segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Osso duro de roer



OSSO DURO DE ROER

Clóvis Campêlo

Dizem os entendidos em futebol que torcida não ganha jogo. É a mais pura verdade. Se não o fosse, nós, tricolores do Arruda, já estaríamos classificados com méritos e não teríamos amargado tantos empates e vitórias apertadas ao longo dessa Série D. Em termos de torcida, temos dado banho em grandes clubes do futebol brasileiro e provado, acima de tudo, que somos o Mais Querido de Pernambuco e temos a maior torcida do Estado. Alguém duvida disso?
Uma outra verdade irrefutável: folha salarial alta também não é suficiente para garantir vitórias. Se assim fosse, não teríamos ganhado o Campeonato Pernambucano de 2011, desbancando Sport e Náutico, primos ricos e prepotentes.
Porém, se no Estadual éramos os primos pobres entre os grandes do futebol pernambucano, na Série D do Campeonato Brasileiro temos uma das maiores folhas de pagamento, um treinador competente e reconhecido, e estamos comendo o pão que o diabo amassou para derrotar equipes consideradas menores e de centros futebolísticos mais atrasados.
Dentro de campo, companheiros corais, principalmente na Série D, são onze contra onze e o que vale é a raça, a determinação e a capacidade de superação de cada um. Por isso que Zé Teodoro tem insistido tanto na ressurreição do “espírito do estadual”, essa entidade mística que nos permitiu a superação e a conquista de um título importantíssimo para o nosso ego e nossa auto-estima.
Ontem, no Arruda, mais uma vez, nós sentimos isso na pele. O time do Coruripe valorizou sobremaneira a nossa vitória e deixou claro que lá, em Alagoas, na noite do próximo sábado, não encontraremos moleza alguma. O time alagoano, sintomaticamente chamado de Hulk por seus torcedores, já demonstrou que tem qualidades técnicas e que tem disposição para a briga. E isso tudo, o Santinha terá de superar dentro de campo com muita garra e espírito de luta.
Além do mais, não poderemos contar com o zagueiro Leandro Souza, expulso aos seis minutos do segundo tempo do jogo de ontem, e corremos o risco de também não contarmos com o atacante Tiago Cunha, que será julgado na quinta-feira, por sua expulsão impensada em João Pessoa, no jogo contra o Guarani de Juazeiro.
Passando pelo Coruripe, possivelmente enfrentaremos o Treze de Campina Grande, que derrotou em casa ao Santa Cruz potiguar, por 3x1.
Na vitória de ontem, jogamos com Tiago Cardoso; Memo, Leandro Souza, André Oliveira e Dutra; Chicão, Washington (Geovânio), Wesley e Natan (Éverton Sena); Fernando Gaúcho e Tiago Cunha (Jéferson Maranhão). Técnico, Zé Teodoro. Público de 44.642 pessoas para uma renda de R$ 454.245. Gol solitário de Tiago Cunha.

domingo, 25 de setembro de 2011

Henágio, o último boleiro assumidamente boêmio



HENÁGIO, O ÚLTIMO BOLEIRO ASSUMIDAMENTE BOÊMIO

Publicado no Jornal do Commercio, Recife, em 10.01.2010

Futebol é feito de ídolos. Muitos o torcedor não esquece. A partir de hoje, o JC publicará quinzenalmente uma reportagem com um jogador do passado. O primeiro é o boêmio Henágio, craque de Santa e Sport nos anos 80.

João de Andrade Neto

O sergipano Henágio Figueiredo dos Santos cravou seu nome na história do futebol pernambucano na década de 80 com muitos gols, dribles e passes precisos. Principalmente no Santa Cruz, pelo qual conquistou os estaduais de 1983 e 1987. Mas Henágio também se notabilizou pelo que fazia fora de campo. Boêmio assumido, o jogador nunca dispensou uma cervejinha, muito menos cigarros quando não estava em campo. Chegava a fumar quatro maços por dia quando ainda era jogador profissional.
Na última terça-feira, o ex-ídolo coral concedeu uma entrevista ao Jornal do Commercio e ao Blog do Torcedor. O local não poderia ser mais emblemático: um bar simples no bairro de Água Fria, Zona Norte do Recife. Regado a cerveja e moela de galinha como tira-gosto, o ex-jogador relembrou sua vida dentro e fora das quatro linhas. E esbanjando sinceridade foi enfático ao afirmar que a combinação entre álcool e futebol sempre existiu na vida de muitos jogadores profissionais. Até hoje.
“Comecei a beber e a fumar quando virei jogador. Era juvenil e o pessoal do profissional me mandava comprar cigarros e depois acender. Cheguei a fumar quatro maços por dia e, às vezes, também nos intervalos dos jogos. Com a cerveja foi a mesma coisa. Sempre bebi e nunca neguei. Só não bebia na concentração. Fim de semana e dia do jogo era sagrado para não beber”, garante.
“Uma vez foram dizer para um diretor que eu estava no pagode. No outro dia, antes do treino, esse diretor me perguntou quantas cervejas eu tinha bebido. Eu disse 10, mesmo só tendo bebido quatro. Costumo dizer que só bebe quem joga, porque resolve dentro de campo. Hoje acontece a mesma coisa. Jogador de futebol é tudo igual. Muda só o nome. Tem jogador que só toma uísque, outros que só tomam vodca. Isso é normal e nunca me atrapalhou”, garante.
Com ar de professor da boemia boleira, Henágio, no entanto, diz que para conseguir “sobreviver” conciliando as duas “atividades” é preciso saber separar os dois papéis. “Nunca fugi de uma concentração para beber. Agora se jogasse na quarta-feira, não tinha porque não ir para o bar após a partida. Dentro de campo, era jogador profissional. Fora dele, vivia minha vida normal, como qualquer pessoa. Mas vi muitos jogadores que tinham futuro se deixarem levar pelas más amizades e sucumbirem por não saberem separar isso”, recorda. “Muitos falam que a preparação física atual é bem mais exigente que a da minha época. Para mim, é tudo igual. Além do mais, hoje em dia é mais fácil ser jogador por causa dos empresários, que conseguem clubes para qualquer perna dura (jogador ruim). Antes não havia isso. Para um jogador ser contratado, precisava provar que era bom mesmo.”
E para quem ainda insiste em criticar o “estilo Henágio” de conviver com o futebol, o ex-jogador responde com bom humor. “Na minha época, a própria imprensa premiava o melhor jogador em campo com duas caixas de cerveja. Como queria que o cara não bebesse depois? Criticar depois é fácil”, relata.
Hoje, aos 48 anos, Henágio ganha a vida com uma escolinha de futebol em Aracaju. Apesar de ter atuado em grandes clubes como Guarani, Sport, Santa Cruz e Flamengo, onde chegou a ser apontado como substituto de Zico, o ex-ídolo de tricolores e rubro-negros não fez fortuna. Apesar de não passar por dificuldades financeiras, tem hoje uma vida simples. Mas se diz feliz e não se arrepende das escolhas tomadas.
“Se ganhasse 10, gastava 10. Se ganhasse 100, gastava 100. Cheguei a levar para casa três sacolas de supermercado cheias de dinheiro de uma premiação. Mas tudo acaba um dia. Não me arrependo de nada. Conheci o mundo sem gastar nada e ainda recebendo por isso jogando futebol. Hoje, enquanto tiver meu dinheirinho para tomar uma cervejinha com minha esposa, estou tranquilo”, encerra Henágio, antes de pedir a saideira.

sábado, 24 de setembro de 2011

Galeria de imagens














GALERIA DE IMAGENS
Santa Cruz 2x1 Alecrim
Recife, 18/9/2011
Fotografias de Clóvis Campêlo

Baiano e Betinho, os maiores da história do Arruda



BAIANO E BETINHO, OS MAIORES DA HISTÓRIA DO ARRUDA

Em 35 anos, muitos craques e pernas de pau desfilaram sua arte no gramado do Arruda. Porém, poucos jogadores possuem uma ligação tão forte com o estádio como os capixabas Valmecir Margon e Roberto Fontana Madeira, ou simplesmente Baiano e Betinho, ídolos de tricolores, alvirrubros e rubro-negros nas décadas de 1970 e 1980.
Baiano, que além de atuar pelos três grandes da capital teve também uma passagem pelo Central, é o maior artilheiro do Mundão, com 128 gols, sendo 70 deles marcados pelo Náutico e 56 pelo Santa. Anotou ainda um gol pelo Sport e outro pela Patativa.
Já Betinho foi o autor do primeiro tento após a primeira ampliação do estádio. Foi na vitória do Santa por 1x0 sobre a seleção olímpica do Brasil, no segundo jogo do "novo Arruda". Betinho também tem a honra de ser o único jogador a receber uma placa graças a um gol marcado no templo coral. A homenagem está fixada no hall de entrada do clube, próximo as piscinas. O Gol de Placa foi anotado sobre o Ferroviário, pelo Campeonato Pernambucano de 1978, do meio-do-campo. Betinho é ainda o segundo maior goleador do José do Rego Maciel, com 112 gols, 98 deles pelo Santa. É, portanto, o maior artilheiro coral no seu reduto. No Mundão, fez outros sete gols pelo Náutico e mais sete pelo Sport .
"Você me pegou de surpresa. Não sabia que era o maior artilheiro do Arruda. Isso para mim é uma satisfação. É gratificante fazer parte da história de um estádio que é o símbolo do futebol nordestino", afirmou Baiano, que reside atualmente em Vitória (ES). "Tive a honra de fazer o gol do jogo que marcou a inauguração do anel superior (em 1982). A partida foi de portões abertos e o público estimado foi de mais de 80 mil pessoas", recorda.
Já Betinho, que continua ídolo entre os tricolores – durante a visita ao estádio foi diversas vezes cumprimentado por torcedores e funcionários do clube – ainda tem bem viva na memória a imagem dos dois gols históricos. "O primeiro gol foi marcado quase no final do jogo. Estava no bico da pequena área, recebi um lançamento e chutei cruzado. Só que o Abel (Braga, ex-zagueiro e hoje treinador) vinha correndo e caiu com o corpo em cima da minha perna esquerda. Passei três meses inativo. Já o gol do meio-de-campo teve uma enorme repercussão nacional porque eu fui um dos primeiro no Brasil a conseguir fazê-lo. Depois do Pelé, na Copa de 1970, ninguém tinha mais tentado", relembra.

Fonte: Jornal do Commercio, Recife, 03/6/2007

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Mazinho: "O Deus de Ébano"



Dario e Mazinho marcaram época no futebol pernambucano

MAZINHO: "O DEUS DE ÉBANO"

Kauê Diniz

Ele jogou no Santos de Pelé e Clodoaldo, antes de vir para o Santa Cruz, onde ganhou o apelido de "O Deus de Ébano". Para alguns torcedores, sobretudo do Santa Cruz, Mazinho está no hall dos melhores jogadores que já passaram pelo futebol pernambucano. Atacante de extrema habilidade, o ex-jogador fez parte daquele time da década de 70, apelidado de o "Terror do Nordeste". Longe dos holofotes, Mazinho, atualmente, vive em Araraquara/SP, onde é vizinho do ex-ponta-esquerda coral Pio, e espera um convite para dar continuidade à carreira de técnico de futebol.
Em seu primeiro ano no Arruda, Mazinho já contribuiu para levar o clube a melhor campanha da sua história no Brasileiro, quando o Santa terminou na quarta posição. Marcou sete gols, três deles em cima do Náutico. Outros deram a vitória ao Tricolor, como no 1x0 contra o Cruzeiro e o Corinthians. O "Deus de Ébano" só ficou atrás de Ramón e Fumanchu (ambos com oito), na artilharia coral daquele Nacional. "Foi a melhor época da história do Santa Cruz. Lembro de quase todos os jogos daquela época", conta o ex-atacante.Coincidentemente, a partida que mais marcou Mazinho foi uma na qual ele teve uma grande alegria e uma enorme decepção. O jogo foi no dia 3 de dezembro de 1975, no Maracanã, e o Santa Cruz derrotou o Flamengo por 3x1, com dois gols de Ramón e um de Volnei. Zico descontou para os rubro-negros. "Quando chegamos no aeroporto do Rio, tinha vários torcedores do Flamengo nos chamando de cabeças-chata e Paraíba, por sermos nordestinos. Diziam que iam nos golear, mas ganhamos do Flamengo de Zico e Paulo César Caju", diz orgulhoso Mazinho, que não pôde comemorar a vitória na ocasião."O zagueiro Luis Carlos, do Flamengo, pisou na minha perna, e rompeu todos os ligamentos do meu joelho. Tive que ser operado e não pude jogar a partida (semifinais do Brasileiro) contra o Cruzeiro. Isso aconteceu na minha melhor fase, quando era cotado para ir à Seleção Brasileira, como aconteceu com meus companheiros Givanildo, Nunes e Ramón. Fiquei muito triste, porque depois dessa contusão, não consegui voltar a jogar do mesmo jeito. Terminei encerrando minha a carreira cedo", lamenta.
Até hoje, alguns tricolores argumentam que se Mazinho tivesse em campo contra o Cruzeiro, o time teria vencido o jogo e disputado a final contra o Inter. "O pessoal fala até hoje isso! Fico feliz. Eu realmente estava bem encaixado no esquema tático do técnico Paulo Emílio. Mas o Cruzeiro era um time forte também", diz o ex-jogador, lembrando de onde surgiu o apelido. "Foi um jornalista tricolor chamado Júlio José. O Santa procurava um ídolo desde a saída de Luciano. Como eu fazia umas jogadas bonitas, ele começou a me chamar de Deus de Ébano. O apelido terminou pegando".

PERFIL
Nome: Alvimar Eustáquio de Oliveira
Apelido: Mazinho
Data de nascimento: 20/02/48
Onde nasceu: Belo Horizonte/MG
Trajetória no futebol: Rio Preto/SP (1967), Guarani (1968), Paulista (1969), Santos (1970-71), Grêmio (1972-74), Fluminense (1974), Santa Cruz (1975-77), Bahia (1978) e Ferroviária/SP (1979-80).


Fonte: Folha de Pernambuco, Recife, 19/11/2006

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pio: o camisa 11 tricolor



PIO: O CAMISA 11 TRICOLOR

Kauê Diniz

Entre 1974 e 1978, a camisa 11 do Santa Cruz teve um único dono.
Exímio cobrador de faltas, Pio fez parte dos tempos áureos do Tricolor, no qual o clube era respeitado nacionalmente. Ainda hoje, ele se orgulha de ter participado do bi-supercampeonato coral e da inesquecível campanha do Brasileiro de 1975, quando o time ficou na quarta colocação.
Após abandonar os gramados, o ex-ponta-esquerda retornou para sua cidade natal, Araraquara/SP, onde dá aulas de Educação Física para estudantes de Odontologia, Química e Farmácia da Unesp.
A vinda de Pio para o Arruda foi por acaso. Devido a uma contusão, ele tinha perdido a posição no Palmeiras para o ponta-esquerda Ney. Como estava no auge da carreira, decidiu aceitar uma proposta do Santa Cruz. Um ano depois, a aposta comprovou ter sido válida."Fizemos uma grande campanha no Brasileiro. Não chegamos à final porque perdemos aquele jogo para o Cruzeiro (3x2) no Arruda. Mas vivi anos maravilhosos aí. O bi-supercampeonato pernambucano (em 1976) é um dos títulos que mais me orgulha. Tínhamos um grande time, com Ramón, Givanildo, Nunes, Luciano ...", diz Pio.
Por sinal, foi no Brasileiro de 1975 e no Estadual do ano seguinte que Pio fez suas partidas mais inesquecíveis pelo Tricolor. "Estávamos perdendo para o Palmeiras por 2x1, no Parque Antártica. Aí bati uma falta, a bola bateu no peito do Leão (hoje técnico do Corinthians) e sobrou para Lula (Pereira, também treinador atualmente), que fez o gol de cabeça. Depois viramos num gol de falta meu. Esse jogo foi o que nos deixou entre os quatro melhores daquele Brasileiro", recorda.
Outro jogo importante foi a primeira partida do Supercampeonato Pernambucano de 1976. Na Ilha, o Santa venceu o Sport por 2x0, no dia 25 de julho. "Eu era dúvida para aquele jogo porque estava com uma distensão. Queria entrar no jogo para resolver e depois pediria para sair. Foi o que fiz. Meti duas bolas, uma para Nunes e outra para Betinho, e saímos do primeiro tempo com 2x0 no placar", conta o ex-ponta-esquerda, que lamenta a situação atual do Santa Cruz."A gente segue de longe acompanhando o Santa Cruz. Sempre vejo pela internet o que está acontecendo com o clube. E estou muito triste com essa situação de hoje. Peguei uma época boa aí. Nosso time sempre correspondia."Ainda hoje, Pio marca presença no futebol pernambucano. Conterrâneo e amigo do ex-técnico do Sport, Dorival Júnior, foi ele quem indicou o meia Welington para o treinador. "Eu estava como gerente de futebol da Ferroviária/SP até pouco tempo. E o Welington, que jogava conosco, é um dos jogadores com mais qualidade de bola parada que já vi. Por isso, indiquei ele para o meu amigo Dorival", revela.

PIO
Nome: Osmar Alberto Volpe
Apelido: Pio
Data de nascimento: 15/11/44
Onde nasceu: Araraquara/SP
Trajetória no futebol: Ferroviária/SP (1963-69); Palmeiras (1969-74); Santa Cruz (1974-78); Colorado/PR (1979-81); Sãocarlense (1981) e Novorizontino (1982)
Títulos: campeão paulista da Segunda Divisão (1966); tricampeão do interior paulista (1967, 68 e 69), campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1969); paulista (1972-invicto), bicampeão brasileiro (1972-73), campeão pernambucano (1976 e 78) e campeão paranaense (1980).


Fonte: Folha de Pernambuco, Recife, 05/11/2006

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um sinuoso caminho



UM SINUOSO CAMINHO

Clóvis Campêlo

Em qualquer circunstância, uma vitória é sempre importante para um time de futebol. E foi isso o que aconteceu ontem, no Arruda. Vencemos o Alecrim de Natal por 2x1 e nos credenciamos a prosseguir na Série D do Campeonato Brasileiro de 2011.
No próximo domingo, novamente nas Repúblicas Independentes do Arruda, enfrentaremos o Coruripe, dando início ao mata-mata e prosseguindo nesse sinuoso caminho rumo à Série C, em 2012.
De uma coisa temos certeza: apesar da classificação para a próxima fase, o time coral ainda não engrenou na competição e precisa melhorar. Não podemos dormir sobre os louros da suada vitória. O treinador Zé Teodoro, com toda a sua competência e vivência futebolística, sabe disso.
Mas a hora presente é de superação. E mesmo cientes das nossas deficiências técnicas temos de seguir em frente com o elenco disponível. Nesse ponto, ao analisarmos as contratações feitas, ficamos com a impressão de que faltou o devido planejamento por parte da direção coral. Em diversos momentos, o nosso treinador já deixou transparecer que vários dos jogadores contratados pelo Santa Cruz não foram por ele indicados ou tiveram a sua prévia aprovação. Não adianta quantidade sem qualidade técnica.
Pelo desempenho dentro de campo e pelas atuações irregulares que presenciamos, temos a impressão de que a equipe coral que disputa a Série D é inferior ao time que conquistou com méritos o Estadual deste ano. As peças perdidas não foram repostas com a devida competência, modificando técnica e taticamente a maneira da equipe jogar. Na Série D, houve da nossa parte um nivelamento por baixo com equipes mais frágeis e sem a tradição de grandes conquistas no cenário esportivo nordestino.
Mas vencemos e nesse momento é isso o que importa. No jogo de ontem, vencemos com Tiago Cardoso; Roma, Leandro Souza, André Oliveira e Dutra; Chicão, Memo, Weslley e Natan (Jéferson Maranhão); Flávio Recife (Ricardinho) e Ludemar (Kiros). Técnico, Zé Teodoro. Renda de R$ 322.813 para mais um público excepcional de 33.099.
E aqui, tecemos mais uma loa à grande torcida coral, que ontem deu mais uma prova de força ao se equivaler ao público do clássico paulista entre Santos e Coríntias. Em um jogo de uma torcida só, como o de ontem, isso é muito significativo. Mostra coesão nas arquibancadas.
Para terminar, informamos que a Associação Atlética Coruripe foi fundada em 1º de março de 2003, sendo a atual vice-campeã alagoana de futebol. Nesses oito anos de existência, a alviverde coruripense foi bicampeã estadual em 2006 e 2007. Representa a cidade homônima que tem uma população de 52.160 habitantes, segundo o Censo 2010, e que caberia sem muito esforço dentro do nosso estádio.

