terça-feira, 30 de outubro de 2012

Os muitos erros do Santa


OS MUITOS ERROS DO SANTA

Elias Roma NetoHenrique Queiroz

O Santa Cruz tinha tudo para subir para a Série B do Campeonato Brasileiro. Vindo de um ano marcado pela eficiência em 2011 (com título e acesso) e do bi estadual em 2012, os tricolores contaram com o maior investimento salarial da Série C. Mas, aos poucos, falhas foram se revelando dentro e fora de campo. As medidas tomadas para resolver os problemas não fizeram efeito e o time viveu a eliminação na primeira fase da Terceirona – ao ser derrotado pelo Águia de Marabá, por 1x0, no Pará, domingo passado – pondo um ponto final no plano de festejar o seu centenário, em 2014, na Série A nacional.
As causas do fracasso foram várias. A reportagem do JC lista aqui algumas, como as muitas “desculpas”, que tinham como objetivo “blindar” o grupo, mas que na verdade geravam uma acomodação nos jogadores criando uma espécie de salvo-conduto para derrotas. Elas começaram com o atraso no início da competição (a briga jurídica do Treze), que teria “tirado o embalo” da equipe. Depois, passou pelo “clima quente”, “gramados ruins” e as “cansativas viagens”. Como se os rivais não passassem pelos mesmos problemas. Tudo isso acompanhado da promessa que o time iria “crescer no momento certo”, o que não aconteceu.
No campo, o Santa teve campanha mediana em casa e sofrível fora. No Arruda, venceu cinco partidas, mas empatou três e ainda foi derrotado em um momento importante: 2x1 para o Fortaleza, na antepenúltima rodada. Como visitante, o desastre – nenhum triunfo, quatro empates e cinco derrotas (14,8% de rendimento). Com apenas uma vitória o time passaria à segunda fase.
A dependência de Dênis Marques também prejudicou a Cobra Coral. O Predador poderia ter se apresentado melhor em algumas ocasiões, mas ele praticamente carregou o setor de ataque sozinho com 11 dos 26 gols na Série C, ou 42% do total do time. Os outros dois atacantes que marcaram tentos foram Fabrício Ceará, com quatro, e Flávio Caça-Rato, com um. Quando Dênis estava mal – vide os pênaltis desperdiçados contra Icasa e Fortaleza, fora –, os torcedores não tinham em quem confiar. O jogador ainda contou com regalias de falta aos treinos, o que o deixava em um patamar diferenciado no elenco.
Na hora de contratar, muita desorganização. O que falar do zagueiro César, que só estreou na penúltima rodada? E também o volante Ramalho, que veio para o Arruda no final de julho e não atuou uma vez sequer? Diego Bispo e Victor Hugo, dispensados no começo do mês, atuaram apenas em uma e três partidas, respectivamente. Com um grupo que chegou a ter 33 jogadores, a folha ficou alta demais (especula-se algo em torno de R$ 700 mil) e gerou – aliado ao mês de junho parado – desconfortáveis atrasos salariais.
Quanto a Zé Teodoro, o antes idolatrado treinador teve seu encanto quebrado com parte da torcida. Substituições erradas ou escalações defensivas demais geraram atritos. Lesões contribuíram para isso, mas não explicam a falta de identidade do meio de campo, por exemplo. A demissão do técnico chegou, inclusive, a ser engatilhada durante a competição, mas o presidente bancou Zé.

Publicado no Jornal do Commercio, Recife, 30/10/2012

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