terça-feira, 1 de dezembro de 2015

E a minha cobra subiu...


E A MINHA COBRA SUBIU...

Clóvis Campêlo

Amigos corais, nesses dez anos em que o nosso querido Santinha caiu nas profundezas das águas turvas do nosso futebol, até o seu retorno à elite do futebol brasileiro, superação foi a palavra-chave. Entre os três grandes do futebol pernambucano, o chamado trio de ferro, apenas nós, tricolores, experimentamos o dissabor de disputar a Série D do futebol brasileiro.
Pagamos caro por anos de administrações catastróficas e amadorísticas. Até que um dia chegou ao Arruda o senador Fernando Bezerra Coelho. Mesmo dentro de um projeto eleitoreiro, e contando com as benesses do cargo político que então ocupava, fez uma reformulação administrativa geral nas Repúblicas Independentes do Arruda. O seu grande mérito, na verdade, foi afastar os oportunistas que então ocupavam espaços vitais dentro do nosso clube e abrir caminho para uma reestruturação que pode nos permitir a conquistas de novos e importantes títulos e o retorno gradativo à nata do futebol brasileiro, de onde nunca deveríamos ter saído.
Um clube como o Santa Cruz, dono de uma torcida fiel e poderosa, um dos maiores clubes de massa do futebol brasileiro, não poderia nunca ter experimentado os dissabores pelos quais passamos. Chegamos a disputar uma competição quase sem nenhuma estrutura profissional, com a famigerada Série D, competindo com clubes sem a nossa tradição e sem a nossa envergadura, expondo-nos a situações vexatórias onde só tínhamos a perder.
E, se com Fernando Bezerra Coelho não chegamos a ganhar títulos e recuperar o prestígio perdido, o seu trabalho abriu caminhos para conquistas importantes e gloriosas, sob a batuta de Antônio Luiz Neto e Alírio Moraes. De 2011 para cá, conquistamos o título de campeões brasileiros da Série C e quatro títulos estaduais, dos cinco disputados. E ainda nos demos ao luxo de perder, dentro do Arruda, a disputa pelo título da Série D, em 2011, para o pequeníssimo Tupi, de Minas Gerais. Aquela perda do que significaria a conquista do nosso primeiro título nacional, foi marcante mas educativa. Permitiu-nos maiores correções no nosso rumo de volta à Primeira Divisão nacional. E esse redirecionamento deu certo.
Para o ano, estaremos na Série A ao lado dos grandes clubes do futebol brasileiro, retornando à posição de destaque que ocupávamos nos anos 70, quando montamos grandes equipes e impressionamos o Brasil com vitórias significativas, dentro e fora de casa.
Embora ainda existam situações incômodas a serem corrigidas dentro do clube, como o atraso salarial dos funcionários da parte administrativa, confiamos na perspicácia do nosso presidente, que, no começo da sua gestão, chegou a ser chamado de Delírio Moraes, por conta dos seus projetos aparentemente mirabolantes.
Na prática, porém, ele nos mostrou que pensava grande, do tamanho do nosso clube, e que, com os pés no chão, todos os projetos poderiam ser viáveis.
No ano que vem, teremos novos desafios a serem vencidos. Com a convicção do nosso potencial atual, sigamos em frente em busca de outras vitórias.
Afinal, superação continua a ser a nossa palavra-chave.

Recife, dezembro 2015

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