domingo, 18 de setembro de 2011

Cuíca, um hepta na época do hexa



CUÍCA, UM HEPTA NA ÉPOCA DO HEXA

No ano que o Náutico começou sua saga do hexacampeonato, um baixinho dava início a uma carreira que se mostrava promissora, num bairro próximo aos Aflitos. Em 1963, João José Venceslau mostrava habilidade e muita velocidade jogando pelo clube amador do Cacique, na Várzea. Um ano depois, estava nas divisões de base do Santa Cruz, onde iniciava uma sequência de títulos superior a do Timbu. Cuíca, como ficou conhecido no futebol, foi hepta estadual.
Chamando atenção nas peladas e torneios defendendo o Cacique, Cuíca foi logo chamado para o Sport, pelo então técnico Alexandre Borges, das divisões de base, em 1964. Mas pouco depois optou pelo Santa Cruz, clube do coração. No Arruda foi campeão juvenil em 65, bi nos aspirantes em 66 e 67 e, já no profissional, participou dos quatro primeiros títulos do pentacampeonato coral.
“Em 1973 passei no vestibular de educação física e deixei o Santa. Joguei ainda dois anos no América, antes de parar”, diz o ex-ponta-direita, que fez história numa equipe que tinha Luciano Veloso, Fernando Santana, Ramon, Gena e Givanildo.
Dos diversos jogos inesquecíveis, Cuíca gosta de lembrar de dois, especificamente. São as finais de 1970 e de 71, ambas contra o Sport. “Em 70, fiz um gol e o outro foi de Ramon. Em 71, o tri foi com um gol meu”, recorda.
Ao pendurar as chuteiras, Cuíca só trocou de vestiários. Já estudante universitário, fez curso de árbitro e passou a apitar partidas de futebol de salão (hoje futsal) e, logo depois, de futebol de campo. Passou a integrar o quadro da Federação Pernambucana e chegou a ser aspirante à Fifa. “Era o único árbitro do Brasil que tinha um clube e não escondia”, afirma o tricolor.
Cuíca apitou a final do Estadual de 89, quando o Náutico sagrou-se campeão. Em cima de seu Santa Cruz. “E o gol do título do Náutico foi num pênalti que marquei”, relembra. Aposentado, agora aposta suas fichas no filho, Giorgio Wilton, Cuiquinha, que pertence à Comissão Estadual de Arbitragem. “Ele tem futuro. Vem apitando bem e já merecia mais chances”, diz, corujando.
Quanto ao futebol atual, o ex-ponta do Santa sente falta dos anos dourados. “Tem que ser saudosista sim. Hoje é só força. Quando aparece um Messi, um Neymar, todos se deslumbram. Antigamente haviam vários Messis”, afirma. “Eu mesmo preferia o drible ao gol. Uma vez, no Nordestão de 68, driblei o goleiro do Calouros do Ar-CE três vezes. Meus amigos correram para dar em mim. Mas ainda bem que fiz o gol...”, acrescentou, às gargalhadas.


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, em 02/5/2010

sábado, 17 de setembro de 2011

1951: um ano de pouco brilho



O goleiro Rugilo, do Vélez-Sarfields, que atuou no Recife

1951: UM ANO DE POUCO BRILHO


Clóvis Campêlo

Ao longo da sua história, o Santa Cruz enfrentou vários momentos de crises e de desempenhos insatisfatórios nos certames estaduais.
Em 1951, foi assim. Em um campeonato disputado por apenas cinco clubes (Náutico, Sport, América, Santa Cruz e Auto Esporte), a equipe coral ficou em penúltimo lugar, a frente apenas do Auto Esporte, uma equipe sem tradição e sem grandes conquistas no nosso futebol.
Antes do estadual, porém, que só se realizaria no segundo semestre, no dia 11 de janeiro, o Conselho Deliberativo do santa Cruz elegeu Antônio José Ferreira Leal e Yone Sabino Pinho, respectivamente , como presidente e vice-presidente do clube. Posteriormente, seria divulgada a composição total da diretoria, que ficou assim constituída:
Presidente: Antônio José Ferreira Leal; Vice-presidente: Yone Sabino Pinho; Secretário Geral: Antônio de Oliveira Belém; 1º secretário: Ernani Sá Carneiro; Tesoureiro: Ubaldo da Cunha Oliveira; 2º Tesoureiro: José Albuquerque; Diretor de Desportos: Carlos Afonso de Melo; Diretor de Futebol Amador: José Amaral; Diretor de Futebol Juvenil: Djalma Esteves; Diretor do Departamento Jurídico: Milton Malta Maranhão; Diretor do Departamento de Propaganda: Nilson Sabino Pinho; Diretora do Departamento Feminino: Maria Emília de Araújo Galvão; Diretor do Bar: José Antônio Botelho Santos.
Entre os componentes da nova direção, destaca-se a presença do major Carlos Afonso de Melo, ex-presidente do clube no biênio 1931/1932, quando conquistamos os nossos primeiros campeonatos estaduais.

OS JOGOS

Em 16 jogos disputados pelo Estadual, vencemos apenas cinco, empatando três e perdendo oito partidas. Marcamos 26 tentos e sofremos 31 gols. Uma campanha apenas sofrível, num certame ganho pelo Náutico (campeão do 2º turno) após uma melhor-de-três disputada contra o Sport (vencedor do 1º turno).
Durante todo o ano, o Santa Cruz efetuou 43 jogos, enfrentando desde equipes estaduais, como os acima citados, até equipes amadoras como o Atlântico de Olinda, campeão suburbano, o Colombo, de Limoeiro, e o Leão XIII, de Catende.
No âmbito interestadual, enfrentamos o Vasco da Gama e o Madureira, ambos do Rio de Janeiro; o Bahia e o Galícia, ambos da Boa Terra, além do Botafogo/PB, Treze/PB, ABC/RN, Moto Clube/MA, Auto Esporte/PB e o CRB/AL.
O jogo contra o Vasco foi realizado no domingo, dia 24 de junho, no Estádio da Ilha do Retiro, quando perdemos por 3x1. Segundo a imprensa da época, a equipe carioca não precisou de muito esforço para derrotar o time coral, estabelecendo o placar em ritmo de treino, em que pese o apoio da torcida tricolor e a grande renda registrada. Uma outra atração do jogo foi o juiz carioca Mário Viana, dos quadros da CBD e da FIFA, que foi auxiliado por Luiz Zago e Ivanildo Bezerra. Na equipe carioca atuou o ex-jogador alvi-rubro Amorim, marcando, inclusive, um dos tentos vascaínos. Friaça e Maneca completaram o placar para o Vasco, enquanto Paraíba, descontou para os pernambucanos.
O Santa Cruz perdeu com Brasil, Pessoa e Duca; Diogo (Ananias), Mariano e Pedrinho; Elói, Amauri, Paraíba, Santos e Sibaúna. Técnico: Valentim Navamuel.
O Vasco da Gama venceu com Barbosa, Augusto e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesourinha. Maneca, Friaça (Amorim), Ipojucan e Chico (Jair). Técnico: Oto Glória.
A equipe cuzmaltina, base da seleção carioca campeã brasileira em 1950, antes de enfrentar o Santa Cruz, também derrotou o Náutico e o América, saindo do Recife invicto e ratificando o seu cartaz de grande equipe.

ATRAÇÃO INTERNACIONAL

O ponto alto do ano, porém, foi quando no dia 9 de dezembro, a equipe coral enfrentou o Vélez Sarsfield, da Argentina, que por aqui excursionava patrocinado pela Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco, em comemoração aos 30 anos de existência da entidade. A equipe portenha realizaou três jogos entre nós, derrotando o Náutico por 3x2, na estréia, no dia 6; derrotando o Santa Cruz por 3x1, no dia 9, e vencendo o Sport por 3x2, no dia 25, de pois de atuar invictamente em campos da Paraíba e de Alagoas.
O jogo contra o Santa Cruz foi realizado no Estádio da Ilha do Retiro, sendo apitado por Argemiro Féliz de Sena, o Sherlock, auxiliado por Américo de Brito e José Miguel. Os gols foram marcados por Manzi, Mallegni e Costa, para os argentinos, e Mauri, para o Santa Cruz.
A equipe coral atuou com Milton, Pedrinho e Palito; Diogo, Artur e Totinha; Miguel, Procópio, Santos (Mauri), Natanael e Dodô.
O Vélez Sarsfield venceu com Rugilo (Adamo), Huss e Allegri; Scruglli, Ruiz e Ovide; Napoli, Mallegni (Beatrice), Russo (Costa), Zubeldia e Manzi.
Ao todo, durante o ano, o Santa Cruz realizou 42 partidas, vencendo 16, empatando 10 e perdendo 15 jogos. Marcou 84 gols e sofreu 73. Deixamos de computar dois jogos, um contra o Treza da Paraíba e outro contra o Leão XIII, de Catende, porque a imprensa da época não noticiou os resultados.

