domingo, 18 de outubro de 2015

Santa Cruz 1 x 3 Náutico


SANTA CRUZ 1 x 3 NÁUTICO

William Tavares

O Santa Cruz jogava em casa, vinha com a alcunha de melhor mandante da Série B do Campeonato Brasileiro e estava mais bem colocado na tabela de classificação. Era o favorito. O Náutico, pior visitante da Segundona, entrava sob a desconfiança de um time que não vivia sua melhor fase. Mas tudo isso ficou no papel. Em campo, foi o Timbu quem se impôs no Arruda. Na base dos contra-ataques e com um Hiltinho em noite atípica de artilheiro, a equipe alvirrubra venceu o Santa por 3×1. O sonho do acesso ainda existe para ambos os clubes, mas quem saiu com esperança renovada neste sábado foi o Náutico.
No duelo dos mistérios, foi o Náutico quem saiu na frente no Clássico das Emoções. Enquanto o Santa manteve o esperado time titular, com Bruno Moraes na vaga de Grafite, o Timbu surpreendeu. Dakson e Jefferson Nem treinaram entre os titulares durante a semana, mas foi Fillipe Soutto e Daniel Morais os nomes que começaram jogando.
Embora houvesse ansiedade na construção das jogadas, os dois times iniciaram partindo com propostas ofensivas. O Santa foi quem chegou com mais perigo. Primeiro em um chute de fora da área de Renatinho, espalmado por Júlio César. Depois foi Allan Vieira quem passou livre pela esquerda e cruzou forte. Luisinho esticou a perna, mas a bola foi para fora. No Náutico, as investidas eram pelo lado direito, com Hiltinho. Sobrava velocidade, faltava capricho.
Mais organizado na partida, o Santa foi se soltando aos poucos. Principalmente quando Lelê e João Paulo passaram a participar mais do jogo. Aos 29, Allan tentou o cruzamento, a bola resvalou na mão de Ronaldo Alves e o árbitro Leandro Vuaden marcou a penalidade. O substituto de Grafite, Bruno Moraes, chamou a responsabilidade e pediu a bola. Na cobrança, sobrou tranquilidade para abrir o placar no Arruda.
O Santa estava melhor no jogo, mas clássico, como diz o velho jargão do futebol, é “decidido nos detalhes”. Bastou um vacilo na marcação coral para o Timbu mostrar que estava vivo na partida. Valeu o esforço de Daniel Morais como pivô, que brigou pela bola e deixou para Gaston Filgueira entrar livre na esquerda e, de forma consciente, encontrar Bergson na área para empatar o jogo. Depois do gol, houve um tumulto generalizado entre os torcedores do Náutico, precisando da intervenção da Polícia Militar.
Lembra da citação anterior sobre Hiltinho? Da que faltava capricho na hora de concluir as jogadas? Pois bem, bastou o primeiro minuto do segundo tempo para o meia fazer o torcedor alvirrubro esquecer os erros de outrora. Em um vacilo colossal da zaga do Santa, o Náutico armou um contra-ataque letal. Hiltinho teve tempo de avançar, limpar a marcação e, apesar da conclusão não ser das melhores, conseguiu empurrar a bola para o fundo do gol.
A partir daí, o Santa Cruz perdeu totalmente o controle da partida. Sobravam espaços para o Náutico armar os contra-ataques. Em um deles, Fillipe Soutto lançou na medida para Hiltinho. O meia teve tempo de dominar, cortar o zagueiro e tocar de leve para o gol. A bola ainda tocou na trave antes de entrar. Dois cortes, dois chutes e dois gols: a noite era de Hiltinho.
Lançamentos errados, chutes sem direção e uma chuva de erros que irritavam os tricolores. O nervosismo parecia enraizado nos atletas corais, aumentando a cada passar de minuto no cronômetro. O Tricolor só melhorou um pouco mais com a entrada de Aquino. Aos 27, o artilheiro coral na Série B acertou uma pancada que explodiu no travessão. Mas nada que mudasse a história da partida. Assim como no 1º turno, o dono do Clássico das Emoções vestiu vermelho e branco.

FICHA DO JOGO

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Vítor, Danny Morais, Alemão e Allan Vieira (Marlon); Wellington Cézar, João Paulo, Renatinho (Raniel) e Lelê; Luisinho (Anderson Aquino) e Bruno Moraes. Técnico: Marcelo Martelotte.

NÁUTICO: Julio Cesar; Niel, Ronaldo Alves, Fabiano Eller e Gaston; João Ananias, Caucaia e Soutto; Hiltinho (Jefferson Nem), Bergson (Gil Mineiro) e D. Morais (Marino). Técnico: Gilmar dal Pozzo.

Local: Arruda (Recife/PE). Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS). Assistentes: Marcelo Bertanha Barison e Carlos Henrique Selbach (ambos do RS). Gols: Bruno Moraes (aos 30 do 1ºT), Bergson (aos 39 do 1ºT) e Hiltinho (ao 1 do 2º T e aos 10 do 2º T). Cartões amarelos: Luisinho, Wellington, João Paulo (S); João Ananias, Bergson e Jefferson Nem (N).

Fonte: Folha de PE, Blog de Primeira, Recife, 17/10/2015

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