segunda-feira, 7 de setembro de 2015

As explicações


AS EXPLICAÇÕES

Paulo Henrique Tavares

Uma certa dificuldade dos atletas ofensivos do Santa Cruz ficou explicitada em meio as “respostas-padrão” nas entrevistas dadas durante as últimas semana. Foi assim com o atacante Anderson Aquino e também com o meia Lelê. Ambos destacaram problemas em desempenhar a função tática pedida pelo técnico Marcelo Martelotte. A questão é que o comandante coral costuma armar a equipe com jogadores abertos pelas pontas, com a obrigação de acompanhar os laterais adversários. Nada incomum, já que essa opção tem sido a opção preferida da grande maioria dos treinadores pelo Brasil. Mas o fato tem servido para justificar os poucos gols anotados pelos dois jogadores.
“Em alguns lances da partida essa função pesa um pouco e, como atacantes, precisamos ter força para chegar lá na frente e definir. Eu estou há alguns jogos sem fazer gols, mas o foco é ajudar a equipe mesmo. Se não der para fazer gol, tem que ajudar com assistências”, disse Lelê. O jogador, que não atuou contra o ABC, por conta de uma lesão, passou por um intervalo de oito jogos sem balançar as redes. O jejum acabou apenas na 21ª rodada da Série B diante do Paraná Clube, na derrota por 3×2.
Brigando pela artilharia da competição, ao lado de Zé Carlos, do CRB (11 gols), Anderson Aquino continua sua seca de gols. Seu último tento foi anotado diante do Mogi Mirim, de pênalti, pela 18ª rodada da Série B. “Está sendo um pouco complicado pra mim. Por que são duas funções diferentes. Segundo atacante tem de acompanhar os laterais, e isso desgasta um pouco. Estou sendo exigido por uma função tática diferente das minhas características. E estou tendo um pouco de dificuldade nisso. Mas já sinto uma evolução, e estou fazendo o máximo para me adaptar. De qualquer forma está sendo importante pra mim”, disse o jogador.
Apesar da dificuldade, gols não têm sido o problema do Santa Cruz na Série B. A equipe tem o segundo melhor ataque da competição, com 32 gols anotados (ao lado de Vitória, Bahia e Sampaio Corrêa). O Botafogo ostenta o número mais positivo: 35. Mesmo assim, a situação curiosa dos atletas foi até discutida, nos vestiários. “A gente não tem tanta característica de marcação, mas nossa função exige isso, dentro do esquema de Martelotte. Às vezes até brinco com o (Anderson) Aquino, para ele jogar mais aberto e marcar o lateral dele. Todo mundo tem que ajudar na marcação no esquema, sempre visando vencer”, destacou Lelê.

REFERÊNCIA – O atacante Grafite fez questão de rechaçar a ideia de que ele é um jogador de pouca movimentação no comando de ataque. “Sempre foi uma característica minha ser um jogador que se movimenta muito. Não gosto de ficar parado esperando a bola chegar e, pela bagagem que a gente tem e pelo conhecimento que os jogadores têm sobre minha pessoa, se eu ficar parado dentro da área facilita para os marcadores”, explicou.


Fonte: Folha de PE, Blog de Primeira, Recife, 06/9/2015

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