A DESPEDIDA DE GUABERINHA

Um detalhe interessante diz respeito ao empate de 2x2, contra o Sport, no dia 28 de janeiro, na Ilha do Retiro, pela Taça Torino, quando o lendário Guaberinha fez o seu último jogo com a camisa do Santa Cruz, atuando na lateral-direita.
Nesse jogo histórico, apitado por Luiz Zago, o time coral atuou com Brasil, Guaberinha e Palito; Mergulho (Diniz), Diogo e Pedrinho; Elói, Arquimedes, Milton (Mituca), Amauri e Adonias.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pitota



PITOTA

Clóvis Campêlo

Segundo os estudiosos da história do futebol pernambucano, Pitota foi o primeiro ídolo e artilheiro do nosso futebol.
Seu nome de batismo era Alcindo Wanderley e o apelido de Pitota surgiu para contornar a resistência do seu pai, um advogado famoso no Recife da época, que não queria vê-lo praticando o esporte bretão. Anos depois, o pai confessaria que ouvira falar muito na habilidade de um tal de Pitota, sem saber que se tratava do filho que proibira de jogar bola.
Não se sabe a data de nascimento de Pitota, mas provavelmente ele teria nascido em Olinda. Consta também que teria atuado por alguns clubes da Marim dos Caetés antes de ir estudar no Colégio Salesiano do Recife, em 1914, onde conheceu os fundadores do Santa Cruz.
A partir desse ano, atuando pelo clube, firmaria o seu nome como um grande goleador, chegando, inclusive, a ser o artilheiro do campeonato da Liga Sportiva Pernambucana, em 1917.
Em janeiro de 1915, foi eleita a segunda diretoria do Santa Cruz, que comandaria o clube no biênio 1915/1916. Pitota foi eleito vice-diretor de esportes. Na eleição seguinte, assumiu o comando da direção de esportes. Bom na oratória, também se elegeu orador do clube, nesse período. Foi também o primeiro sócio benemérito da história do Santa Cruz.
Pelo Santa Cruz, aliás, Pitota só não foi campeão pernambucano, mas participou de momentos marcantes da história do clube.
Um deles foi a inacreditável vitória conseguida contra o América, em 1917. Faltando 20 minutos para o fim da partida, o Santa Cruz perdia por 5x1. Atendendo a uma sugestão do capitão Tiano, Pitota se desloca e passa a atuar pela ponta direita para se livrar da rígida marcação americana. A tática deu certo. Pitota desequilibrou o jogo, municiando com competência os companheiros de ataque e ainda marcando o seu na espetacular virada. Resultado final: Santa Cruz 7x5 América.
Em 1919, outro triunfo inesquecível, dessa feita contra o Botafogo carioca. Consta que a vitória, a primeira obtida por um clube do Nordeste diante de um time do Sul-Sudeste, ofuscou até a presença do pai da aviação, Santos Dumont, que se encontrava de passagem pelo Recife.
Antes, em 1916, Pitota já havia participado da primeira excursão de um time pernambucano para outro Estado, ao acompanhar o Santa Cruz até Natal. O jogo, acertado por João Café Filho, que mais tarde viria a ser Presidente da República, após a morte de Getúlio Vargas, foi contra o ABC. Contando com Pitota, o Santa venceu por 4x1.
Consta que Pitota, finda a carreira de jogador de futebol, teria se mudado para Niterói, onde provavelmente veio a falecer.
Na década de 1970, o grande jogador foi homenageado com uma medalha de ouro pela diretoria do Santa Cruz da época, sendo reconhecido como o primeiro artilheiro do Mais Querido e de Pernambuco.
Salve Pitota!


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Bandeira alemã influencia nas cores do Santa



BANDEIRA ALEMÃ INFLUENCIA NAS CORES DO SANTA

Givanildo Alves

No ano seguinte (1915), quando se filiou à Liga Esportiva Pernambucana, que deu origem à FPF de hoje, o Santa Cruz teve de mudar suas cores que eram preto e branco, porque o Flamengo, que também era alvinegro, não quis abrir mão daquilo que considerava um direito irreversível. O Santa firmou-se também, na mesma posição de intransigência, tendo o impasse sido resolvido através de um sorteio. O que perdesse, mudaria suas cores. O Santa Cruz perdeu, transformando-se em tricolor até hoje.
Luiz Uchôa Barbalho revelou ao autor deste livro ter sido sua a idéia da introdução do vermelho, a fim de que a bandeira do seu clube ficasse se parecendo com a da Alemanha, por quem torcia na Primeira Guerra Mundial. "Por isso mesmo", disse-me, "fiquei sendo chamado de "germanófilo".
Lacraia (Teófilo Batista) e Ilo Just, ambos jogadores e fundadores do Santa, têm opiniões diferentes sobre o vermelho adicionado ao preto e branco de origem. O primeiro diz que a idéia de colocar o vermelho foi dele, enquanto o segundo afirma textualmente, no Fascísulo nº 1, editado em 1969, sobre a história do Santa Cruz: "Ainda estavámos em dúvida com respeito às cores, quando passou por aqui o Flamengo do Rio, que ia excursionar a Belém do Pará. Resolvemos nosso problema acrescentando o vermelho às nossas cores".
As cores da bandeira alemã tiveram histórias diferentes nos dois clubes de massa. Enquanto no Recife o vermelho foi acrescentado ao preto e branco por simpatias à Alemanha, no Rio de Janeiro os dirigentes do Flamengo tiraram imediatamente a listra branca que separava o vermelho do preto, exatamente para não ficar se parecendo com a bandeira alemã. Mário Filho, no livro "O Sapo de Arubinha", conta a pressa que o Flamengo teve para retirar a listra branca: "Quando afundaram um navio brasileiro e o povo saiu para a rua, para o quebra-quebra, descobriu-se que a camisa do Flamengo, com a linha branca separando o preto do vermelho, era como a bandeira alemã".
Mas não se pense que foram as cores, alvinegras ou tricolores, que fizeram do Santa um time do povo, da massa. O médico Martiniano Fernandes, o Tiano, que jogou no Santa Cruz de 1914 a 1917, é de opinião que o sucesso do clube foi o fato de ter sido fundado por gente jovem, meninos de 12 a 16 anos, enquanto o futebol pernambucano vivia de circunspectos ingleses e de brasileiros que voltaram da Europa, todos de pais ricos, verdadeiros burgueses. Além disso, o Santa tinha em suas fileiras Teófilo Batista de Carvalho, o popular Lacraia, primeiro "colored" do futebol pernambucano. Tiano diz que a presença de Lacraia serviu para estabelecer o elo entre as mais diversas classes sociais.
Mesmo depois de deixar de ser alvinegro, o Santa continuou sendo amado por pretos e brancos, ricos e pobres, até os dias de hoje. O moreno quase negro Lacraia abrasileirou o futebol pernambucano, até então praticado somente pela elite recifense misturada aos galegos de olhos azuis das companhias inglesas aqui instaladas. O Santa Cruz pôs um ponto final no anglicismo futebolístico reinante e iniciou o estilo de jogo nacional da ginga de corpo, do banho-de-cuia, da bola de efeito, do gol de letra, do drible e da picardia. Um futebol enfim narcisista como o espiríto brasileiro. Era a rutura do velho e a instalação do novo.

Fonte: História do Futebol em Pernambuco - Capítulo 7, Diário de Pernambuco, Recife, domingo, 09.07.1995, pag. A-21.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A sorte mudou?



A SORTE MUDOU?

Clóvis Campêlo

Meus caros amigos corais, a essa altura do campeonato, espero que Deus além de brasileiro também seja tricolor.
Ontem, no Almeidão, o Santa Cruz só precisava de um empate, contra o Guarani de Juazeiro, para se garantir na fase seguinte da famigerada Série D do Campeonato Brasileiro. Contrariando todas as expectativas positivas, perdeu. De nada adiantou ter marcado o seu gol logo no início do jogo. De nada adiantou a presença dos 2.175 abnegados torcedores que se arriscaram a ir a João Pessoa, acreditando num resultado favorável. Dentro de campo, o Santinha vestiu azul e a sua sorte mudou. Para pior.
Agora, no próximo domingo, no Arruda, temos a obrigação de vencer o Alecrim potiguar, para seguir em frente. Até um empate pode nos ser fatal. A nossa incompetência, ontem, superou todas as previsões.
Para mim, não adianta mais o argumento de que na Série D é assim. O Santa Cruz é o clube de mais tradição e história nessa competição falida da CBF. E tem a obrigação de comprovar isso dentro de campo. Não se admite mais um ano perdido nesse purgatório. Atualmente, somos os campeões pernambucanos de futebol, enfrentando equipes menores, algumas até sem uma estrutura adequada para a prática do futebol profissional. Dentro de campo, temos a obrigação de vencer e consolidar a nossa pretensa superioridade. Ontem, perdemos o jogo aos 42 minutos de segundo tempo, com um gol de bola parada marcado por Cristovão, jogador sem vez no futebol pernambucano e que durante o Estadual defendeu a frágil equipe do Ararapina. É esse o nível das equipes do Grupo 3. É nesse patamar que estamos exercitando a nossa incompetência. Muito triste para um clube que já foi considerado o Terror do Nordeste.
Ontem, em João Pessoa, fantasiados de fita-azul, enfrentamos e perdemos por 2x1 para o Guarani de Juazeiro com a seguinte formação: Tiago Cardoso; Roma, Leandro Souza, André Oliveira e Dutra; Jeovânio (Chicão), Mesmo, Weslley e Leandrinho (Jéferson Maranhão); Tiago Cunha e Ricardinho (Ludemar). Técnico, Zé Teodoro. Público de 2175 pessoas para uma renda de R$ 41.465. O nosso gol foi marcado por Tiago Cunha, aos 2 minutos da primeira etapa.
Para finalizar este texto lamuriento e mal humorado, afirmo que, ontem, em João Pessoa, perdemos sem direito a choro e lamentações. O treinador Zé Teodoro não precisou fazer improvisações em nenhuma posição e, mais uma vez, contou com Ricardinho e Leandrinho, jogadores de sua preferência, contratados por indicação sua, e que até o presente momento não justificaram as suas presenças dentro de campo.
Como a esperança é sempre a última que morre, no próximo domingo, contra o Alecrim potiguar, estaremos no Arruda torcendo pela vitória e pela permanência do Mais Querido na competição.

