nosso ataque teve a melhor média em 1981, com 1,87. Ou seja: 28 gols marcados em 15 jogos. Nosso pior desempenho no ataque, aconteceu em 1987, com apenas 10 gols marcados em 15 jogos, estabelecendo a pequena média de 0,67.
Nesse momento de retorno à elite do futebol brasileiro, recordar estes dados e números históricos, além de interessante torna-se necessário para o entendimento e a reinvenção do futebol coral, entendendo que a manutenção do Santa Cruz nesse patamar é uma questão de justiça a um dos maiores clubes de massa do futebol brasileiro.
Que a nossa direção tenha a compreensão disso e a capacidade de optar pelas decisões administrativas e econômicas mais adequadas ao momento que estamos vivendo.

Fonte: Revista Placar nº 1415-A, junho de 2016