domingo, 20 de dezembro de 2015

Sebastião Virada: a estrela negra tricolor



SEBASTIÃO VIRADA: A ESTRELA NEGRA TRICOLOR

Sebastião Luiz de França, o Sebastião Virada, nasceu na cidade dos Palmares, em 03/9/1901. Era zagueiro, jogando na posição que antigamente se denominava de centro-médio. Como jogador, defendeu o Íris, o Santa Cruz em dois períodos (1925-30 e 1932-34) e o Encruzilhada (1930-32). Com a camisa coral, foi bicampeão pernambucano em 1932 e 1933.
Pela seleção pernambucana, Sebastião disputou os campeonatos brasileiros de 1929, 31 e 34, participando de quatro vitórias e três derrotas. Por Pernambuco, teve ainda a missão de marcar Artur Friedereinch, primeiro grande craque da história do futebol brasileiro e o jogador mais difícil que enfrentou, segundo o próprio Sebastião.
Exímio roubador de bolas, era considerado, às vezes, um jogador viril. Porém, era preciso na defesa, apesar da baixa estatura. Além disso, usava a inteligência na hora de distribuir "o jogo".
Segundo informação obtida através do pesquisador Carlos Celso Cordeiro, estreou pelo Santa Cruz no dia 07 de junho de 1925, em jogo contra o América, pelo Campeonato Pernambucano daquele ano, no campo da Avenida Malaquias. Placar: Santa Cruz 3 x 3 América.
Curiosidade: a bola do jogo Santa Cruz 7 x 0 Sport, ocorrido em 15 de abril de 1934, foi guardada e posteriormente doada por Sebastião Virada à sala de troféus do Mais Querido.
Em 1929, o centro-médio coral chegou a ser cogitado para a Seleção Brasileira e para uma excursão do Vasco da Gama. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD) ameaçou convocar jogadores da Bahia e Pernambucano depois que os paulistas reivindicaram uma ajuda de custo para atuar na Seleção. Virada teve o seu nome lembrado. No fim, paulistas e confederação entraram em acordo. No mesmo ano, o zagueiro deixou de viajar à Europa com o Vasco devido à precariedade de tempo na obtenção dos documentos necessários. Antes da viagem, os vascaínos treinaram no Recife e bateram o Santa, de Sebastião, por 3 x 1. Um dirigente carioca o procurou, mas o período de permanência do navio no Recife era curto demais.
No início da década de 1970, Sebastião Virada passava por uma situação difícil: sem parentes, dinheiro, lugar para morar e no anonimato. Mas, perto do ídolo completar 70 anos de idade, o Santa Cruz aparece de novo na vida dele, oferecendo-lhe o Estádio do Arruda, ainda em obras, como moradia. O seu quarto ficava abaixo das sociais e bastava abrir a porta para assistir a qualquer partida que estivesse acontecendo. O clube ainda pagava uma ajuda de custos semanalmente ao ex-jogador.

Fonte: Blog Ídolos do Santa, de Marcos Velloso

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