domingo, 11 de setembro de 2011

Galeria de imagens





Fotografias de Clóvis Campêlo e Cida Machado/2009

GRANDES TORCEDORES CORAIS

Clóvis Campêlo

Fotografias feitas no início de 2009, quando da reinauguração do Estádio do Arruda, após a reforma feita pelo presidente Fernando Bezerra Coelho.
No meio da massa coral, alguns torcedores símbolo do Santa Cruz, como Luís Cobrinha, Bacalhau, Biu da Cobra e o Super Santa.
Nesse dia, o Santinha ganhou do Central de Caruarú por 2x1 e a torcida fez a festa.

sábado, 10 de setembro de 2011

A conquista do nosso primeiro campeonato



A CONQUISTA DO NOSSO PRIMEIRO CAMPEONATO


Clóvis Campêlo

O ano de 1931 foi especial para o futebol pernambucano. Em março, a Liga Pernambucana de Desportos Terrestres (LPDT) une-se à Liga Pernambucana de Desportos Náuticos (LPDN) e é fundada a Federação Pernambucana de Desportos (FPD). Posteriormente, o Santa Cruz conquistaria o seu primeiro título estadual, o primeiro da nova entidade. E, finalmente, nessa temporada, surge Tará, provavelmente o maior jogador do futebol pernambucano em todos os tempos.

DE ONDE ELE VEIO

Humberto Viana, o Tará, foi descoberto pelo jornalista Aristófanes da Trindade, iniciando a sua carreira esportiva, em 1929, num modesto clube de Beberibe: o Mocidade Futebol Clube. Em 1930, transfere-se para o Ateniense, o alvinegro de Campo Grande, um clube de muito cartaz, na época, mas que só disputava amistosos. Quem o viu jogar, garante: se a bola conhecia Pelé, com Tará tinha uma verdadeira relação de intimidade.
De início torcedor do madeira-rubra, o Torre, campeão estadual em 1926, 1929 e 1930, Tará chegou ao Santa Cruz em 1931, através do capitão Carlos Afonso de Melo, então presidente do clube tricolor. Aos 16 anos, ingressando na Polícia Militar para fazer o Curso de Cabo, foi levado pelo capitão para o Santa Cruz e apresentado ao Diretor de Esportes, Ilo Just, que acumulava a função de treinador da equipe principal. Lançado no time ao lado de estrelas como Carlos Benning, Lauro, os irmãos Julinho e Zezé Fernandes e do zagueiro Sherlock, Tará, ao longo do campeonato, iria se firmando no grupo.
Conta Tará que seu pai, Tomaz Viana, não queria sob hipótese alguma que filho seu jogasse futebol. No entanto, quando o presidente Carlos Afonso de Melo, acompanhado pelo jornalista Aristofanes da Trindade, foi a sua casa pedir permissão para levá-lo para o clube tricolor, por ser tenente da Polícia Militar, mesma corporação do capitão, sentiu-se na obrigação de atender ao pedido.
Na campanha do título de 1931, porém, Tará só viria a estrear no campeonato no dia 6 de setembro, no empate com a equipe do Íris, no campo do América, na Jaqueira. Uma estréia discreta já que não marcou nenhum tento, sendo substituído pelo atacante Neves, ainda no primeiro tempo. Muito jovem, durante a competição alternaria bons momentos com atuações apenas regulares, deixando entrever, porém, o grande jogador que viria a ser.

A DIRETORIA DA PRIMEIRA CONQUISTA

O capitão Carlos Affonso de Melo, comandante da primeira conquista estadual e responsável pela ida de Tará para o Santa Cruz, foi eleito presidente no dia 21 de fevereiro, encabeçando uma diretoria que ficou assim constituída: Presidente - Carlos Affonso de Melo; Secretário Geral - Hybernon Borba; 1º Secretário - Lindolpho Silva; 2º Secretário - José Vasquez; Tesoureiro Geral - Oscar Diniz; 1º Tesoureiro - Borba Júnior; 2º Tesoureiro - José Luiz Vieira; Diretor de Esportes - Ilo Just; Vice-Diretor de Esportes - Júlio Fernandes; 1º Procurador - Jayme Rosas; 2º Procurador - Alberto Oliveira.

ENTRANDO NO GRUPO DE ELITE

Até 1930, num total de 16 campeonatos disputados, apenas quatro equipes haviam conseguido chegar ao título máximo estadual: Sport (7 vezes), América (5 vezes), Torre (3 vezes) e o Flamengo (1 vez).
Ao conquistar o campeonato de 1931, o Santa Cruz assegurava a sua entrada nesse grupo seleto, iniciando uma ascensão gloriosa que se consolidaria nas décadas de 1960 e 1970 com a conquista do pentacampeonato estadual e a conclusão do Estádio do Arruda.
Disputando o certame estadual desde a sua primeira versão, em 1915, a equipe tricolor, na realidade, custou para chegar ao título inicial, muito embora tenha sido várias vezes vice-campeão. A incômoda situação mexia com os brios da grande torcida tricolor que procurava justificativas para o fato. No dia 10 de outubro, na véspera do jogo contra o Flamengo, o Jornal Pequeno publicou a carta que abaixo transcrevemos, de um anônimo torcedor, onde fica claro essa inquietação e a necessidade de uma explicação lógica para o longo jejum. A equipe coral venceu a contenda por 3x1, com dois gols de Tará e um de Estevam, e, mesmo não chegando ao título invicto, pois perderia para o Náutico na última partida, aliviou a ansiedade que tomava conta da sua torcida. Eis o texto:
“Rapazes do Santa Cruz, ide amanhã, defendendo o glorioso pavilhão tricolor, disputar, com os vossos valorosos rivais que defendem o também glorioso pavilhão alvinegro, a partida mais sensacional e de mais responsabilidade do presente campeonato. Rapazes do Santa Cruz, necessário se torna que tenhais na memória que esse embate é quase decisivo para o campeonato pernambucano. Se a sorte nos for avara, se fordes derrotado pelo inimigo valoroso, glorificai o onze vitorioso, recebendo a vossa derrota como verdadeiro desportista que sóis. Mas, rapazes do Santa Cruz, entrai “no campo raso da luta”, na frase vitoriosa do vosso hino, com a vossa costumeira vontade forte de vencer. Lembrai-vos da vossa brilhante e sensacional vitória sobre o Botafogo do Rio; lembrai-vos de que foi o tricolor o primeiro clube do Norte que derrotou um clube do Sul; lembrai-vos ainda, rapazes do Santa Cruz, que vós, que ainda não vencestes um único campeonato devido à “força do dinheiro” e às injustiças inúmeras vezes sofridas, se vencerdes o embate de amanhã, podereis ser campeões invictos, o que jamais foi conseguido aqui pelos vossos congêneres. Coragem, rapazes do Santa Cruz. Lutai com denodo e ânimo, com a máximo de vossa resistência e de vossa energia, para que, terminado o embate, tenhamos a satisfação de ver o placar marcando mais uma vitória do glorioso pavilhão tricolor!”

OS NÚMEROS DO CAMPEONATO

O Torneio Início foi disputado no dia 12 de abril, no campo da Av. Malaquias, e teve o América como vencedor, derrotando o Torre, no jogo final, por 3x1. O Santa Cruz disputou dois jogos, eliminando o Sport, no primeiro, por 1x0, e sendo batido pelo Torre, no segundo, por 2x1.
O Campeonato Estadual de 1931 foi iniciado no dia 10 de maio e disputado por 11 equipes, em um único turno. Participaram da disputa: Sport, América, Torre, Flamengo, Santa Cruz, Náutico, Íris, Encruzilhada, Fluminense, Israelita e Associação Atlética do Arruda (AAA). Estas duas últimas equipes solicitaram inscrição de última hora, o que atrasou o início da competição, marcado primeiramente para o dia 19 de abril.
Foram disputados 55 jogos, sendo marcados 313 gols, com a altíssima média de 5,69 tentos por partida (dois jogos foram ganhos por Wx0). Como curiosidade e como prova do futebol alegre e ofensivo praticado na época, não foi registrado nenhum empate pelo placar de 0x0. Santa Cruz e Náutico tiveram os ataques mais positivos, marcando 41 gols, cada, enquanto a defesa menos vazada foi a da equipe coral, com apenas 9 tentos.
Durante a competição foram utilizados os campos do Sport, na Av. Malaquias (17 jogos); do América, na Jaqueira (18 jogos), e do Náutico, nos Aflitos (18 jogos), este o único ainda remanescente nos dias de hoje. Embora o Santa Cruz possuísse o seu campo, nessa época na Rua São Miguel, em Afogados, ao lado da sede social, não chegou a utilizá-lo nos jogos do certame.
No período de 28 de junho a 30 de agosto, o campeonato foi suspenso para que a seleção da FPD participasse do 8º Campeonato Brasileiro de Futebol.

A CAMPANHA TRICOLOR

A equipe tricolor, para chegar ao seu primeiro título estadual, realizou dez partidas, vencendo oito, empatando uma e perdendo outra. O seu ataque marcou 41 tentos e a defesa sofreu apenas 9 gols.
Participaram da campanha os seguintes jogadores: goleiro, Dadá; defensores, Sherlock, Fernando, Dóia, Julinho, Zezé Fernandes e João Martins; atacantes, Walfrido, Aluísio Cabral, Popó, Tará, Neves, Lauro, Carlos Benning, Estevam e Antero.
O Santa Cruz manteve-se invicto durante todo o certame, perdendo apenas o último jogo para o Náutico, nos Aflitos, resultado esse que deixaria a equipe alvi-rubra com o vice-campeonato. Este jogo, aliás, apitado improvisadamente pelo presidente da FPD, Renato Silveira, em substituição ao juiz faltoso, foi a grande mácula na campanha tricolor. No segundo tempo da partida, desentenderam-se os jogadores Zezé Fernandes, do Santa Cruz, e Rui, do Náutico, que acabaram sendo expulsos. O jogador coral, porém, recusou-se a sair de campo gerando uma grande confusão. A equipe tricolor, precipitadamente, abandonou o campo, impedindo que o jogo chegasse ao final. Como conseqüência, o Santa Cruz foi multado em 200$000 (duzentos mil réis), além de perder a parte da renda a que tinha direito. Além do mais, todos os clubes filiados à FPD manifestaram-se contrários à atitude coral, hipotecando total solidariedade ao presidente da entidade. O fato, porém , não tirou o brilho da excelente equipe coral e da sua primeira grande conquista.
Eis, na íntegra, a campanha tricolor em 1931:
Jogo: Santa Cruz 4x1 América. Data: 17/5/31. Local: Jaqueira. Juiz: Oscar Soares (AAA). Gols: Marcelo, para o AME, Aluísio Caldas (2), Estevam e Lauro, para o SAN. Equipes: SANTA CRUZ: Dadá, Sherlock e Fernando, Zezé Fernandes, Julinho e João Martins (Albino), Aluísio Cabral, Neves, Popó e Estevam. AMÉRICA: Pereirão, Barbalho e Ciryl, Deoclécio (Romero), Casado e Marcelo, Moacir, Zezé, Sabino, Ralf e Lula.
Jogo: Santa Cruz 6x1 AAA. Data: 04/6/31. Local: Av. Malaquias. Juiz: Alcindo Wanderley. Gols: Lauro (4) e Popó (2), para o SAN, e Péricles, para o AAA. Equipes: não informadas.
Jogo: Santa Cruz 3x1 Sport. Data: 14/6/31. Local: Av. Malaquias. Juiz: José Fernandes Filho. Gols: Julinho, Antero e Aluísio Cabral, para o SAN, e Bivar, para o SPO. Equipes: SAN: Dadá, Sherlock e Fernando, Dóia, Julinho e Zezé Fernandes, Aluísio Cabral, Neves, Popó, Lauro e Estevam (Antero). SPO: Antonino (Né), Nilo e Douradinho, Ademar, Dourado e Brivaldo, Bivar, Jubal, Júlio, Marcílio e Bulhões.
Jogo: Santa Cruz 7x0 Encruzilhada. Data: 28/6/31. Local: Av. Malaquias. Juiz: José Fernandes Filho. Gols: Lauro (4), Estevam, Neves e Zezé Fernandes. Equipes: SAN: Dadá, Sherlock e Fernando, Zezé Fernandes, Julinho e Dóia, Estevam, Lauro, Popó, Neves e Aluísio Cabral. ENC: Trajano, Pedro Sá e Palmeira, Leitão (Estácio), Sebastião e Cão, Marinheiro, Pila (Mota), Péricles, Lila e Gondim.
Jogo: Santa Cruz 2x2 Íris. Data: 06/9/31. Local: Jaqueira. Juiz: José Fernandes Filho. Gols: Popó e Aluísio Caldas, para o SAN, e, Benedito e Emídio, para o IRI. Equipes: SAN: Dadá, Sherlock e Fernando (João Martins), Dóia, Julinho e Zezé Fernandes, Aluísio Cabral, Tará (Neves), Popó, Lauro e Carlos Benning. IRI: Zé Miguel, Moacir e Walfrido, Fraga, Batista e Alfredinho, Benedito, Emídio (Sales), Chinês, Baiano e Jorge. Expulsão: Chinês (IRI)
Jogo: Santa Cruz 3x1 Flamengo. Data: 11/10/31. Local: Jaqueira. Juiz: Rômulo Souza. Gols: Tará (2) e Estevam, para o SAN, e, Alonso, para o FLA. Equipes: SAN: Dadá, Sherlock e Fernando, Dóia, Julinho e Zezé Fernandes, Walfrido, Aluísio Cabral (Popó), Tará, Lauro e Estevam. FLA: Alberto (Fritz), Hermes e Everaldo, Roberto, Bernardo e Maciel, Fébidas, Norival, Manfredo, Neném e Alonso.
Jogo: Santa Cruz 4x1 Fluminense. Data: 25/10/31. Local: Av. Malaquias. Juiz: não informado. Gols: não informados. Equipes: SAN: Dadá, Sherlock e Fernando, Zezé Fernandes, Julinho e Dóia, Walfrido, Aluísio Cabral, Popó, Lauro e Estevam. FLU: não informado.
Jogo: Santa Cruz 10x0 Israelita. Data: 15/11/31. Local: Jaqueira. Juiz: Tancredo Macedo. Gols: Popó (4), Estevam (2), Walfrido (2), Tará e Zezé Fernandes. Equipes: não informadas.
Jogo: Santa Cruz 2x0 Torre. Data: 13/12/31. Local: Jaqueira. Juiz: José Fernandes Filho. Gols: Walfrido e Estevam. Equipes: SAN: Dadá, Sherlock (João Martins) e Fernando, Dóia, Julinho e Zezé Fernandes, Walfrido, Aluísio Cabral (Popó), Tará, Lauro e Estevam. TOR: Xexéu, Pedro e Barreto, Miro, Arlindo e Hermes, Leleco, J. Dantas, Danzi, Brás e Valencinha.
Jogo: Santa Cruz 0x2 Náutico. Data: 20/12/31. Local: Aflitos. Juiz: Renato Silveira. Gols: Pinto de Abreu e João Manuel. Equipes: SANTA CRUZ: Dadá, Sherlock (Dóia) e Fernando, João Martins, Julinho e Zezé Fernandes, Walfrido, Popó, Tará, Lauro e Estevam. NÁUTICO: Lula, Guimarães e Carvalheira, Rafael, Paulo e Didi, Zezé Carvalheira, Rui, Oswaldo, Pinto de Abreu e João Manuel. Expulsões: Rui (NAU) e Zezé Fernandes (SAN).


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Fundando a Liga Sportiva Pernambucana



Alcindo Wanderley, o Pitot, um dos fundadores da LSP

FUNDANDO A LIGA SPORTIVA PERNAMBUCANA

Clóvis Campêlo


Ano novo, vida nova. Assim, segundo o jornal A Província, no dia 31 de janeiro de 1915, em reunião na sede provisória situada na Rua da Matriz, 46, no bairro da Boa Vista, o Santa Cruz elegeu a sua diretoria para o ano que se iniciava. Alguns meses depois, participaria da fundação da Liga Sportiva Pernambucana.
Nesse meio tempo, segundo a imprensa da época, o Santa Cruz realizou diversos jogos, destacando-se as duas vitórias conseguidas contra o Flamengo do Recife, o futuro campeão do torneio da Liga.
A primeira delas aconteceu no dia 30 de maio, na Campina do Derby, quando ganhou pelo escore de 1xo. Neste jogo, o Santa Cruz atuou com Ilo Just; O. Oliveira e B. Crocia; J. Petribu, F. Carvalho e Luiz Lima; A. Cavalcanti, Alberto campos, Alcindo Wanderley, Mário Rodrigues e Spencer.
O Santa Cruz enfrentaria novamente o Flamengo no dia 20 de junho, também na Campina do Derby, vencendo, dessa feita, por 3xo e atuando com a seguinte formação: Ilo Just; Bruno e O. Oliveira; H. Oliveira, B. Crocia e T. Carvalho; Spencer, Alberto Campos, Alcindo Wanderley, Mário Rodrigues e Lino.

SURGE A LIGA

Em que pese a grande quantidade de clubes de futebol já existentes no Recife em 1915, a Liga foi fundada no dia 16 de junho, em reunião que contou com a presença de poucos desportistas.
Foram eles, Aristeu Accioly Lins, Eduardo Lemos e Otávio Silveira, representantes do João de Barros Football Club; Bruno Burlini, Olinto Jácome e Severino Arruda, representantes do Centro Sportivo do Peres; Antônio Miranda, Joaquim Chaves e Herotides Xavier, representantes do Sport Club Flamengo; Alcindo Wanderley, representante do Santa Cruz Football Club, e João Ranulpho e Oswaldo Antunes, representantes do Agro Sport Club do Socorro.
Pouco adiantaria, assim, o apelo do jornal A Província, na sua edição do dia anterior, 15 de junho, na primeira página, quando divulgou o seguinte comunicado:
"LIGA PERNAMBUCANA DE FOOTBALL - Em sessão preparatória, reúne amanhã, às 18 horas, na estrada João de Barros, 19-A, a Liga Pernambucana de Football. A comissão organizadora encarece o comparecimento dos representantes de todos os clubes esportivos da capital".

COMISSÃO PROVISÓRIA

A reunião, organizada pelo João de Barros Football Club, conforme o anunciado, aconteceu na casa do desportista Aristeu Accioly Lins, tesoureiro da agremiação promotora.
Segundo o Jornal do Recife, na sua edição do dia 19 de junho, nessa reunião, por proposição de Eduardo Lemos, Aristeu foi aclamado presidente provisório da entidade, nomeando uma comissão relatora para a elaboração dos estatutos, na qual o representante do Santa Cruz, Alcino Wandereley, foi um dos integrantes.
Segundo Givanildo Alves, no livro História do Futebol em Pernambuco, no período de 25 de junho a 2 de julho, a entidade recém-fundada teve os seus estatutos aprovados, estabelecendo a mensalidade de 10 mil réis e a jóia de 50 mil réis para os clubes, além de admitir como novos filiados a Coligação Sportiva Recifense e o Torre. Com o posterior desligamento do Agro Sport Club do Socorro, ficaram definidas as condições para a realização do torneio da Liga, hoje considerado como o nosso primeiro campeonato estadual disputado.

