segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Caça-Rato busca nova chance no futebol


CAÇA-RATO BUSCA NOVA CHANCE NO FUTEBOL

William Tavares

Em casa, brincando com o filho mais novo ou ensaiando passos de dança com o mais velho, Flávio Augusto do Nascimento vai passando seus dias. Rotina que já dura cinco meses. Pelada no fim de semana? Ele não gosta. Assistir aos jogos pela televisão também não está entre seus passatempos prediletos. Para manter a forma física, idas diárias para a academia, mas, como o próprio diz, “sem deixar de comer de tudo”. Uma vida relativamente pacata para um pai de família de 29 anos. Um cenário completamente oposto aos dias em que os pedidos de entrevistas se multiplicavam. O ofício principal era o de jogador de futebol, mas era comum vê-lo em campanhas publicitárias e clipes musicais. Em campo, o jeito extrovertido conquistou a torcida do Santa Cruz, clube onde se consagrou com gols que ajudaram em um acesso e um título nacional. Entre o passado de relativo sucesso e o presente nostálgico, Flávio Caça-rato tenta uma nova chance no futebol. Sem clube desde o início de abril, quando deixou o Remo, o atacante luta para que a angústia do ostracismo não supere a esperança de ter seu nome novamente gritado a plenos pulmões por milhares de torcedores.
Autor do gol do acesso e do título do Santa Cruz na Série C 2013, Caça-rato iniciou o ano de 2014 com previsões otimistas. Assinar com algum clube do eixo Sul-Sudeste ou sair do País. Seu destino, contudo, não seguiu nenhum desses caminhos. O atleta foi parar no Remo. Uma decisão que faria ele se arrepender no futuro.
“Zé Teodoro estava treinando o time lá e o projeto que me apresentaram foi bom. Cheguei e a torcida fez muita festa. A diretoria me prometeu mil coisas, mas no primeiro mês só me pagaram 30%. Chegou o segundo mês e disseram que não tinham mais dinheiro. Se você não ganha o salário, não consegue trabalhar de cabeça boa. Isso é em qualquer profissão. Quem diz que consegue render bem dentro de campo assim, está mentindo. Tinha gente lá que estava passando por necessidade e, no meu caso, minha esposa estava grávida do meu segundo filho”, afirmou o atacante, que chegou a ser despejado do hotel por falta de pagamento do clube.
“O engraçado é que, quando cheguei, o presidente disse ‘só quero que você faça um gol no Paysandu’. Como é que ele fala isso? O Paysandu na Série B e o Remo nem divisão tinha. A preocupação do time devia ser o acesso e não o rival. Depois disso preferi conversar e ir embora”. Em sete jogos, o atacante marcou apenas um gol.
Junto com a esposa, Daiana dos Santos, e os filhos, Flávio Augusto (4 anos) e Fabrício (4 meses), Caça busca no bom humor a fonte para não deixar que a má fase se perpetue por mais tempo. “Jogador tem momento bom e ruim. Não posso só pensar que vou ter alegrias. O lado bom disso (ficar sem jogar) é que pude ver o nascimento do meu filho mais novo. Mas está bom já, né? Chegou a hora de trabalhar. Bateu a saudade de jogar bola”, brincou.
Segundo Caça, os cinco meses parados não foram por falta de convites. “Recebi algumas sondagens, mas depois do que houve no Remo eu vi que não posso aceitar qualquer proposta. Também sofri uma vez quando fui para Croácia, porque o empresário que me levou para lá fez um negócio por fora que eu não sabia e eu fiquei um ano sem poder jogar. Coisas assim te deixam com medo. Meu atual empresário (Gilson Medeiros) já disse que apareceram algumas propostas e ainda nesse mês devo acertar com algum clube”, profetizou.
E o Santa Cruz? Com uma história marcante pelo Tricolor, Caça contou que não se arrepende de ter deixado o clube, mas não fechou as portas para que no futuro possa vestir a camisa coral mais uma vez.
“Muita gente me pergunta o motivo da minha saída do Santa. Graças a Deus fiz uma história bonita lá, mas não queria ficar marcado só como jogador do Santa Cruz. Queria jogar no Campeonato Carioca, no Paulista, não ficar conhecido somente aqui. Não vou mentir: no Santa, eu ganhei mais fama. A realidade do clube sempre foi complicada. Se eu tivesse recebido o dinheiro da fama que conquistei aqui nesse tempo, eu estava milionário. Gosto do Santa e quero voltar um dia, mas não agora. O meu maior arrependimento foi não ter conseguido ir para a Arábia Saudita. Recebi uma proposta boa financeiramente no começo do ano, mas meu passaporte estava vencido e não pude acertar minha saída. Mas onde uma porta se fecha, outra se abre. Tudo acontece na hora certa. Se hoje não estou jogando, é porque não surgiu a hora certa. Em breve vou voltar a fazer o que gosto, marcando gols e animando a galera”.

SELEÇÃO

Segundo Caça, caso ele estivesse jogando em algum clube no eixo Sul-Sudeste durante sua boa fase em 2013, não seria impossível sonhar com Seleção Brasileira. “Acho que podia ser convocado para algum amistoso. A pressão pelo meu nome seria ainda maior”, contou.

Fonte: Folha de PE, Blog de Primeira, Recife, 13/9/2015

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