domingo, 9 de agosto de 2015

Santa Cruz 1 x 0 Botafogo-RJ


Fotografia de Peu Ricardo / Folha PE

SANTA CRUZ 1 x 0 BOTAFOGO-RJ

Rômulo Alcoforado

Quando Grafite se despediu do Arruda, 13 anos atrás, o estádio estava lotado para a semifinal da Série B de 2002. Diante do Criciúma, porém, a força da torcida não adiantou. O Santa Cruz perdeu, foi derrotado também na volta, acabou eliminado da competição e deu adeus ao sonho do acesso. Neste sábado, o atacante entrou em campo disposto a corrigir esse erro histórico. Conseguiu. No reencontro com a massa coral, casa novamente cheia (mais de 44 mil), o Camisa 23 decidiu, marcou o gol da vitória sobre o Botafogo/RJ e justificou a idolatria dos corais. A festa, programada com tanta antecedência pela diretoria, foi completa. Fora e dentro de campo. Antes e depois do duelo. 1 x 0 para o Santa, gol do artilheiro. Explosão de alegria nas arquibancadas.
Com o resultado, o Santa pulou da 12ª para a 8ª posição da Série B. Fica a cinco pontos de distância do G4, o grupo dos quatro mais bem classificados – que se classificam para a Primeira Divisão de 2016. O próximo jogo do time é terça-feira, 19h. A ocasião é boa para se aproximar ainda mais da ponta: dentro de casa, diante do Mogi Mirim/SP, vice-lanterna do torneio.
O Tricolor começou o jogo mais aceso do que inspirado. Motivado pela forte presença da torcida, o time de Martelotte se dedicou, fechou espaços, tentou marcar o adversário em seu campo de defesa. No primeiro lance de jogo, a dúvida: Grafite recebeu de costas, se enrolou com a bola e tropeçou. Não parecia que seria seu dia – o que mais tarde se provou falso. Mas, até marcar o gol, não estava bem. Sentia a falta de ritmo de jogo e de melhor condicionamento, embora demonstrasse – quando podia – a qualidade técnica superior que tem. O chapéu no zagueiro do Botafogo, seguido de passe de trivela, aos 13, provou isso.
Aos poucos, o Santa chegava. Teve três chances. Na primeira, aos três, Danny Morais cabeceou para fora. Na segunda, aos 11, Anderson Aquino pegou mal na bola. Na terceira, aos 13, Lelê teve boa condição de chutar, mas bateu fraquinho. Jefferson segurou com facilidade. O Botafogo, com três atacantes, tentou adiantar a marcação e causou alguma dificuldade na saída de bola tricolor. A melhor oportunidade da etapa, porém, foi coral: aos 37, Bileu apareceu como homem surpresa na área do Botafogo, chutou forte e só não comemorou porque o Camisa Um do Fogão fez milagre e demonstrou porque é titular da Seleção Brasileira.
Na volta para o segundo tempo, de modo até certo ponto surpreendente, Martelotte não mexeu. Esperava-se que Grafite não jogasse mais do que 45 minutos. A ousadia do comandante se provou acertada. Com cinco minutos de jogo, João Paulo cruzou da direita para o segundo pau. O ídolo se posicionou bem, atrás do zagueiro, que não alcançou. Sozinho, o centroavante testou firme e fez as arquibancadas do Arruda explodirem. Grafite voltou. E voltou decidindo. Um a zero, Tricolor na frente do time mais tradicional da Série B.
À frente no placar, o Santa não precisava mais perseguir o gol com tanta dedicação. Bastava esperar o adversário e dar o bote fatal. Até para dar mais estrutura a essa estratégia, Martelotte colocou jogadores mais descansados. Aos 25, por exemplo, Grafite foi substituído – muito aplaudido – por Luisinho. Também sacou Lúcio e pôs Marlon. E, por último, trocou Vitor por Moradei e mandou Bileu para a lateral-direita.
Ricardo Gomes, do Botafogo, fez o movimento contrário. Começou a colocar atacantes e meias em campo. Sassá, ex-Náutico, entrou, Lulinha e Daniel Carvalho também. A Cobra Coral, porém, conseguiu segurar o ímpeto adversário. Só correu um risco real, aos 37, quando permitiu que o centroavante Navarro cabeceasse sozinho na pequena área. Mas o jogador carioca não conseguiu empatar o jogo. A vitória, a festa e a alegria foram corais.

FICHA DO JOGO

SANTA CRUZ: Tiago Cardoso; Vitor (Moradei), Danny Morais, Neris e Marlon (Lúcio); Wellington Cezar, Bileu, Lelê, João Paulo e Anderson Aquino; Grafite (Luisinho). Técnico: Marcelo Martelotte.

BOTAFOGO/RJ: Jefferson; Luis Ricardo, Diego Giaretta, Renan Fonseca e Thiago Carleto; Serginho, William Arão e Diego Jardel; Neilton (Sassá), Octávio (Lulinha) e Navarro. Técnico: Ricardo Gomes.

Local: Arruda. Árbitro: Flávio Rodrigues Guerra (SP). Assistentes: Vicente Romano Neto e Carlos Augusto Nogueira Junior (ambos de SP). Gol: Grafite (aos 5 do 2T) para o Santa Cruz. Cartões amarelos: Danny Morais, Luisinho e Anderson Aquino (Santa Cruz); Serginho, Thiago Carleto (Botafogo). Público: 44.485. Renda: 1.008.815,00.


Fonte: Folha de Pernambuco, Blog de Primeira, Recife, 08/8/2015

Nenhum comentário: