segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Estamos na final


Foto: JC/Ernesto Dourado/futebolmt

ESTAMOS NA FINAL

Clóvis Campêlo

Estamos na final da Série D do Campeonato Brasileiro de 2011. Esse caminho foi construído passo a passo, com muita luta e seriedade e pode nos levar a conquista do nosso primeiro título nacional. De nada adiantam as gozações dos nossos adversários locais. Essa estrela, caso conquistemos o título, seja ela dourada, prateada, de bronze ou de qualquer outra cor, vai embelezar e enriquecer o uniforme coral. Será uma estrela de primeira grandeza e representará mais um capítulo vitorioso na história de um dos maiores clubes de massa do futebol brasileiro. Vamos aguardar o nosso próximo adversário, e seja ele o Tupi de Minas Gerais ou o Oeste de São Paulo, não podemos perder o foco e a concentração.
Ontem, lá na distante Rondonópolis, depois de quatro horas de viagem de ônibus de Cuiabá até a cidade, entramos em campo e conquistamos uma grande vitória, de virada, e tendo como artífice o atacante Fernando Gaúcho.
Eu, particularmente, que ainda não havia sido conquistado pelo futebol do atacante, tiro o chapéu para ele. Oportunista, sempre aparecendo nas horas cruciais e assim vem escrevendo o seu nome na galeria coral.
Uma outra coisa a considerar no jogo de ontem, embora não tenha sido divulgada a renda e o público presente ao estádio, é a ausência de público nessa divisão do futebol brasileiro. Com exceção dos jogos do Santa Cruz e de alguns outros poucos clubes, a média de público tem sido baixíssima. Para um torneio onde a CBF não se faz presente e onde os próprios clubes se bancam, esse é um problema seríssimo. Basta olhar as fotografias do jogo publicadas nos jornais recifenses para vermos as arquibancadas praticamente vazias. E futebol profissional não se faz sem dinheiro. Tudo é muito caro: salários dos jogadores e da comissão técnica, as despesas com viagens e hospedagens, etc. Para quem não tem uma torcida igual a nossa, isso é mais do que complicado.
Voltando ao jogo de ontem, o treinador Zé Teodoro tem razão quando afirma que o Santa Cruz voltou a se impor como time grande. E essa visão é fruto de um trabalho intenso de conscientização da potencialidade e das limitações do elenco e da sua capacidade de superação. Pela primeira vez, ontem sentimos a equipe usufruíndo dessa condição com lucidez e tendo contra o Cuiabá um desempenho mais convicente do que no primeiro jogo, no Recife, há uma semana atrás. A vitória por 2x1, de virada, depois de levarmos um gol logo aos quatro minutos de jogo nos confirma isso.
Para fecharmos o ano de 2011 com chave de ouro, resta-nos encarar e derrotar o próximo adversário, seja ele qual for, e conquistarmos o título de Campeão da Série D.
Ontem, jogamos e vencemos com Tiago Cardoso; Eduardo Arroz, Leandro Souza (Walter), André Oliveira e Dutra (Renatinho); Jeovânio, Chicão, memo e Wesley; Tiago Cunha (Flávio Recife) e Fernando Gaúcho.
A cobra coral foi mais valente do que o dourado.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Essa doeu! (ou a chacina em old trafford)



ESSA DOEU!
(ou a chacina em old trafford)

Alberto Felix, de São Paulo

Domingão, em Brasília 10:30 da matina. Horário de verão.
Em Londres, quase três da tarde; deixei para ir a missa mais tarde.
Hoje tem dérbi em Manchester, um jogão Man United & Os de azul.
A geladeira está generosamente abastecida de brejas.
Na cozinha a patroa pilota as quatro bocas, (minha chofer de fogão mais querida) está evoluindo na cozinha o mais popular almoço de domingo em sampa, galinha assada, macarrão e maionese.
No Recife, o sol já botou o olho de fora, uma brisa leve assopra a mais fina poeira da periferia.
O Santa Cruz joga hoje.
Como disse Padre Vieira.
“Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris”.
Pois é seu padre, com todo respeito.
Nós corais somos pó, poeira que anda, que grita, que lota, que não afrouxa, que nunca roí a corda.
Recife, trinta e tantos graus!
Poeira! Vai levantar poeira na Av. Beberibe, 1285!
Da cozinha vem um cheirinho bom.
Lá em Manchester na Inglaterra está mais frio que em Garanhuns pelo São João!
O estadio Old Trafford está tão ou mais lotado que o Arruda.
Geralmente quando o Manchester United joga eu visto a camisa do mais querido, pra ver se da sorte pra gente, essas viadagens e manias de torcedor, nesse dia eu não vesti, por esquecimento ou sei lá porque, (graças a Deus!).
Rapaz! O Man United terminou o primeiro tempo apanhando e no segundo o cacete foi dobrado, tome gol! Tome gol!
Deu uma leseira geral no ataque e na zaga do Man United.
Menino! 6X1!
Parecia jogo de playstation!
Desde de 1926 que o Man United não levava um sova dessas, oitenta e cinco sem levar uma pisa dessas.
Chega uma hora, que a casa cai.
O Santinha ganhou.
Santa Cruz 1 Cuibá 0.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O CD Homenagem



O CD HOMENAGEM

Clóvis Campêlo

No futebol pernambucano, não existe nenhum clube mais cantado e amado por artistas e compositores do que o Santa Cruz. De Capiba ao Maestro Forró, passando por Getúlio Cavalcanti, Irmãos Valença, Sebastião Rosendo, Walmir Chagas, Nando Cordel, Edy Carlos, Canibal, Bubuska Valença, Nélson Ferreira e muitos outros.
E esse amor e admiração sempre serviu como inspiração para o surgimento de muitas canções, hinos e declarações de amor musicadas.
Com Bráulio de Castro não foi diferente. O disco acima, o segundo lançado com músicas suas feitas em homenagem ao clube que ama, foi lançado no Recife neste mês de outubro e pode ser adquirido na sede do Santa Cruz, no bairro do Arruda, ou com o próprio Bráulio através do telefone (81) 30624626 ou do e-mail brauliodecastro@yahoo.com.br.
O CD tem 14 músicas, todas de autoria de Bráulio com vários parceiros, com exceção apenas da música "O papa taças", composta pelos Irmãos Valença.
Concebido e produzido por Bráulio de Castro, com direção musical e artística de Walmir Chagas, produção executiva de Ivan Júnior e Carlos Simeão, o disco foi produzido sob encomenda da Confraria Bacia D'Água e tem as seguintes músicas, entre cocos, frevos e sambas:

01 - SORRINDO A TOA (Bráulio de Castro), cantada por Bubuska Valença;
02 - BANDEIRA DO SANTA CRUZ (Bráulio de Castro - Paulo Elias), cantada por Walmir Chagas;
03 - NASCI SANTA CRUZ (Bráulio de Castro), cantada por Bubuska Valença;
04 - HISTÓRIA DE UM SUPER CAMPEÃO (Bráulio de Castro), cantada por Walmir Chagas;
05 - COBRINHA SAPECA (Bráulio de Castro), cantada pelo próprio Bráulio de Castro;
06 - É LÁ E LÔ (Bráulio de Castro), cantada por Walmir Chagas;
07 - O VENENO DA COBRA CORAL (Bráulio de Castro), cantada por Bráulio de Castro;
08 - BACALHAU DE GARANHUNS (Bráulio de Castro), cantada por Bráulio de Castro;
09 - O PAPA TAÇAS (Irmãos Valença), cantada por Edy Carlos;
10 - MESTRE TARÁ (Bráulio de Castro), cantada por Bráulio de Castro;
11 - A MINHA COBRA (Bráulio de Castro - Chiló), cantada por Walmir Chagas;
12 - VENEZA BRASILEIRA (Bráulio de Castro - J. Costa), cantada por Chico Nunes;
13 - A COBRA VAI FUMAR (Bráulio de Castro - Edy Carlos), cantada por Edy Carlos;
14 - PAPAI TRICOLOR (Fátima de Castro), cantada por Fátima de Castro.

É preciso que se atente que poucos compositores na história da música popular brasileira criaram tantas composições para um mesmo clube.
O disco ainda homenageia Bacalhau de Garanhuns, o maior torcedor do mundo, com uma música e com a fotografia da capa.
Imperdível!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A ressaca encarnada-preto-e-branco (e a globalização)



A RESSACA ENCARNADA-PRETO-E-BRANCO (E A GLOBALIZAÇÃO)

Alberto Félix, de São Paulo

Agora que o biênio sabático é passado, o tempo de comer arrolhado e lamber feridas passou.
Agora é a hora de pecar de balaio!
O mundo é coral.
In Europa nu o sa vezi asa ceva NICIODATA! Ce echipa din Liga a 4-a a strans 60.000 de fani la meciul de promovare!
Santa Cruz s-a calificat in Serie C, dupa ce a trecut de Treze in playofful campionatului. La meciul din Recife au venit 59.966 de fani. A fost o atmosfera incredibila la care s-a batut si un record. Fanii lui Santa Cruz au purtat pe brate cel mai mare steag al unei galerii din nord-estul Braziliei.
Eita! isso está escrito em romeno, terra de Hagi meio campista bom danado.
Rares sont les matchs qui parviennent à regrouper 60000 personnes, même au plus haut niveau, et encore plus en quatrième division brésilienne.Pourtant, le club de Santa Cruz l’a fait. Isso ai é em francês faz biquinho pra falar. (deu no SOFOOT)
Zidane ou pra quem é mano, (dele) Zizou, meio campista fela! Fez parte do extraordinário time galático Merengue, o Real Madrid.
Na copa de dois e seis, um zagueiro italiano chamado de Materazzi disse pra Zizou que a irmã dele era quenga e que já tinham comido o boga dela.
Prá que!
Deu uma merda arretada, o franco argelino Zizou deu uma cabeçada tão da bôba na caixa dos peito do italiano que até hoje o coitado do zagueiro está caçando ar e não acha.
One area of consensus in the football-governance inquiry is that the Championship is the world's most successful second-tier competition. But after events in Brazil at the weekend, League Two is unlikely to be its best-supported fourth division. For 16,000 trekked the three-hour journey across flood and-landslide-affected roads that claimed nine lives the same weekend to follow Santa Cruz in Alecrim in the opening game of Brazil's Serie D.
(deu no The Guardian)
Inglaterra, terra de Beatles e Roling Stones.
A copa na Inglaterra, essa copa penso que se equipara a da Argentina de setenta e oito.
Desde o Brasil nunca vi tanta bosta junta.
A Inglaterra ganhou com um gol que até hoje não tem quem saiba se aquela bola entrou ou não, até hoje a Alemanha não se conforma.
Pelé, que foi para esta copa já pebado, até pouco tempo gemia só de lembrar do trio que o sacudiram pra fora de campo, Eusébio, Coluna e Morais este último o mais sanguinolento.
Atravessei os sete mares e finquei minha bandeira coral alhures, algures e na puta que pariu!
Tudo isso acontecendo e eu aqui em sampa dando milho aos pombos, como diria Zé Geraldo.
Milho aos pombos uma porra!
Abro uma, abro duas abro mais.
No limiar da embriagues absoluta e a sanidade.
Estou no Recife, no meio da mundiça coral!
Nos Altos, Do Céu, Sta Terezinha, José do Pinho, Foice, Encantado, Jatobá, Vasco da Gama, Nova Descoberta, Morro da Conceição (sua benção minha santinha!).
Saraivadas de tiros para o ar.
Pronto, estou na Brasília Teimosa, aqui tudo é meu.
O mar, o cheiro, o sol e a paisagem.
Santa Cruz, você nunca caminhará sozinho!
("You'll Never Walk Alone")

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mais um passo dado



MAIS UM PASSO DADO

Clóvis Campêlo

Ainda não foi uma vitória de encher os olhos, mas vencemos mais uma, fizemos o dever de casa. Tem sido sempre assim, ao longo dessa Série D: dominamos o jogo e criamos situações de gol que não são aproveitadas. É notória a dificuldade do ataque coral para marcar gols. Por isso, a vitória por 1x0 sobre o Cuiabá Esporte Clube, ontem, no Estádio José do Rego Maciel, o Arruda, no Recife, pode ser considerada como uma goleada.
Fundado em 2001 e ocupando uma posição longínqua no ranking da Confederação Brasileira de Futebol, o Cuiabá é uma equipe ainda sem tradição no futebol brasileiro. Em que pese a sua condição de neófito e os três anos de paralisação das suas atividades, entre 2006 e 2009, nesses dez anos de existência o clube conquistou três campeonatos matogrossenses (2003, 2004 e 2011) e uma Copa Governador do Mato Grosso (2010). Este ano, depois de eliminar o Independente de Tucuruí, do Pará, o clube conseguiu o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro. Ou seja, um saldo mais do que positivo.
Foi esse adversário praticamente desconhecido que nós derrotamos com um gol marcado pelo meia Bismarck aos 32 minutos do segundo tempo, quando a torcida coral já se impacientava. Aliás, no intervalo do jogo, ao ensaiar uma vaia pelo desempenho sofrível da equipe na primeira etapa, a torcida foi repreendida pelo treinador Zé Teodoro, que segundo a imprensa falada e escrita pode estar se despedindo do Arruda rumo ao Atlético Mineiro. Pela primeira vez enfático e abusado, Zé criticou a postura da torcida pelo desapontamento, sem perceber que ele mesmo criara a perspectiva de uma atuação diferenciada ao afirmar, durante a semana, que o time seria mais voluntarioso sem a responsabilidade da classificação nas costas. Não foi isso, porém, o que a torcida presenciou. Daí a frustação e a tentativa da vaia mal ensaiada. No segundo tempo, a equipe voltou mais acesa e impôs um melhor futebol, sem, no entanto, conseguir transformar esse domínio em gols.
Perante um público de 26.867 pessoas, que proporcionou uma renda de R$ 259.905, jogamos e vencemos com Tiago Cardoso; Eduardo Arroz, Walter, André Oliveira e Dutra (Bismarck); Chicão, Memo, Whashington (Flávio Recife) e Renatinho; Fernando Gaúcho (Kiros) e Tiago Cunha.
A vitória, mesmo magra, deixa-nos em vantagem com relação ao jogo de volta, quando jogaremos pelo empate. Já sabemos que o time do Cuiabá não é nenhum bicho-papão. Resta apenas que alguns jogadores que não atuaram bem, tenham uma atuação mais eficiente. Mesmo com todas as limitações conhecidas e visíveis, o nosso time consegui a ascensão à Série C e vem construindo a passos curtos e seguros o caminho em busca do título da Série D.
Com certeza, vamos colocar essa nova estrela na nossa camisa.

domingo, 23 de outubro de 2011

De Bom Jardim a Olinda, com o Santinha no coração



Fotografias de Cida Machado/2011

DE BOM JARDIM A OLINDA, COM O SANTINHA NO CORAÇÃO

Clóvis Campêlo

Confesso que até algum tempo atrás era completamente ignorante em relação a Bráulio de Castro e suas músicas. Quem primeiro me chamou a atenção sobre ele foi Júlio Vila Nova. Depois, no CD “Dez Carnavais”, do Bloco Lírico Cordas e Retalhos, do qual Júlio é o presidente, descubro a música “O mais querido”, uma parceria dele com Fátima de Castro, sua mulher e prima legítima, e também compositora, cantora e instrumentista. É mole?
Mais adiante, nos contatos por mim mantidos para a produção do programa “Trem das Onze”, na Rádio Universitária AM do Recife, Walmir Chagas, o Velho Mangaba, presenteia-me com dois CDs seus, onde constam outras músicas compostas por Bráulio, entre elas o maracatu “Pátio do Terço” e o frevo-canção “Pernambucaneando”, pelas quais me apaixonei. A partir dali, ficou patente para mim todo o talento de Bráulio de Castro.
O melhor, porém, ainda estava por vir. Descubro que, assim como eu, Bráulio também é torcedor do Santa Cruz. Passamos a trocar figurinhas pela internet. Eu, enviando-lhe as matérias postadas no blog “Santa Cruz, a história e a glória”, e ele, comentando o material recebido. Depois de intenso vai-e-vem, proponho-lhe uma entrevista sobre o Santinha. Ele sugere que deixemos a entrevista para depois do jogo com o Treze de Campina Grande, no dia 16 de outubro, quando já teríamos definida a situação do Santa Cruz na Série D do Campeonato Brasileiro. O Santa se classifica para as semifinais da competição, nossos corações se acalmam e marcamos o encontro para o dia 22.
No dia marcado, às 10 horas, conforme o combinado, acompanhado de Cida Machado, chego na sua casa, numa rua aprazível no bairro de Casa Caiada, em Olinda, onde somos recebidos por ele e Fátima.
Para um entrevistador, não existe nada melhor do que um entrevistado falastrão. Descubro que Bráulio é assim. Puxa uma história atrás da outra – e olhe que são muitas! Nem mesmo precisei me utilizar das perguntas que tinha elaborado anteriormente.
Bráulio de Castro nasceu na cidade pernambucana de Bom Jardim, em 1942. Ainda menino, teve um sério problema de saúde que foi curado pelo leite de Francisca do Pezão, pedinte da cidade que lhe serviu de ama-de-leite.
Em 1949, veio para o Recife, acompanhando o avô paterno Ademário Gomes de Castro, indo morar no Largo São Luís, no bairro de Casa Amarela, naquele tempo já com uma grande população. Acostumado à tranqüilidade do interior, seu avô não se habituou com a agitação do lugar e, no ano seguinte, mudou-se para a Rua Ambrósio Machado, no bairro da Iputinga, bairro mais tranqüilo e onde havia muitos torcedores do Santa Cruz. Ilude-se, porém, quem pensa que a sua paixão pelo clube das três cores nasceu ali. Oriundo de uma família tricolor, ele já veio de Bom Jardim com a cabeça feita. Diz que, na verdade, curtiu duas infâncias felizes: no Recife, na casa do avô, tomando banho no rio Capibaribe, e nas férias, em Bom Jardim, onde tomava banho no rio Tracunhaém.
Em 1957, lembra da campanha feita pelo Santa Cruz para a contratação de Aldemar. O povo ia de bonde para a sede do clube, no bairro do Arruda, onde, aos pés de uma bandeira tricolor, depositava a sua contribuição para a contratação do craque. O Santinha formou uma grande equipe e foi supercampeão pernambucano de futebol, naquele ano.
Em 1964, homem feito, Bráulio ocupava o cargo de fiscal do Instituto Brasileiro do Café, quando, em abril, instala-se no País a ditadura militar. Dois meses depois, por conta da sua participação no movimento estudantil, é cassado do cargo que ocupava no IBC. Sem muitas oportunidades de trabalho no Recife, cinco anos depois, em 1969, resolve transferir-se para São Paulo. Chega à Terra da Garoa na mesma época da edição do famigerado Ato Institucional nº 5. Era um tempo difícil, de incertezas e de medos. Mesmo assim, morou 22 anos em São Paulo, só retornando ao Recife no início dos anos 90.
Confessa que chegou na Paulicéia disposto a torcer pelo time do São Paulo, por conta da identificação com as cores do Santa Cruz. Mas logo se apaixonou pelo Corínthias e seu povão. Não teve mais jeito: tornou-se corintiano.
Em São Paulo conviveu com grandes nomes da MPB, como Lupicínio Rodrigues e Adoniran Barbosa, do qual, inclusive, chegou a ser parceiro, dedicando-lhe três composições, duas feitas quando o compositor já era falecido. Vários outros nomes da música popular brasileira também gravaram as suas músicas, como Francisco Petrônio, que gravou a sua composição “Borracha do Tempo”, único samba incluído no seleto repertório do cantor.
Hoje, tranquilamente instalado em Olinda, Bráulio continua compondo e torcendo pelo Santa Cruz. Por conta da hipertensão e com medo da violência das torcidas, dificilmente vai à campo. A sua paixão pelo clube coral, porém, não arrefece. Lançou há poucos dias um CD com quatorze composições, entre frevos, sambas e maracatus, interpretadas por ele mesmo, Fátima de Castro, Bubuska Valença, Walmir Chagas, Chico Nunes e Edy Carlos, dedicadas ao Mais Querido de Pernambuco e em comemoração à conquista do campeonato estadual deste ano. No disco ainda homenageia a Bacalhau de Garanhuns, a quem chama de maior torcedor do mundo.

Recife, outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Valeu, Santa!



VALEU, SANTA!

Marcelo Cavalcante

Saudações tricolores! Definitivamente, o ano de 2011 é do Santa Cruz. Sim, diante de tantas dificuldades, o clube coral conseguiu colocar o nariz fora do oceano da crise no qual estava mergulhado desde 2006, quando aconteceu o primeiro de uma série de rebaixamentos. No seu primeiro ano à frente do tricolor, o presidente Antônio Luiz Neto e sua diretoria mostraram que com os pés no chão e acabeça no lugar o Santa pode ir longe. Tem torcida e história para isso. O problema é que as gestões anteriores não respeitaram o clube. Tropeçaram nas próprias pernas e foram acumulando erros. Bom, o acesso à Série C pode representar muito pouco diante da história que o Santa conseguiu construir durante seus 97 anos. Mas a comemoração da torcida - que, aliás, foi um espetáculo à parte nesta Série D, sendo destaque na imprensa brasileira e europeia - foi válida. Serviu para, pelo menos, esquecer o triste passado recente. Mas é fundamental ter consciência que esse trabalho de reconstrução está apenas começando. Acho que o Santa Cruz deve mesmo lutar para conquistar o título nacional deste ano. Mesmo que a Série D tenha sido um "calo" para o clube, título é título. Depois disso, é recomeçar. Em 2012, o tricolor terá as mesmas dificuldades. A Série C também é uma competição deficitária. E o time terá a mesma responsabilidade de conquistar uma das vagas para a Série B de 2013. E a receita será a mesma: iniciar um planejamento que deve vingar o ano inteiro. Isso passa pela contratação de um treinador. Melhor dizendo: acelerar o passo na renovação de contrato de Zé Teodoro. Na entrevista nexclusiva concedida ao Blog do Torcedor, o treinador e o presidente demonstraram que estão dispostos a continuar trabalhando juntos na próxima temporada. A partir disso, é montar o elenco.

Publicado no Jornal do Commercio, Recife, em 20/10/2011.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

É nóis na fita, mano!


De Gea, goleiro do Manchester United e suas luvas tricolores
-
É NÓIS NA FITA, MANO!

Alberto Félix, de São Paulo

Sábado, oito e pouco da manhã, chove sobre São Paulo, diga-me lá, isso é hora de ver partida de futebol?
Eu respondo é.
Um jogo em Liverpool, terra de Lennon e McCartney, não é um jogo qualquer, joga no Anfield o Liverpool e Manchester United. Tem tudo para ser um jogaço.
Eu adotei o Man United por uma série de motivos que não vem ao caso no momento.
No mais recôndito de meu coração minha emoção caminha sobre cacos de vidros, estamos a pouco mais de vinte quatro horas de sair do subsolo do futebol, Santa Cruz e o Garnizé da Borborema.
Quando ¨O mais querido¨ joga é bom manter uma distância segura de esotéricos, escritores de livros de autoajuda, astrólogos, adivinhos e economistas, e, sobretudo, fique a milhas de distância de feiticeiros que pedem ruminantes como oferenda.
De volta ao Anfield em Liverpool, estádio lotado, tem uma música que a torcida do Liverpool canta ¨YOU'LL NEVER WALK ALONE “ que é de arrepiar ouvir.
Alex Ferguson, deixa no banco, Rooney, Nani, Chicharito entre outros, que banco!
A chuva não cessa, a hora não passa, o domingo não chega, o tempo parece uma tia velha fazendo um lento croché sentada no sofá em frente a televisão.
O sinal.
Começa o jogo no Anfield.
Close em De Gea, arqueiro do Man United, um galego novinho que segurou a dura tarefa de substituir Van Der Sar.
Ai é bronca! Substituir um mito! Isso é pior que tu substituir o lendário arqueiro soviético Lev Yashin, o ¨Aranha Negra¨.
O sinal.
Menino, eu que tenho tanto cuidado com essas porras de sinais, e tudo mais de antes do jogo.
Eu confesso, quando eu vi as luvas que De Gea estava usando, não foi um sinal, foi uma revelação, destas que só os neo pentecostais tem.
As luvas era encarnado, preto e branco!
Eu tal qual um corintiano das bibocas paulistanas senti.
¨É nóis na fita mano!¨
(o jogo Liverpool e Man United foi 1x1, Gerrard pelo liverpool e Chicharito pelo Man United)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Estamos na Série C



Fotos de Ricardo Fernandes/DP

ESTAMOS NA SÉRIE C

Clóvis Campêlo

Para mim, o grande espetáculo de ontem, no Estádio do Arruda, no empate de 0x0 entre o Santa Cruz e o Treze de Campina Grande, ocorreu nas arquibancadas. Mais uma vez, a torcida coral mostrou a sua força e a sua fidelidade ao clube que ama. Oficialmente, 59.966 pessoas foram ao estádio, proporcionando uma renda de R$ 1.010.860. No olhômetro, porém, era notório que bem mais gente estava presente. Se tivessem noticiado 70.000 não seria nenhuma surpresa para mim. Nas rádios, após o jogo, a própria crônica esportiva comentava sobre isso. Não falo com certeza, mas deve ter sido o maior público da rodada de ontem em jogos do Campeonato Brasileiro de todas as séries.
Dentro de campo, mais uma vez, jogamos apenas o suficiente para garantir a classificação à fase seguinte e, consequentemente, o acesso à Série C, em 2012. Era tudo o que todos queriam. Agora, livres da obrigação do acesso, esperamos que a equipe desenvolva um melhor futebol e chegue ao precioso título. Seria fechar com chave de ouro um ano bastante positivo para o Mais Querido de Pernambuco.
Em entrevista concedida às rádios após o jogo, o próprio treinador Zé Teodoro admitiu que agora teremos mais condições de desenvolver um futebol de melhor qualidade. Todos nós sabemos das limitações do nosso time. Mas, todos nós sabemos também que na Série D não existe nenhuma outra equipe que possa nos superar em tradição, conquistas, torcida e estrutura clubística. Assim, conquistar o título torna-se quase uma consequência natural de tudo isso e um prêmio que a torcida coral não esquecerá.
Aliás, reconhecer humildemente a real situação em que nos encontravámos, no início do ano, e valorizar cada um desses passos dados e conquistados foi condição necessária para sermos bem sucedidos nesse projeto de soerguimento do clube tricolor do Arruda. Como afirmou Zé Teodoro com convicção, após o jogo de ontem, não queremos ficar por aqui. Queremos avançar mais, com segurança e realismo, em busca de uma posição mais digna dentro de cenário desportivo brasileiro. O Santa Cruz e a sua imensa torcida merecem.
Agora é partir para os jogos finais. No próximo domingo, dia 23, enfretaremos no nosso estádio a equipe do Cuiabá, para nós uma ilustre desconhecida. Com a mesma seriedade e força de vontade, estaremos novamente no Estádio José do Rêgo Maciel, ao lado do time, para superar mais este obstáculo.
Ontem, nas Repúblicas Independentes do Arruda, a equipe formou com Tiago Cardoso; Leandro Souza, André Oliveira e Jeovânio; Wesley (Renatinho), Chicão, Memo, Natan (Éverto Sena) e Dutra; Fernando Gaúcho e Tiago Cunha (Bismarck).

domingo, 16 de outubro de 2011

Charge de Miguel



Charge de Miguel, publicada hoje no Jornal do Commercio do Recife.

Um time campeão



UM TIME CAMPEÃO


Clóvis Campêlo

Amigos corais, como hoje é dia de decisão no Arruda, nada melhor do que lembrar os grandes times que já formamos ao longo dos anos.
Acima, perfilados como num jogo de botão, está uma das formações do Santa Cruz em 1969, quando fomos campeões estaduais, iniciando as conquistas do penta, e disputamos Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, então chamado de Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão.


sábado, 15 de outubro de 2011

Hino do Santa Cruz



Fotografia feita por Edmond Dansot, em 1972, para a capa do disco "Carnavalença - Carnaval dos Irmãos Valença", produzido por Leonardo Dantas Silva para a Fábrica de Discos Rozenblit e gravado por Expedito Baracho com a Orquestra de Nelson Ferreira.


HINO DO SANTA CRUZ


João Valença e Raul Valença

Nos anais, nos calendários
Fiquem sempre por lembrança
Teus lauréis extraordinários
De bravura e de pujança
Nos esportes tua história
É orgulho a que faz jus
Este símbolo de glória
Que é teu nome Santa Cruz
Uma voz proclama e canta
É a voz das multidões
Santa Cruz, querido Santa!
Campeão dos campeões
Esta multidão tamanha
Gente pobre que te aclama
Lembra o ouro que se apanha
Nos cascalhos e na lama
Esse ouro é sangue, é vida
É delírio, raça, e amor
A bandeira tão querida
A bandeira tricolor


(Colaboração de Leonardo Dantas Silva)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O domingo, a missa e a camisa do Santa Cruz



O DOMINGO, A MISSA E A CAMISA DO SANTA CRUZ

Alberto Felix, de São Paulo


Domingo, dia de coisa boa, do almoço, das brejas, três dezenas de brejas pra começar está bom.

Domingo, a patroa na cozinha, feliz (eh sabadão!) tal qual uma alquimista inventa cheiros e cria sabores, para mim a cozinha é quimica, fisica, misticismo e religião.
Domingo, dia de missa, eu não costumo perder a missa de domingo, em que pese a minha formação esquerdista, eu gosto e pronto, desde do tempo que padre José dizia – "Domingo sem missa semana sem graça" -. Nem sei se ele disse isso, mas se não disse, agora disse.
Domingo, dia de coisa boa.
Na graça deste domingo em São Paulo, domingo mais paulistano que Paulo Vanzoline e Inezita Barroso.
Domingo, gelado na pauliceia desvairada, o sol é como luz de geladeira ilumina mas não aquece.
Domingo, almoço, missa e brejas!
Domingo tem futebol!
O Santa Cruz joga hoje, eita! O Arruda até a tampa!
Quem nunca viu, vem ver caldeirão sem tampa ferver!
Eu a centenas e centenas de quilômetros do Colosso do Arruda cismo e padeço.
Jogo do Santa Cruz é sempre como a primeira bimbada tu não sabe o que vai acontecer, as mãos gelam, o coração dispara e os intestinos se dissolvem.
É uma dor de barriga na portinha!
Domingo, marcho para a missa, trajado com o manto sagrado do Santinha.
Na igreja, tem gente de todo jeito, alguns com camisas de seus times de fé e devoção.
Um engraçado (sem graça alguma) me pergunta: - É a camisa do São Paulo? Só não respondo a altura porque estou em solo sagrado.
Começa a missa.
Tome evangelho, tome sermão e tome hóstia.
Acabou, ¨Ite missa est¨
Na saída da igreja o padre me cumprimenta e diz: - Bela camisa. E toca no escudo do Santinha. Eu respondi. Seu padre precisamos de muita oração.
Pois, nesse domingo o Santa Cruz levou uma arrombada pior que aquele jogo com o Bahia.
Eu cheguei a conclusão que: Não se deve ir a missa com a camisa do Santa Cruz.
Dá um azar arretado!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A um passo da Série C



Fotografias de Helder Tavares/DP

A UM PASSO DA SÉRIE C

Clóvis Campêlo

Ontem, não fui a Campina grande ver o jogo do Santa Cruz contra o Treze. Também não estava a fim de ficar em casa, ouvindo o jogo pelo rádio e me estressando desnecessariamente. Peguei a minha gata e me mandei para a orla de Olinda. O meu amigo Tuca Frazão havia me dado a notícia falsa de que, no Varadouro, haveria um ensaio do bloco carnavalesco Ceroulas. Não houve o desfile, mas aproveitamos o ensejo para tomar uma loiras suadas com caldinho de polvo. Uma delícia! A tarde morna e azul do verão trazia uma brisa agradável.
No intervalo do jogo, ligo para casa e Jorge, meu genro, informa que o Treze estava ganhando de 2x0 e com mais volume de jogo. Tremi na base e temi mais uma catástrofe. Voltei para a mesa e reforçamos a cerveja e o caldinho. Se o Santinha virasse o jogo já estaria no clima para comemorar. Se perdesse ou levasse uma goleada, placar que se insinuava no primeiro tempo do jogo, chegaria em casa devidamente anestesiado. Sabia também que independentemente do resultado de ontem ainda haveria o segundo jogo, no dia 16, no Estádio do Arruda. Nada de desespero, portanto. A esperança é sempre a última que morre e nós, tricolores do Arruda, estamos mais do que calejados nessa prática de sobrevivência.
A noite já começava a cair sobre o mar de Olinda, quando decido ligar o rádio do carro para ver como andava o jogo. Feliz da vida, escuto o locutor narrar o gol de empate do Santa Cruz, o terceiro no jogo, marcado por Fernando Gaúcho. O acaso não poderia ter sido mais generoso comigo. Vibrando muito, eu e minha gata escutamos os minutos finais do jogo e voltamos para casa felizes com o Santa, por ter reagido e se mantido vivo na disputa pela ascensão. Agora, é encarar a decisão do próximo domingo e garantir a vaga na Série C do próximo ano. Depois, lutar legitimamente pela conquista do título de Campeão da Série D, em 2011, o nosso primeiro título nacional.
Hoje, de alma lava e enxaguada, como diria Odorico Paragassu, e superada a minha crise de covardia auditiva, escrevo estas mal traçadas e emocionadas linhas. Por tudo o que já passamos até aqui, por toda a nossa capacidade de superação, acredito que merecemos o acesso e o título. Só depende de nós mesmos.
Ontem, no Estádio Amigão, em Campina Grande, mais uma vez acompanhado por sua fiel torcida, o Santa Cruz se superou e empatou em 3x3 com o Treze, atuando com Tiago Cardoso; Éverton Sena (Eduardo Arroz), André Oliveira e Leandro Souza; Memo, Chicão, Wesley, Natan (Bismarck) e Dutra; Ludemar (Fernando Gaúcho) e Tiago Cunha. Treinador, Zé Teodoro. Gols de Fernando Gaúcho (2) e Tiago Cunha.
Um time de guerreiros!

domingo, 9 de outubro de 2011

Santa Cruz, o clube dos torcedores mais apaixonados do Brasil





SANTA CRUZ, O CLUBE DOS TORCEDORES MAIS APAIXONADOS DO BRASIL

Letícia Lins

RECIFE - Pelo Santa Cruz, tudo. Até viajar 19 horas de bicicleta para assistir a um jogo. Ou então trocar a romaria de devoto a Padim Ciço por uma partida no Estádio do Arruda. O amor ao clube do coração fez o torcedor mudar até a cor dos dentes. Seu sorriso, hoje, é tricolor: vermelho branco e preto. Já a mulher, mandou andar. Depois de 20 anos de vida em comum, descobriu que, na surdina, ela torcia pelo Sport. E traição em casa, nem pensar. Parece exagero, mas é assim que Jare Mariano da Silva, 71, o torcedor mais fiel do Santa Cruz, ajuda o clube de Pernambuco a ter a melhor média de público entre todas as divisões do futebol no Brasil: 36.618 torcedores por jogo no Arruda. Com o detalhe de que atualmente o tricolor disputa a Série D, a quarta e última divisão do Campeonato Brasileiro
Em termos de mobilização, a torcida do Santa dá um banho em Flamengo e Corinthians, os dois clubes mais populares do país. Chova ou faça sol, a massa está sempre lá, gritando, torcendo, sorrindo ou chorando. Gente como Bacalhau, como Jare é mais conhecido. Morador de Garanhuns, cidade a 230 quilômetros de Recife, ele já perdeu as contas das vezes que cruzou a BR 232, sobre duas rodas, para ver seu time jogar. Fanático, não usa outra camisa que não seja a do uniforme tricolor. Não dispensa as cores do clube nem mesmo na cueca. Na casa onde reside, a encanação e a fiação elétrica têm as cores que vê até dormindo. Nem o abacateiro do fundo do quintal escapa da obsessão pelo Santa Cruz:
- Quando os frutos começam a crescer, pinto de preto, vermelho e branco - diz Bacalhau, que troca até a devoção a Padre Cícero e Nossa Senhora da Conceição, para ver o seu time. - Os santos me perdoam por causa do meu amor ao Santa Cruz.
Quando todos pensam que pedalar 19 horas é o máximo que um torcedor pode fazer pelo seu clube, surge em seu sorriso a paixão que leva Bacalhau a tomar decisões inusitadas, como arrancar todos os dentes da boca para colocar próteses coloridas. Nas cores do Santa Cruz, como não poderia deixar de ser.
- Fui ao dentista e pedi que pintasse os dentes com as cores do time. Mas ele explicou que a tinta tinha um material que faz mal à saúde. Mas disse que tinha materiais odontológicos nas cores que eu queria. Nem pensei duas vezes. Mandei arrancar tudo e botar uma dentadura tricolor. Foi a maior alegria de minha vida - recorda o torcedor, que já tem até o caixão no qual pretende ser enterrado um dia. - Tem cobra e tudo, diz, referindo-se à cobra coral que é símbolo do clube - completa.
Mas se engana quem pensa que Bacalhau é um caso isolado de paixão elevada à décima potência pelo Santa Cruz. A qualquer dia da semana é possível cruzar pelas ruas de Recife com um torcedor fanático pelo tricolor de Pernambuco. Na última semana, enquanto a equipe treinava para a partida com o Treze, domingo, em Campina Grande, válido pelas quartas de final da Quarta Divisão, o aposentado Celso Moreira da Silva exibia a longa barba tingida com as três cores do Santa Cruz.
- É a melhor forma de revelar a maior paixão do mundo - justifica o torcedor apaixonado.
A poucos quilômetros do Estádio do Arruda, no bairro de Apipucos, o pequeno comerciante Valdemar Vicente da Silva, o Pol, não honra nem as datas sagradas da família quando o assunto é o Santa Cruz. Não existe nada mais importante para Pol no planeta durante os 90 minutos de um jogo do Santa Cruz.
- No meu aniversário, a casa estava cheia e eu sumi para ver o jogo. Minha mulher ficou tão chateada que passou 15 dias sem falar comigo - conta, ao lado de Íris, a esposa que mudou de time para salvar a união.
- Quando a conheci, ela era rubro-negra (as cores do Sport). Eu disse que para casar comigo, só se mudar de time, lembra.
Resultado: hoje toda a família é tricolor. E já está organizando uma grande carreata para o próximo dia 16, quando o time receba o Treze no jogo de volta. Ninguém admite a hipótese de o Santa não subir este ano para a Série C.
Nascido na mesma cidade de Bacalhau, Patric Dias é o gerente da loja que fica no estádio e vende 400 produtos licenciados. Ele é testemunha ocular da fanática paixão da torcida tricolor:
- A procura é tanta, que a gente não consegue manter o estoque. Faltam produtos até do principal fornecedor - explica o comerciante.
Domingo, pelo menos 100 ônibus devem deixar Recife em direção a Campina Grande. Nem o preço do ingresso (R$ 40) assusta os torcedores, acostumados a preços mais camaradas nos jogos no Estádio do Arruda.
- A torcida nunca abandonou o time, nem mesmo nos momentos mais difíceis, quando o Santa Cruz, ano a ano, caía de divisão. Quanto mais dificuldade, mais fiel o torcedor fica. A torcida tem fidelidade e humildade, diferente de outras que são marcadas pela arrogância e pela prepotência. O clube é muito popular e para o torcedor não tem fronteira nem distância. Já vimos muita gente vender bicicleta ou ficar sem comer para assistir a um jogo. Nossa torcida é o combustível do clube - afirma Constantino Júnior, diretor do clube.

PROBLEMAS À VISTA

Para os jogadores, a torcida é a alma do Santa Cruz.
- Espero que no próximo domingo os torcedores compareçam em massa ao jogo. A presença da torcida é muito boa. Ela é o nosso 12 jogador - afirma o atacante Kiros.
Para o jogo de domingo, em Campina Grande, a torcida espera problemas. O Treze ficou de enviar dois mil ingressos para Recife, desde que a diretoria do Santa Cruz pagasse antecipadamente. O clube não aceitou, porque considera R$ 40 muito caro por uma entrada de arquibancada. Assim, os ingressos só serão vendidos nas bilheterias do estádio.
Além de Treze x Santa Cruz, as quartas de final terão dois jogos domingo: Cuiabá (MT) x Independente (PA) e Oeste x Mirassol. O Tupi-MG ainda espera seu adversário, que sairá de Itumbiara (GO) x Vila Nova (MG), ainda pelas oitavas. Os semifinalistas vão para a Série C.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

História, números e resultados



HISTÓRIA, NÚMEROS E RESULTADOS

Clóvis Campêlo

O Treze Futebol Clube, de Campina Grande, também conhecido como o Galo da Borborema, nosso próximo adversário na Série D do Campeonato Brasileiro de 2011, foi fundado no dia 7 de setembro de 1925, por treze desportistas paraibanos, liderados por Antônio Fernandes Bióca, considerado pelos historiadores locais como o introdutor do futebol na cidade.
Possui 15 campeonatos estaduais conquistados, com destaque para o título de 1966, ganho de forma invicta e que representa a estrela que o clube ostenta na camisa, acima do escudo.
Entre outros títulos conquistados pelo clube paraibano, consta o do Módulo Amarelo (2ª Divisão) do Campeonato Brasileiro de 1986.
Em 2005, fez uma grande campanha na Copa do Brasil, eliminando o Ulbra do RS, São Caetano e Coritiba, e sendo eliminado nas quartas de finais pelo Fluminense carioca.
Segundo o pesquisador pernambucano Carlos Celso Cordeiro, em matéria divulgada no Jornal do Commercio de ontem, ao longo do tempo, Santa Cruz e Treze já se enfrentaram 80 vezes, com 38 vitórias corais, 21 empates e 21 vitórias paraibanas. Ainda segundo o mesmo pesquisador, do ano 2000 para cá foram realizados sete encontros entre as duas tradicionais equipes do futebol nordestino, com quatro vitórias do Santa Cruz, um empate e duas vitórias do Treze. Nos dois últimos jogos realizados entre as duas equipes, ambos no Estádio do Arruda e pelo Campeonato de Nordeste, dois resultados distintos. No primeiro, em 2009, o Santa venceu pelo placar de 2x0. No segundo, em 2010, a equipe paraibana vencia por 4x3, quando abandonou o campo insatisfeita com a marcação de um pênalti a favor do tricolor pernambucano. Como se pode verificar, até o momento presente as estatísticas nos são favoráveis.
Na Série D deste ano, ambos os clubes realizaram dez jogos. O Santinha obteve 5 vitórias, 4 empates e uma derrota, marcando 11 tentos e sofrendo 6. O Treze conquistou 7 vitórias e foi derrotado 3 vezes, marcando 20 gols e sofrendo 12.
Os números acima nos mostram duas equipes que se equivalem. O Santa Cruz mais forte na defesa, enquanto o Treze com mais capacidade ofensiva, o que, com certeza, dará um tempero maior aos dois jogos.
Não sabemos ainda se o primeiro jogo, em Campina Grande, será no Estádio Amigão, com capacidade para 35 mil pessoas, o que nos favorece, ou será no Estádio Presidente Vargas, do Treze, com capacidade para apenas 10 mil torcedores, um verdadeiro alçapão.
Convém esclarecer ainda que nos últimos jogos em casa o Treze tem mantido uma média de público de pouco menos de cinco mil torcedores por partida. Nada que se compare com a imensa força da torcida coral.
A sorte está lançada. Vamos juntos encarar essa última etapa da nossa caminhada em busca da Série C em 2012.

domingo, 2 de outubro de 2011

Passo a passo




PASSO A PASSO

Clóvis Campêlo

Não é só pelas ladeiras de Olinda, durante o Carnaval, que a cobra coral arrasta multidões. Nessa Série D, temos demonstrado que a nossa torcida fiel acompanha a cobrinha para onde ela for. Ontem, em Coruripe, foi assim. Cerca de 1.400 torcedores corais invadiram a cidade e assistiram ao empate de 0x0 com o time local, comemorando a classificação do Santinha à fase seguinte do torneio. Em um estádio cujo público médio nos jogos da Série D era de pouco mais de 700 pessoas, colocamos o dobro disso nas arquibancadas e ainda arrastamos mais 2.300 torcedores locais para ver a nossa classificação. A cobrinha quando entra no gramado é sempre uma atração a mais.
Agora, estamos a apenas dois jogos da Série C, em 2012, mantendo acessa a esperança de voltarmos, passo a passo, à Série A em 2014, ano do nosso centenário. Dentro de campo, conquistamos o resultado que nos interessava. Tudo isso com muita luta, garra e perseverança.
Mais uma vez, Zé Teodoro surpreendeu a todos escalando a equipe de forma inesperada e reutilizando o esquema 3-5-2, cuidando da defesa e contra-atacando com segurança. Deu certo e agora temos mais uma semana de preparação e correção dos erros para o próximo jogo.
Ontem, no estádio Gerson Amaral, em Coruripe, contra a equipe de mesmo nome, empatamos com Tiago Cardoso; Éverton Sena, Walter e André Oliveira; Memo, Jeovânio (Bismarck), Wesley, Washington e Dutra; Tiago Cunha (Chicão) e Kiros (Ludemar). Treinador, Zé Teodoro. Público de 3.684 pessoas para uma renda de R$ 43.580.
Agora é esperar que Treze de Campina Grande e o Santa Cruz potiguar decidam a outra vaga para sabermos quem será o nosso próximo adversário. Passando por ele, estaremos no quadrangular final, garantindo o acesso, independentemente do título.

sábado, 1 de outubro de 2011

O mais querido



O MAIS QUERIDO

Com 33.450 pagantes por jogo, o Santa Cruz tem a maior média do Campeonato Brasileiro. Em todas as divisões. É seguido pelo Corinthias (27.212), São Paulo (21.506), Bahia (21.060), Coritiba (18.673) e Sport (17.698). Na Quarta Divisão, quem mais se aproxima do tricolor pernambucano é o Itumbiara, com 10.032. É o 18º da lista. O Náutico é o 21º, com 9.704.

Fonte: Jornal do Commercio, Recife, 01/10/2011