domingo, 4 de novembro de 2012

De novo, uma crise coral


DE NOVO, UMA CRISE CORAL

Henrique Queiroz

O Santa Cruz vive um drama que se arrasta desde a queda da Série A em 2006. A apaixonada torcida tricolor sofre com a situação do clube fora da elite do futebol brasileiro. O time chegou ao fundo do poço ao despencar para a Série D, divisão em que passou três anos. Um certo alívio veio quando a equipe, na temporada passada, subiu para a Série C. O projeto era chegar à Série B de 2013 e alcançar a divisão principal para comemorar ao centenário em 2014, ano de Copa do Mundo, entre os grandes clubes do Brasil. Não deu certo. O time sequer se classificou para a segunda fase da atual Série C, que culminou, na quinta-feira passada, com a demissão do técnico Zé Teodoro.
A situação fica mais grave com o encerramento da temporada de 2012 com tanta antecedência. O resultado se reflete no caixa. Afinal, a principal fonte de arrecadação do clube é a sua torcida. A maior prova veio com a divulgação de uma pesquisa da Pluri Consultoria. Na temporada de 2011, o Santa Cruz ficou na 39ª nona posição mundial em média de público, com 36,9 mil torcedores por jogo. Ficou à frente até do Corinthians, 65º com 29,4 mil.
Ao assumir a presidência em 2011, Antônio Luiz Neto tinha como prioridade tirar o clube no buraco das divisões de baixo. Tudo indicava que a missão seria cumprida. Afinal, o time saiu do inferno da Série D. Além disso, conseguiu inclusive um bicampeonato pernambucano, que não estava previsto. Foi uma conquista extra. A autoestima do torcedor foi recuperada. Agora, na próxima temporada, o Santa Cruz terá que disputar a Série C pela terceira vez.
“A eliminação foi um golpe duro. Mas temos de reconhecer que o time não encaixou. A nossa campanha foi irregular. Em nenhum momento, mostramos futebol para chegar entre os quatro primeiros do nosso grupo e conseguir a classificação. Por isso, só temos de pedir desculpas a nossa imensa torcida, que não nos faltou em nenhum momento”, declarou o presidente.
No Grupo A, o do Santa Cruz, só havia mais dois clubes com camisa e tradição. O Paysandu e o Fortaleza, os dois estão na fase de mata-mata que leva ao acesso à Série B. Os paraenses ficaram com a quarta vaga, enquanto os cearenses foram os primeiros colocados. Além disso, estão cumprindo bem o papel para recuperar o prestígio no futebol brasileiro. Os outros dois classificados foram o Luverdense, segundo lugar, e o Icasa na terceira posição. Fato que só aumentou as críticas ao treinador e a diretoria.

“Com a tradição e a camisa que o Santa Cruz tem não há como explicar uma situação que se arrasta há tantos anos. Os que nos serve de motivação é o clube ter força para reagir no próximo ano. Os clubes que estão na Série C ou D vivem constantemente com uma crise nas finanças. Os patrocinadores são raros. Temos de voltar a elite de todo jeito”, comentou Antônio Luiz Neto.
A irregularidade do time pode ser exemplificada no fato de não ter vencido nenhuma partida fora de casa. Foram quatro derrotas e quatro empates. A derrota que decretou a eliminação foi justamente na 18ª e última rodada da primeira fase. O Santa só precisava de uma vitória simples, mas caiu por 1x0 diante do Águia, em Marabá. Além disso, o tricolor teve resultados comprometedores dentro de casa. O empate com o Guarany de Sobral, na estreia, foi um deles. O mesmo resultado ocorreu fora do Arruda. O confronto direto com o Fortaleza foi outro, quando o time perdeu por 2x1.
A temporada de 2013 vai ser cheia. Até lá, a diretoria tem de resolver várias pendências, principalmente solucionar o pagamento dos salários de setembro, outubro, novembro e dezembro. Ao mesmo tempo, o presidente vai enfrentar uma chapa de oposição nas eleições no dia 7 de dezembro, como também tem de tentar as renovações de alguns jogadores importantes como o atacante Dênis Marques, os zagueiros Vágner e Édson Borges e o goleiro Tiago Cardoso.


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, 04/11/2012

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