segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Meu gol inesquecível


Fotografia de Peu Ricardo

MEU GOL INESQUECÍVEL

Artur Morais

O protagonista da quinta reportagem da série “Meu gol inesquecível” é um predestinado. No dia 3 de novembro de 2013, o Santa Cruz disputava o jogo da volta das quartas de final da Série C, contra o Betim, de Minas Gerais, diante de um Arruda lotado na expectativa de sair do calvário após seis anos. O atacante Flávio Caça-Rato saiu do banco de reservas para, nos minutos finais da partida, marcar o gol histórico que carimbou o passaporte Tricolor para disputa da Série B de 2014.
Mais de 60 mil pessoas presentes no José do Rêgo Maciel para acompanhar o confronto, válido pelas quartas de final, mas que valia mais que o título: o vencedor garantia vaga na Segundona. Para quem chegou ao fundo do poço como os tricolores, o duelo era “decisão de Copa do Mundo”. Na partida de ida, o Tricolor saiu em vantagem. Venceu os mineiros por 1×0 em Nova Serrana/MG, uma semana antes, gol marcado por Tiago Costa, aos 15 minutos do primeiro tempo .
No duelo da volta, o Betim precisava da vitória a todo custo para garantir o acesso. A necessidade do triunfo fez os mineiros tomarem a iniciativa do jogo. “Como eles não tinham nada a perder e precisavam do resultado mais que nós, partiram para cima e buscavam criar mais jogadas de ataque. Nós tentamos marcar um gol logo para esfriar o ímpeto deles”, relata o ex-CR7 coral.
O Santa Cruz abriu o placar aos 12 minutos da etapa final com André Dias, em cobrança de falta, e, oito minutos depois, o Betim empatou com Max. O gol que igualou o placar momentos antes de Caça-Rato entrar na vaga de Siloé.
Com a igualdade no marcador, o Betim voltou a precisar de apenas um gol para subir de divisão. A tensão no Arruda era dominante. Mas aos 42 minutos do segundo tempo o Santa Cruz botou por terra as esperanças mineiras. “Dedé puxou pela direita, André Dias vinha por dentro e eu (Caça-Rato) pela esquerda. Dedé cruzou e a bola passou por André Dias. O goleiro (Felipe Sanchez) não conseguiu cortar e a bola ainda passou por cima do lateral-direito deles. Fiquei com a sobra e acertei um peixinho no cantinho direito”, descreveu Caça.
O atacante disse que lembranças de todo o calvário passaram durante a comemoração do gol histórico. “Passou um filme na minha cabeça de tudo que o Santa Cruz passou. Todo esse tempo entre as Séries C e D, e por ter entrado na história do Tricolor”. A emoção era imensa, sobretudo pela pressão enfrentada pelos tricolores. “Tínhamos consciência de que não podíamos falhar e decepcionar a torcida”. Na comemoração do acesso, a sensação de alívio predominou. “Após aquela partida, o sentimento de dever cumprido foi bem intenso. Afinal, tínhamos tirado um peso das costas por ter colocado o Santa de volta à Série B”.
Ele sublinhou ainda que os dois principais protagonistas do acesso foram a torcida e o elenco. “Não tem o que falar da torcida. Eles são apaixonados demais pelo time e sempre nos ajudaram quando precisamos, sobretudo nos piores momentos”, ressaltou. “O grupo todo foi de fundamental importância por ter conseguido aquele êxito. Afinal, eles deram tudo de si e honraram a camisa do Santa”.

DEPOIS DO ACESSO

Após 2013, Caça-Rato seguiu no Tricolor em 2014. Em janeiro de 2015, foi contratado pelo Remo/PA, mas saiu dois meses depois e passou o ano desempregado. Em dezembro de 2015, foi para o Guarani, onde atuará em 2016.

Fonte: Blog de Primeira, Folha de PE, Recife, 27/12/2015

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