domingo, 22 de março de 2015

Detalhes tão pequenos de nós dois


DETALHES TÃO PEQUENOS DE NÓS DOIS

Clóvis Campêlo

Amigos, dizem que Nélson Rodrigues, o famoso cronista de futebol, não enxergava bem. Torcedor do Fluminense, ia ao Maracanã e guiava-se mais pelo que ouvia do que pelo que realmente via, naquela imensidão de estádio. Mesmo assim, escreveu crônicas fantásticas sobre o futebol brasileiro e sobre os seus ídolos daquela época. A paixão pelo esporte bretão e a sua sensibilidade de escritor o fazia superar essa limitação com maestria. Não sei se Nelson Rodrigues estivesse ontem no Arruda, teria observado os detalhes tão pequenos que fazem parte de um jogo e de uma paixão tão intensa como a que existe entre o Santinha e a sua torcida.
Ontem, no Arruda, por exemplo, na vitória de 3 x 0 sobre o Serra Talhada, chamou-me a atenção as chuteiras do goleiro Gleibson , do time sertanejo. O pé esquerdo azul e o pé direito laranja. Não sei que mandinga era essa, mas com certeza não deu certo. Ganhamos e ganhamos bem, jogando com convicção e com vontade.
Renato Boca-de-Caçapa, o filósofo coral, costuma dizer que o time que merece ganhar é o que faz mais gols. E ele está certo. Ontem, fizemos três e poderíamos ter feito mais se não fosse a falta de habilidade do nosso ataque para concluir as jogadas bem concatenadas que elaboramos. Precisamos urgentemente de um matador na área. Um ataque que saiba se colocar na posição certa e na hora certa para finalizar com sucesso. Não se perde tanto gols assim impunimente.
Ontem à noite, no Arruda, a musa coral não apareceu. Foi substituída pelos heróis da partida, como Tiago Costa, Raniel e alguns outros que construíram uma vitória bem urdida e até certo ponto tranquilizadora.
Ainda necessitamos de alguns outros jogadores para as posições mais carente, notadamente o ataque. Mas, pela primeira vez este ano, ficamos com a impressão de que o time evoluiu.

Nenhum comentário: