quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Uma volta por cima com estilo


UMA VOLTA POR CIMA COM ESTILO

Marcelo Martelotte. O nome que já estava escrito na história do Santa Cruz foi gravado com tintas pretas, brancas e vermelhas ainda mais fortes. E inéditas. Em 1993, como goleiro, levou o tricolor ao título Estadual em uma final épica contra o Náutico no Arruda. Duas décadas depois, agora como técnico, foi o grande comandante do acesso coral para a Série A do Campeonato Brasileiro. Uma prova de que, seja com as mãos ou com a cabeça, ele tem seu lugar cativo na galeria de memórias do clube. Foi o primeiro acesso conquistado na sua curta carreira de treinador, que já contabilizava o título do Pernambucano de 2013 pelo próprio Santa.
Hoje (ontem) foi a concretização de um trabalho que veio evoluindo ao longo do campeonato. Sabíamos que seria difícil esse último jogo, pelo emocional. Mas conseguimos. O campeonato é muito longo e fomos crescendo até chegarmos neste momento, quando conquistamos a quinta vitória seguida”, afirmou Marcelo, consciente do feito histórico, para ele e para o clube.
No entanto, para hoje fazer sorrir a torcida tricolor, ele teve de superar a desconfiança da mesma para quem tanto deu alegrias. Assim que foi anunciado como novo treinador do clube no dia 13 de junho deste ano no lugar de Ricardinho foi reavivado um sentimento de mágoa. Ela se originou logo após a citada conquista do Estadual de 2013, quando Martelotte trocou o time pelo grande rival Sport.
Coração ferido que logo foi acalentado. Ciente da desconfiança, o técnico sabia que teria de fazer algo novo. E foi justamente isso que fez. Conferiu ao time que estava cambaleando e sem cara um novo padrão tático bem mais ofensivo. Agressivo com três atacantes, o time passou a bater os adversários e nocautear os anteriores modestos prognósticos. Tamanha gana e garra não poderiam render outra coisa senão o antes sonhado e agora merecido acesso.
A guinada do Santa Cruz sob o comando de Martelotte foi surpreendente. O time subiu em produção, em confiança e consequentemente na tabela de classificação. Em 22 rodadas, saltou da 18ª para a 3ª colocação. O treinador pensou alto e levou o Santinha para o alto.
Até quando o reatado relacionamento do clube com Martelotte vai durar não se sabe. Se vão haver novas mágoas também não. O que parece importar para ambos é que no momento os corações novamente estão em festa nas Repúblicas Independentes do Arruda.

Fonte: Jornal do Commercio, Recife, 22/11/2015

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