domingo, 1 de novembro de 2015

Birigui


BIRIGUI

Quem poderia imaginar que a derrota para o Bahia por 5x0, na Fonte Nova, do Brasileiro de 81 e que custou a eliminação do Santa, traria algo de bom? O goleiro desse jogo foi o experiente Wendell. Após essa fatídica partida em abril, sua permanência estava próxima do fim. Neste interem, o Guarani, de Campinas, propôs a troca de Birigüi, goleiro do clube campineiro, por Wendell. Começava ali, pouco depois da vergonhosa eliminação de 81, uma história de amor entre o ídolo e a massa coral.
Logo ao chegar no Recife, Birigüi teve de enfrentar uma feroz concorrência pela camisa 1 com Luís Neto. Essa disputa se notabilizaria como uma das melhores e mais leais, até hoje lembrada. Ao contrário do aconselhável, a constante troca não influenciava no rendimento deles, pois quando um se contundia, o outro não largava a posição. A idolatria dos tricolores era tanta, que, em época de renovação de contrato, a torcida pressionava a diretoria para que os dois ficassem no clube. Dessa forma, Birigüi e Luís Neto se revezaram na posição durante quase dez anos.
O primeiro título vestindo o manto coral veio em 83, o tri-super. Mas, nesse campeonato, Luís Neto era o dono da camisa 1. Inclusive consagrando-se como herói do título com a defesa de um pênalti na dramática decisão contra o Náutico. Birigüi se consolidou no time titular, se é que é possível dizer isso, a partir de 85. Os milagres viriam a acontecer no bicampeonato (86/87).
No campeonato de 86, o Santa havia ganhado o 1° Turno, perdido o 2° para o Sport numa goleada de 5x0, que culminou na demissão de Waldemar Carabina (Moisés o substituiu) e decidiu o 3° contra o Central, em Caruaru. O jogo terminou 1x1, e, na decisão por pênaltis, Birigüi pegou o chute de Jorge Vinícius, dando a vantagem para o tricolor na final. A decisão foi em jogo único, na Ilha do Retiro. O Sport tinha Henágio e Luís Carlos, que, no fim das contas, era pouco para atravessar a muralha chamada Birigüi. Ele segurou o 0x0, numa Ilha invadida pelos tricolores. De acordo com Chico Carlos, jornalista do jornal Tablóide Esportivo, “o jogo foi dramático e emocionante, com um herói contagiando todos. Seu nome: Birigüi. Ele foi um caso à parte. Os adjetivos para sua exibição não caberiam neste comentário”. Nesse campeonato, ele foi titular em 16 partidas (Luís Neto nas outras 13).
No ano seguinte, novamente o Sport, jogando em casa, não conseguiu bater o Santa de Birigüi. O rubro-negro possuía um time melhor no papel com Éder, Robertinho, Ribamar e Leão (técnico e goleiro), embora o Santa tivesse faturado dois turnos e chegava com a vantagem do empate. O tricolor era comandado pelo jovem Abel Braga, 34 anos na época, que viria a conquistar seu primeiro título como treinador naquele ano. De novo o goleiro do Santinha foi peça-chave para conseguir o empate (1x1) e consequentemente o bicampeonato. A imprensa o destacou também por ser um dos mais alegres pela conquista, dedicando o título à torcida. Àquela altura, a Seleção Brasileira era uma pretensão – que acabou não se concretizando.
Após o campeonato pernambucano de 88, Birigüi foi jogar em Portugal, não sem antes de ter sido eleito algumas vezes goleiro do Fantástico ao longo dos Brasileirões que disputou pelo Santa Cruz. Quem o viu atuar não hesita em chamá-lo por São Birigüi. É um desses casos raros de fidelidade a um clube e identificação com a torcida, comparável talvez ao que é hoje Rogério Ceni no São Paulo.

Fonte: Blog Os Grandes Ídolos do Santa Cruz

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