A ESTRÉIA DO SANTA CRUZ

Sócio fundador da Liga, o Santa Cruz efetuou o jogo de abertura do torneio enfrentando e derrotando a Coligação Sportiva Recifense, por 1x0, na tarde do domingo, dia 1 de agosto, na Campina do Derby. O gol histórico, o primeiro do Santa Cruz numa competição oficial, foi marcado pelo atacante Mário Rodrigues. Segundo o Jornal Pequeno, o jogo foi apitado pelo competente sportman Getúlio Jácome.
O Santa Cruz voltaria a jogar pelo torneio da LSP no dia 5 de setembro, na Campina do Derby, enfrentando o Torre. O jogo foi apitado por Mr. Forster. Segundo o Diário de Pernambuco e o Jornal Pequeno, o Santa Cruz, nesse jogo, ainda atuou com as cores branca e preta. Portanto, provavelmente, esta foi a última partida em que o Santa Cruz teria se utilizado do uniforme original.
Vale salientar, ainda, que o jornal recifense O Tempo, na sua edição do dia 5 de setembro, dia do jogo, informou que o Santa Cruz enfrentaria a equipe do Torre com um uniforme nas cores preta, verde e branca.

O TRICOLOR ENTRA EM CENA

No dia 19 de setembro, o Santa Cruz voltaria a enfrentar o Flamengo na Campina do Derby. O jogo, válido pelo torneio da Liga, foi apitado por Mr. Forster. Provavelmente, este foi o primeiro jogo efetuado pelo clube com o novo padrão tricolor. Como ambos os clubes eram alvinegros, consta que houve um sorteio para definir qual o time que deveria mudar de padrão. O Santa Cruz perdeu e tornou-se tricolor.
No dia 10 de outubro, domingo, também na Campina do Derby, o Santa enfrentou o América, antigo João de Barros, ainda com Mr. Forster no apito.
Antes da interrupção do torneio para a excursão do América carioca à nossa capital, em novembro, o Santa Cruz ainda enfrentaria o Centro Sportivo do Peres, na Campina do Derby.

A HISTÓRIA DAS TRÊS CORES

Segundo o jornalista Givanildo Alves, no livro História do Futebol em Pernambuco, existem três versões para explicar a adição do vermelho às cores do Santa Cruz.
Segundo Luiz Gonzaga Uchôa Barbalho, um dos sócios fundadores, em depoimento dado ao jornalista, foi sua a idéia de intriduzir o vermelho nas cores do clube, a fim de que a bandeira do Santa Cruz ficasse parecida com a da Alemanha, país por quem simpatizava na Primeira Guerra Mundial.
Por seu lado, Teófilo Batista, o Lacraia, primeiro jogador negro do futebol pernambucano, também sócio fundador e criador do escudo do time, diz que foi sua a idéia de acrescentar o vermelho ao preto e branco de origem.
Ilo Just, goleiro e sócio fundador, afirmou textualmente no Fascículo 1, editado em 1969, sobre a história do Mais Querido: "Ainda estavámos em dúvida com respeito às cores, quando passou por aqui o Flamengo do Rio, que ia excursionar em Belém do Pará. Resolvemos nosso problema acrescentando o vermelho às nossas cores".

EXCURSÃO PIONEIRA

O América carioca chegou ao Recife no dia 10 de novembro, a bordo do navio São Paulo, que atracou no cais da avenida Martins de Barros. A delegação ficou hospedada no Hotel do Parque, o mais moderno e elegante da cidade. Nessa mesmo dia, uma quinta-feira, à tarde, no Campo do British Club, goleou por 5x1 um escrete formado por jogadores ingleses e pernambucanos. A equipe carioca ainda jogaria nos dia 13, 15 e 19 de novembro,sempre aplicando goleadas nos mistos e combinados enfrentados. Ao todo foram 4 jogos, com 4 vitórias, marcando 23 gols e sofrendo apenas seis.
A vinda do América à nossa capital fora acertada em agosto, quando da visita de Belfort Duarte, ex-jogador do time carioca e presidente da Comissão de Sports da Liga Metropolitana do Rio de Janeiro. Belfort, inclusive, no dia 22 de agosto, foi agraciado pelo João de Barros Football Club, em sessão solene, tendo recebido o título de Capitão Honorário. Nessa mesma reunião, a agremiação pernambucana passou a adotar o nome de América Football Club, em sua homenagem.

O TRIANGULAR FINAL

Com a visita pioneira do América carioca ao Recife, o torneio da Liga foi interrompido ao fim do primeiro turno. Finda a visita, com o retorno do América ao Rio de Janeiro, o torneio foi retomado.
Como Santa Cruz, Flamengo e Torre estivessem empatados na tabela e considerando a proximidade do final do ano, o presidente da Liga resolveu não mais realizar o segundo turno.
Foi determinado assim, que haveria uma série de partidas extras entre os clubes empatados, afim de que fosse conhecido o campeão. Ficou ainda estebelecido que nestes jogos finais haveria a cobrança de ingressos e a transferência dos jogos da Campina do Derby, local aberto, para o campo do British Club, que era fechado.
Assim, no dia 28 de novembro, Santa Cruz e Torre abriram o triangular final. Incentivado pela sua torcida, o Santa Cruz se impôs e goleou o madeira rubra por 5x0, gols de Alberto Campos (3), Dória e Pitota. Mais uma vez o juiz foi o inglês Mr. Forster. O Santa Cruz venceu com Ilo Just; Bibi e Crócia, Luiz Lima, Carvalho e Manoel; Jorge, Alberto Campos, Pitota, Mário e Dória. O Torre perdeu com Mário Pinto; Zé Luiz e Antunes; Reis, Austregésilo e Barroso; Barreto, Alano, Manoel Lopes, Gátis e Cleto.
No dia 5 de dezembro, o Santa Cruz voltou a campo para enfrentar o Flamengo. Apesar da grande torcida a seu favor, o tricolor não conseguiu reeditar a boa atuação contra o Torre e foi goleado por 6x2. Não consta na imprensa da época os autores dos gols da partida. Sabe-se apenas que no decorrer do jogo acirrado, foram expulsos Luiz Lima, do Santa Cruz e Lélis, do Flamengo.
A vitória deixou o Flamengo com o título na mão. O favoritismo foi confirmado no dia 11 de dezembro, quando o time do tenente Colares derrotou o Torre por 3x0, sagrando-se o primeiro campeão pernambucano de futebol.
Por ironia do destino, depois do título conquistado, o Flamengo transformou-se numa equipe medíocre que passou a sofrer goleadas históricas e humilhantes.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

De volta à liderança



DE VOLTA À LIDERANÇA

Clóvis Campêlo

Não foi uma vitória de encher os olhos, de convencer. Mas, trouxe-nos de volta a liderança do Grupo 3. Agora, precisamos de apenas um empate para garantir a classificação à fase seguinte, ao mata-mata.
O jogo, aliás, teve duas fases distintas. No primeiro tempo, com Leandrinho e Ricardinho no time, o nosso desempenho foi desse tamanhinho. Na segunda etapa, com a entrada de Bismarck e Jéferson Maranhão, para mim o grande destaque tricolor, ontem, a coisa mudou de figura. Adquirimos velocidade e mobilidade, abrindo espaços preciosos no ataque e permitindo que aparecessem no jogo jogadores, como Flávio Recife, que, na primeira etapa, tivera uma atuação pífia.
A mudança, aliás, teve a marca do treinador Zé Teodoro, que reorganizou o time no intervalo do jogo, quando a equipe saiu de campo sob as vaias da torcida, recolocando várias peças. No final, os merecidos aplausos.
A torcida entende e sabe quando o time é merecedor de vaias ou aplausos. E esse critério de avaliação nem sempre está ligado ao resultado final da partida. Nas vitórias ou mesmo nas derrotas, o que enche os olhos do torcedor é o espírito de luta e o esforço do plantel dentro de campo. E isso o Santa Cruz mostrou no segundo tempo do jogo de ontem, quando encurralou o Porto e criou várias situações que poderiam ter garantido um resultado final mais expressivo.
Diante de um público de 27.746 pessoas, que proporcionaram uma renda de R$ 259.602, com um gol de Jéferson Maranhão aos 13 minutos do segundo tempo, e sob o comando de Zé Teodoro, o Santa Cruz venceu o Porto com Tiago Cardoso; Roma, Éverton Sena, André Oliveira e Chicão; Memo e Leandrinho (Bismarck); Ricardinho (Jéferson Maranhão), Tiago Cunha (Kiros) e Flávio Recife.
No próximo domingo, estaremos mais uma vez em João Pessoa, que já se tornou a nossa segunda sede no certame, para enfrentar o Guarani de Juazeiro. Depois da vitória de ontem, é de se esperar uma nova invasão à capital paraibana. Lá, Zé Teodoro poderá contar com o retorno de Leandro Souza, Dutra e Weslley, que, sem dúvida alguma, fizeram muita falta no jogo de ontem, notadamente o último. Sem ele, que hoje é um dos jogadores fundamentais no sistema de jogo coral, o nosso meio campo perde muito da sua qualidade e desempenho.
Após o jogo de ontem, deu pra sentir um novo clima de confiança reinando na torcida. E é com esse sentimento de superação que esperamos ver o Santinha firme na segunda fase do certame, caminhando célere rumo à Série C do Campeonato Brasileiro, no próximo ano.

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma morte anunciada



Uma torcida maior do que a mediocridade dos dirigentes

UMA MORTE ANUNCIADA

Clóvis Campêlo

Quando o presidente do Guarany de Sobral, após o primeiro jogo no Arruda, anunciou que o time do Santa Cruz estava morto, todos nós trememos na base.
Os 50 mil torcedores que estiveram no Estádio do Arruda e viram a dificuldade em batermos o adversário, no íntimo, temiam isso.
Restava, no entanto, mais uma esperança de que, em campo, a equipe conseguisse a superação e arrancasse ao menos o empate que nos serviria para prosseguirmos na nossa via crucis na Série D.
Quem esteve no Arrudão, no dia 5 de setembro, quando a duras penas vencemos o bugre sobralense por 4x3, teve consciência das nossa limitações técnicas e táticas. Nesse último quesito, aliás, levamos um verdadeiro banho. O técnico do time cearense soube se impor ao esquema tático de Givanildo Oliveira e, por muito pouco, não saiu de campo um com um resultado ainda mais favorável.
Por isso tudo e muito mais, sabíamos que o jogo em Sobral seria uma pedreira. Se na nossa casa, diante de uma torcida numerosa, a equipe cearense teve personalidade e qualidades para se impor técnica e taticamente, só mesmo a paixão tricolor e uma esperança desvairada poderiam manter em nós, torcedores, a possibilidade de um resultado positivo para as nossa cores.
Se no primeiro jogo, Givanildo errara nas substituições e não tivera a perspicácia de anular as mudanças táticas impostas pelo time cearense, no segundo jogo, ao armar um esquema excessivamente defensivo, tacitamente admitiu a nossa inferioridade.
Consideremos, porém, que não havia muito o que se fazer diante da verdade dos fatos, a não ser apelar para a sorte, que, dessa vez, não nos protegeu.
Daqui até o final do ano só nos resta agora o Campeonato do Nordeste e a Copa Pernambuco, que, inapelavelmente, deverão servir de laboratório para montarmos uma equipe competente e que nos permita disputar com méritos e brios o Campeonato Pernambucano de 2011.
Penso que dessa equipe que disputou a Série D do Campeonato Brasileiro de 2010, pouquíssimos jogadores poderão e deverão ser aproveitados. Para nós, tricolores conscientes, esses que aí estão já demonstraram a sua incapacidade técnica e psicológica para defender o clube mais querido de Pernambuco.
Aliás, com pouco dinheiro, com um presidente ausente do dia a dia do clube e com um elenco bastante limitado, dificilmente chegaremos a algum lugar. A problemática é essa, fácil de ser constatada. Difícil, será encontrar a solucionática.

Obs.: Crônica escrita após o jogo Guarany de Sobral 2 x 0 Santa Cruz, em 12.09.2010, e postada originalmente no blog Inútil Paisagem.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O espírito do Estadual nos levará ao título



O ESPÍRITO DO ESTADUAL NOS LEVARÁ AO TÍTULO

Samarone Lima

Depois de umas reflexões demoradas comigo mesmo, entendi algumas questões do Santa Cruz nesta Série D: parece que a conquista do Estadual 2011 subiu à cabeça.
O time começou desacreditado, iríamos buscar uma vaga na Série D, aquela conversa sem graça ou esperança. O assunto era apenas um – se a coisa seria ou não hexa, para tirar a única bóia a que as barbies se agarram, nos momentos de depressão futebolística. O Santa pode ter passado por muitas, mas jamais passamos uma vergonha com a deles, naquele jogo contra o Grêmio, em 2005, com quatro jogadores a mais em campo.
Aos poucos, nosso treinador foi montando um time, aproveitando os garotos que vingaram da base. Cada jogo do Estadual passou a ser disputado como se fosse o último, a torcida lotava o Arrudão, e quando o São Paulo veio fazer um “jogo-passeio”, pela Copa do Brasil, certo de um 4 x 0 folgado, descobrimos que algo tinha nascido. O Santa voltou a tocar em seu passado, descobriu que era grande, guerreiro, que não temia qualquer camisa ou escudo. Até hoje comemoro o estádio inteiro mandando aquele boçalzinho do Rogério Ceni se foder, naquele 1 x 0 transmitido para todo o Brasil.
Jogos difíceis por estádios os mais capengas, um time vibrante, raçudo, fomos nos erguendo. As lapadas seguidas na coisa, tanto no Arruda quanto na casa deles, nos encheram de júbilo. Depois veio o título, a festa, tiração de onda. Um time compacto, forte, unido, sem essa de bola perdida, com um goleiro em plena forma, um zagueiro-artilheiro. Depois, o milagre – quase todo o time ficou, para disputar a Série D.
Então surge o mistério. Não sei se foi a pausa entre o fim do estadual e o começo da Série D, mas parece que os caras pegaram uma febre, perderam a fome, a gana, aquele sentimento de que cada jogo era uma decisão. Esqueceram que o Santa tinha a obrigação de ser o líder de sua chave, disparado.
Nesse intervalo, surge um personagem: Thiago Mathias, o zagueiro-artilheiro.
Cá entre nós, até hoje não engulo aquela série de jogadas no começo do jogo conta a Coisa, o primeiro jogo da decisão. Tanto fez, que foi substituído em 15 minutos, para não ser expulso. Alí, poderíamos ter perdido o título.
O sujeito ligava a TV, estava lá, o Thiago, dando entrevista, participando de especial. Convidado especial de 9 de cada 8 mesas-redondas, de grandes matérias, tornou-se maior do que julgava ser. Enquanto isso, o futebol do Santa, na Série D, parecia a bolsa de Nova York – sempre piorando.
Eu tinha um sentimento que agora confesso. Achava que alguma coisa teria que acontecer, para que o fogo reacendesse, os jogadores descobrissem que já fizeram algo grande e podem fazer ainda maior. Queria também que a torcida voltasse a estufar o peito. Não só ir ao estádio, mas ir para torcer, tirar onda. Torcer feliz. Só não sabia qual era este sentimento.
Esta semana ganhamos um prêmio. Thiago Mathias revelou, com suas atitudes, com a falta de tato, que o grupo estava dividido, que a fogueira das vaidades estava sendo maior do que pensávamos. O espírito do Estadual estava só na lembrança. Bingo! Era isso. O grupo não estava fechado, como no Estadual.
Ele sai do grupo no momento certo, o Santinha sai fortalecido dessa e sinto que a massa coral pegou gás, para o jogo de domingo.
No vestiário, antes da partida, o Zé Teodoro podia reunir o grupo e dizer:
“Lembrem do que vocês já fizeram, usando esta camisa. Ninguém esquece de jogar bola”.
Com o espírito guerreiro do Estadual, e só com ele, chegaremos à tão sonhada classificação para a Série C.
Quanto ao Thiago Mathias, tem motivos de sobra para lamentar. Um sujeito que era ídolo da torcida, respeitado pela diretoria, comissão técnica, que tinha projeto para os próximos anos, de ser o capitão no centenário, sair do clube desse jeito, só pode estar ruim da cabeça – ou doente do pé.
Domingo, todos ao Arruda. Do mais ponto mais profundo da minha humildade, já penso no título.

Copiado do Blog do Santinha

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Santa Cruz, ame-o ou deixe-o



SANTA CRUZ, AME-O OU DEIXEI-O

Clóvis Campêlo

Já vai longe o tempo em que os nossos clubes de futebol eram criados e mantidos por grupos e famílias que ali se encontravam e se reuniam em busca de lazer e diversão.
Já vai longe também o tempo em que os dirigentes atuavam como verdadeiros mecenas, tirando dinheiro do próprio bolso para manter e modernizar os clubes, ou para reforçá-los com bons jogadores e garantir a conquista de títulos e prestígio.
Hoje, o futebol está inserido no contexto da indústria do entretenimento, e como tal vários desses conceitos e costumes mudaram. Futebol, hoje, para um clube bem administrado, é sinônimo de bons negócios e lucro garantido. Para um clube mal administrado, pode ser o fim.
No bojo dessas mudanças, surgiram os dirigentes empresários, aqueles que atuam como negociadores na contratações de atletas profissionais, geralmente ficando com o bônus dessas negociações e deixando o ônus para os clubes pagarem.
Com o Santa Cruz, não foi diferente. Durante anos, sofremos com administrações mal intencionadas e mal sucedidas, que, pouco a pouco, foram afundando o clube numa crise financeira profunda e que se refletiu diretamente no nosso desempenho dentro de campo. Chegamos à beira do abismo, nele despencamos e dele vimos tentando sair nos últimos anos.
Hoje, embora ainda não tenhamos dentro de campo a equipe que queremos e merecemos, já podemos notar que administrativamente o clube mudou e que, mais cedo ou mais tarde, essa reorganização necessária trará os seus frutos dentro e fora de campo.
Sabemos também que o atleta profissional, dentro da visão mercantilista que orienta o futebol hoje, sempre parte em busca da melhor proposta financeira. Seus vínculos emotivos com o clube que defende quase que inexistem, embora ponha sempre em prática a jogo de cena de iludir o torcedor apaixonado com atitudes falsas. Na sua maioria, esses jogadores nem mesmo são formados nos clubes onde atuam. São nômades que, em nome da profissionalização, vendem-se e se oferecem a quem pagar mais.
Por isso, a torcida, que sempre curte uma eterna e desvairada paixão, decepciona-se e se frusta quando se descobre vítima desse jogo de cena enganatório. Sente-se traída e abandonada por quem vai em busca de mais cifrões, esquecendo as falsas juras de amor e fidelidade implícitas na encenação.
No próprio Santa Cruz, ao longo desses últimos anos, já tivemos vários exemplos desses, inclusive com jogadores formados no próprio clube e que foram ídolos da torcida coral. Thiago Mathias não é o primeiro e nem será o último caso. Que ele prossiga em paz na sua vida profissional e que nós sigamos em frente em busca do futuro que merecemos.

Recife 2011