quinta-feira, 28 de maio de 2015

Reclamou, levou cartão!


RECLAMOU, LEVOU CARTÃO!

Paulo Henrique Tavares

Ali, no centro do gramado, enquanto América/MG e Santa Cruz disputavam os três pontos da terceira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, um diálogo se desenrolou entre dois jogadores adversários. O meia Mancini e o atacante Bruno Mineiro conversaram sobre a nova determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em pedir aos árbitros para serem mais rigorosos diante da reclamação dos atletas durante o jogo. A conclusão de ambos foi de desaprovação. No entanto, entre os “boleiros” também existem opiniões favoráveis. O fato é que, com a nova medida, o número de cartões amarelos disparou.
Nas três rodadas iniciais da Série A de 2014, por exemplo, foram 127 amarelos ao todo. No mesmo período da competição, em 2015, já são 172 cartões. A diferença, no entanto, está nos cartões provenientes da intolerância em relação a reclamações. Em 2014, as advertências por reclamação até a terceira rodada representaram 4,7% dos cartões amarelos aplicados até então. Em 2015, esse percentual saltou para 21,5%.
“Quando conversamos (Bruno Mineiro e Mancini) perguntávamos: qual é o motivo? Por que não conversar com o árbitro normal, como todos já conversavam? Lógico que tem uns que extrapolam. Mas os árbitros alegam que não pode levantar a mão, pois seria como se jogássemos ele contra a torcida”, disse o jogador do Santa Cruz Bruno Mineiro. “Eu acho ruim a determinação. Mas, assim, se é uma ordem que vem de cima (CBF) temos que acatar”, completou o atleta.
O líder do ranking de cartões sofridos na Primeira Divisão é o Vasco, com 15 amarelos. A equipe carioca também lidera no quesito “cartão por reclamação com o árbitro”, junto com o Palmeiras, ambos com cinco advertências. “Acredito que as reclamações têm acontecido pelo fato de os árbitros estarem deixando o jogo correr mais. E o jogador brasileiro ainda reclama. O nervosismo vem daí: na não marcação de faltas, antes marcadas”, justificou o goleiro do Sport Danilo Fernandes. “Mas é melhor deixar o jogo correr mesmo. Daqui a pouco os jogadores vão se adequando.”
Primeiro técnico a levar uma equipe do interior à final de um Campeonato Pernambucano, Sérgio China, do Salgueiro, é outro que elogia a medida. “Acho que educação tem que estar presente em qualquer área da nossa vida. Nossa recomendação aos atletas é para apenas o capitão ser o responsável por falar com o árbitro. Então, não tem pra que discordar. O futebol tem a ganhar com isso”, disse o treinador.

Fonte: Blog de Primeira, Folha de Pernambuco, Recife, PE, 28/5/2015

Nenhum comentário: