quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Torcida, nós temos!


Charge de Ronaldo/JC, Recife, 06/9/2010

TORCIDA, NÓS TEMOS!

Clóvis Campêlo

Pelas circunstâncias da partida, juro que quando acabou o primeiro tempo da peleja de ontem, entre Santa Cruz e Guarany de Sobral, pensei que estava assistindo ao jogo do século.
O Santinha começou o jogo lerdo, sonolento, pesadão. Parecia que o time havia comido uma feijoada antes de entrar em campo. Duas bobeiras da zaga e dois gols do Guarany. Nos vinte minutos finais, a equipe despertou, impôs um ritmo alucinante de jogo e virou para 3x2.
No começo do segundo tempo, mais um gol para nós. Um golaço de Jackson, mostrando que ele ainda tem lampejos do grande craque que foi. O placar de 4x2 parecia nos mostrar o caminho da goleada, da consumação de uma grande vitória para o jogo da volta.
Mas, não foi assim. O time voltou a ficar lerdo e permitiu que o Guarany chegasse ao terceiro gol, complicando a nossa situação no jogo da volta. No final, torcíamos pelo encerramento do jogo, temendo o empate que não aconteceu por muito pouco.
O time voltou a apresentar oscilações muito grandes dentro de uma mesma partida. Em determinados momentos, supera-se e encanta. Em outros, mostra-se bisonho e previsível.
Espetáculo mesmo quem fez foi a torcida coral. Mais de cinqüenta mil pessoas em campo empurrando o time pra frente, vibrando e sofrendo com ele. Após o nosso terceiro gol, ao meu lado um, vi um rapaz e uma jovem senhora caírem no choro, extravasando a emoção. Muitos torcedores foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros e pelas ambulâncias presentes ao estádio, por conta da intensa dramaticidade da partida. Parecia uma decisão de copa do mundo.
Se Sobral tem 150 mil habitantes, ontem, colocamos no Estádio do Arruda, um terço da população da cidade cearense.
Lembrei que em 1950, no jogo final da Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, as 200 mil pessoas presentes ao Maracanã correspondiam a 10% da população da Cidade Maravilhosa, então com 2 milhões de habitantes. Em termos proporcionais, ontem, no Arruda, superamos essa marca da seleção brasileira e ainda vencemos o jogo.

Obs.: Crônica escrita após o jogo Santa Cruz 4 x 3 Guarany de Sobral, em 05.09.2010, e publicada originalmente no blog Inútil Paisagem.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Viva a vaia


Foto: Diário de Pernambuco

VIVA A VAIA

Clóvis Campêlo

Dizem que toda unanimidade é burra. Concordo. E vou mais além: toda incondicionalidade é burríssima. Não se deve amar incondicionalmente. Quem ama sempre quer o melhor para o objeto do seu amor. No futebol não deve ser diferente. Por isso, gostei da vaia que a torcida coral ensaiou ontem, lá no Almeidão. Já estava mais do que na hora dela ter acontecido.
O empate de 0x0, ontem, com o nosso homônimo potiguar, foi brochante. O tempo urge e agora, só temos mais nove pontos a disputar. Não podemos correr mais riscos. A torcida sabe disso e tem todo o direito de exigir que a equipe cumpra com o seu dever.
Sabemos que quem morre na véspera é peru e que um jogo de futebol se decide dentro de campo, onze contra onze. Mas também sabemos que somos o clube mais bem estruturado dessa famigerada Série D. Sabemos, ainda, que, possivelmente, temos o melhor elenco do torneio. Ou seja, dentro de campo, o Santa Cruz tem a obrigação de vencer e convencer. Infelizmente, amigos corais, até agora, isso não tem acontecido. Daí a manifestação mais do que justa da torcida.
Em cinco jogos, vencemos dois e empatamos três. Marcamos seis gols e sofremos 3. Ou seja, muito pouco para uma equipe que foi campeã pernambucana desbancado os primos ricos Sport e Náutico e que, por conta disso, criou uma enorme expectativa na sua fiel torcida e em todo o cenário esportivo nacional. Diante de tanta expectativa frustada, será que ainda estamos sob a mira do Sobrenatural de Almeida? Será que ainda corremos o risco de permanecer mais um ano no retaguarda do futebol brasileiro?
Sabemos que a classificação para a Série C poderá ocorrer mesmo sem sermos campeões. Basta nos classificarmos nesta fase e passarmos por dois mata-mata que ascenderemos. É claro que o título seria mais do que interessante. Seria o nosso primeiro título nacional, e mesmo conquistado na Série D enriqueceria o nosso currículo. Preocupa-nos, porém, a incapacidade da equipe em se superar dentro de campo, como fez com maestria no certame estadual. Daí o nosso receio de uma nova decepção.
Ontem, no Almeidão, em João Pessoa, diante do Santa Cruz/RN, jogamos e empatamos com Tiago Cardoso; Roma, Leandro Souza, Thiago Mathias e Dutra; Jeovânio (Bismarck), Memo, Weslley e Leandrinho (Tiago Cunha); Ricardinho e Kiros (Flávio Recife). Treinador, Zé Teodoro. Público de 4.129 pessoas, para uma renda de R$ 85.290.
No próximo domingo, contra o Porto, no Arruda, teremos a chance da redenção. Vencer o jogo é a condição necessária para selar a paz entre a torcida e a equipe e para restabelecer a tranquilidade geral nas Repúblicas Independentes do Arruda. O Estádio José do Rego Maciel, que já viu tantos momentos de glórias ao longo do tempo, é o palco ideal para que isso aconteça. Vamos à luta!

Recife, 2011

sábado, 27 de agosto de 2011

Rumo à Sobral


Charge de Ronaldo/JC, Recife, 23.08.2010

RUMO À SOBRAL

Clóvis Campêlo

Sobral é a terra onde nasceram o humorista Renato Aragão e o compositor Belchior. Com cerca de 180 mil habitantes, é a quinta cidade mais povoada do Ceará, situando-se às margens do rio Acaraú, a 238 quilômetros de Fortaleza.
Segundo o novo pai dos burros, o dicionário virtual Wikipédia, a cidade ficou conhecida internacionalmente por ter sido o local da comprovação da Teoria da Relatividade de Albert Einstein, em 1919. A história é a seguinte: naquele ano, a Expedição Britânica do Eclipse Solar, liderada por Arthur Stanley Eddington, deslocou-se para a cidade cearense e para a Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe, para, graças a um eclipse, comprovar a distorção que a luz sofre ao chegar ao chegar à Terra. Como o céu estava nublado, na Ilha do Príncipe, a experiência terminou sendo coroada de êxito em Sobral, tornando a cidade conhecida internacionalmente por isso. Hoje, na praça da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, existe o Museu do Eclipse, construído em homenagem à cidade e aos físicos e astrônomos que participaram do feito.
Ainda segundo o Wikipedia, a palavra Sobral é de origem latina e significa abundância de sobreiros, uma árvore de cujo tronco se extrai a cortiça.
O Guarany de Sobral foi fundado no dia 2 de julho de 1938. O seu nome foi escolhido em homenagem ao Dr. Antônio Guarany Mont'Alverne, primeiro médico de Sobral nascido na cidade. Os feitos mais expressivos do clube são a conquista de quatro campeonatos estaduais da 2ª Divisão Cearense (1966, 1999, 2005 e 2008) e a classificação à Série B do Campeonato Brasileiro, em 2001. Seu uniforme é rubro-negro e seu estádio, o Estádio do Junco, tem capacidade para 15.00 pessoas.
É nesse cenário e contra essa equipe que o Santa Cruz dará sequência à sua participação na Série D do Campeonato Brasileiro de 2010. Apesar dos poucos títulos e da pouca tradição do nosso adversário, primeiro colocado na sua chave, sabemos que não vão ser fáceis os dois jogos contra o bugre sobralense.
Mas, como diz o meu amigo Renato Boca-de-Caçapa, tricolor convicto e criador do imaginário Bloco da Cobra Teimosa, quem entra na chuva é pra se molhar e a vitória conquistada ontem, em Maceió, contra o CSA, já nos credencia a almejar outras façanhas.
Assim sendo, Sobral será mais uma etapa da nossa odisseia reabilitadora. E todo tricolor que se preza não despreza nunca a possibilidade de uma vitória contra um adversário rubro-negro, seja ele qual for!
Cada vez mais, companheiros, creio que o futuro será tricolor!

Obs.: Crônica escrita após omjogo CSA 1 x 2 Santa Cruz, em 22.08.2010 e postada originalmente no blog Inútil Paisagem.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Eu já sabia!


O meio-campista Jackson

EU JÁ SABIA!

Clóvis Campêlo

Ontem, para mim, foi um dia especial. Além de comemorar o aniversário da minha mulher, Cida, pela primeira vez, meu neto Pedro Henrique foi a campo para ver o Santa Cruz jogar. E vencemos! Com dificuldades, mas vencemos!
E, verdade seja dita, se existiu um time que mereceu ganhar o jogo de ontem, no Estádio Arruda, esse time foi o Santa Cruz. E essa vitória pode ter sido uma das mais importantes, para nós, nos últimos anos.
Sabemos das limitações técnicas da nossa equipe. Sabemos que a vitória não foi construída em grande estilo. Foi um jogo duro, suado, dramático e sofrido. Mas, vencemos e isso é o que importa agora, nesse momento.
Como diz o poeta popular, “quem tem o mel, dá o mel; quem tem o fel, dá o fel e quem nada tem nada dá”. Ao vencer o Potiguar, ontem, meus amigos tricolores, tiramos leite de pedras. E se, permitindo-me um trocadilho e parafraseando outro poeta brasileiro, havia uma pedra no caminho, ela foi retirada com dificuldades, mas com valentia.
É claro que o resultado do outro jogo em Aracaju (Confiança 1 x 2 CSA) também nos ajudou e muito. Finda a rodada de ontem, quando, pela primeira vez na competição, mantivemos a segunda colocação do grupo com o mérito de uma vitória, gostei da declaração do treinador Givanildo Oliveira ao afirmar que ainda não temos garantida a nossa passagem à segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro de 2010. Essa classificação precisa ser confirmada, em campo, contra o CSA, no próximo domingo, em Maceió.
Com sua larga experiência como profissional do futebol, tanto como jogador quanto como treinador, Givanildo achou por bem conter a euforia manifestada pela torcida e pelos próprios jogadores dentro de campo, após o jogo. O desabafo foi justo, porém, mais do que nunca, vamos precisar de exercitar a nossa capacidade de superação diante do time alagoano, sem dúvida alguma, a grande surpresa dessa competição.
Formado às pressas, com jogadores emprestados por outras equipes, e entrando pela janela da competição, o Centro Sportivo Alagoano surpreendeu a todos com o seu rendimento de cem por cento, até o momento, e com a liderança inquestionável alcançada durante a competição.
A essa altura, só existe uma equipe capaz de quebrar com esse encanto e com esse aproveitamento. Essa equipe é o Santa Cruz, o mais querido de Pernambuco, o terror do Nordeste, como cantou Capiba na sua emblemática música.
Os tempos são outros, bem o sabemos, mas vamos invadir Maceió e, dentro de campo, conquistar a Terra dos Marechais. Vamos retirar mais essa pedra do caminho. Se o domingo foi azul celeste para nós, o futuro será tricolor.

Obs.: Crônica escrita após o jogo Santa Cruz 2 x 0 Potiguar, em 15.08.2010, e publicada originalmente no blog Inútil Paisagem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Seu João tem razão


O atacante Brasão

SEU JOÃO TEM RAZÃO

Clóvis Campêlo

Assisti ao jogo Santa Cruz 0 x 0 Confiança, ontem, nas sociais do Estádio do Arruda, ao lado do meu filho Gabriel e de seu João, torcedor coral que conheci no local.
Com quase 70 anos de idade, seu João traz na memória momentos inesquecíveis vividos nas Repúblicas Independentes do Arruda na época em que o Santa Cruz tinha uma grande equipe e impunha respeito a qualquer adversário que nos enfrentasse.
Ao ver Givanildo Oliveira entrar em campo para comandar a equipe no pífio empate com o time sergipano, seu João lembrou do meio de campo famoso, formado pelo atual treinador coral, Erb e Luciano Veloso.
Lembrou do goleiro Detinho, de baixa estatura mas de uma elasticidade incrível, fechando o nosso gol e garantindo vitórias memoráveis.
Lembrou de atacantes fastásticos, como Ramon, Nunes, Fernando Santana, Cuíca e Mirobaldo, entre outros, que realmente faziam gols e eram respeitados dentro e fora do Arruda.
Lembrou da convocação de Givanildo para a seleção brasileira de futebol, em 1976, saindo direto do Santa Cruz para disputar a Copa do Bicentenário, nos Estados Unidos, enchendo de orgulho a imensa torcida coral.
Lembrou até do início da construção do Estádio José do Rego Maciel, quando a torcida colaborou levando cimento, tijolos e tinta para tornar realidade aquele sonho fabuloso.
Enfim, seu João esteve falante durante todo o jogo, resgatando do passado esses momentos de glória; tentando ressuscitar no presente incerto o espírito vencedor de equipes e atletas que souberam estabelecer, com galhardia, os seus nomes e o nome do clube no cenário esportivo brasileiro.
Seu João esteve saudosista como a prever mais um fracasso do seu clube, o que realmente aconteceu.
Findo o jogo, com a torcida coral de mais de 26.000 pessoas ensaiando uma vaia justa e desabafadora, seu João ainda teve ânimo de me dizer, num fio de esperança, que matematicamente ainda temos chance de classificação.
Desisti da vaia e passei a pensar como seu João. Afinal, não dizem que a voz do povo é a voz de Deus. E seu João é um homem do povo, sofrido, vivido e calejado pelos dias de glória e de dor.
Eu também, companheiros, a essa altura do campeonato, quero é me agarrar a qualquer possibilidade de sobrevivência como um naufrágo desesperado em alto mar. Vamos a Aracaju, no próximo domingo, em busca das chances que ainda nos restam.
Seu João tem razão.

Obs.: Crônica escrita após o jogo Santa Cruz 0 x 0 Confiança, em 01.08.2010, e publicada originalmente no blog Inútil Paisagem.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Nova direção



Uma grande torcida

NOVA DIREÇÃO

Clóvis Campêlo

Para um clube que enfrenta a situação em que o Santa Cruz se meteu nos últimos anos, o importante não é competir, mas sim vencer, vencer e vencer. Essa é a única alternativa que nos resta para chegarmos a algum lugar mais condizente e resgatar o prestígio que já tivemos no futebol brasileiro.
Olhando por esse ângulo, a vitória de ontem sobre o Potiguar, em Mossoró, foi bastante significativa. Pode ter sido o passo inicial em busca da ascensão à Série C do Campeonato Brasileiro.
Pouco importa que tenha sido uma vitória magra e apertada (1 x 0), diante de um time sem tradição e que terminou o jogo com dois homens a menos. Pouco importa tudo isso. O que importa é que ganhamos e que já pudemos vislumbrar na equipe o dedo do novo treinador. Givanildo Oliveira estreou com o pé direito.
Hoje, todos nós sabemos, que o Santa Cruz conta com uma equipe limitadíssima tecnicamente. Disputamos uma Série D incipiente e que ainda não conseguiu um nível de organização e motivação suficientes para ser levada à sério. Mas, é esse o nosso purgatório. É esse o resultado de anos de irresponsabilidades administrativas. Sair do fundo do poço não é fácil. Exige firmeza, planejamento, paciência e perseverança. Um deslize qualquer, e a vaca continuará no brejo.
Por outro lado, também, em um clube deficitário, não é fácil manter uma infra estrutura como a que o Santa Cruz possui: uma bela sede e um grande estádio, construídos numa época de populismo político onde se pretendia ter um Maracanã em cada Estado brasileiro. Manter tudo isso custa caro, do mesmo modo que precisa-se de dinheiro para se montar um bom time de futebol. E dinheiro e patrocínio tornam-se ainda mais difíceis quando o clube despencou, nos últimos cinco anos, no cenário futebolístico nacional. Modificar esse estado de coisas de forma constante e responsável, realmente, não é fácil.
Temos, no entanto, um grande e invejável patrimônio que é a nossa torcida. E essa poderá ser a força que nos impulsionará rumo a um futuro mais digno e condizente com o nosso passado de glórias. Para comprovar o que digo, basta olharmos a insignificante média de público de todos os jogos da Série D até o momento e compararmos com o grande público presente no Estádio do Arruda (quase 20 mil pessoas) na nossa estreia contra o CSA, dia 18 próximo passado.
Hoje, depois de conseguirmos afastar as figuras nefastas que tanto prejuízo causaram ao clube nos últimos tempos, com todo esse potencial e torcida, temos o direito de almejar o nosso retorno à elite do futebol brasileiro.
Só não temos mais o direito de cometer novos e fatais erros.

Obs.: Crônica escrita após o jogo Potiguar 0 x 1 Santa Cruz, em 25.07.2010, e publicada originalmente no blog Inútil Paisagem.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

É preciso acreditar




É PRECISO ACREDITAR

Clóvis Campêlo

Quem, como eu, acompanhou a trajetória do Santa Cruz no Campeonato Pernambucano deste ano, quando fomos campeões, surpreendendo a tudo e a todos, esperava que na Série D do Campeonato Brasileiro a equipe coral continuasse num ritmo crescente e evolutivo, deslanchando.
Findo o Estadual 2011, ficamos com a impressão de que a conquista nos empurraria para um nível futebolístico mais elevado e satisfatório.
Essa impressão se fortificou depois das duas apresentações contra o São Paulo, pela Copa do Brasil. Mesmo eliminados, parecia-nos que a equipe crescia e se consolidaria como um dos grandes favoritos à conquista da famigerada Série D.
Talvez por isso, hoje, venha-nos uma sensação de preocupação e uma certa insatisfação com o desempenho do time nos jogos do certame e nos amistosos como o de ontem, contra o Campinense da Paraíba. O empate de 1x1 voltou a mostrar uma equipe confusa e mal resolvida em termos de ataque. Aliás, desde 2008 que o Santinha não consegue derrotar o Campinense, seja no Recife ou em Campina Grande. Foram três jogos, com uma derrota por 2x1 lá, em Campina Grande, em 2008 na nossa estreia na Série C do Brasileiro daquele ano, e dois empates por 1x1, no Recife. O de ontem, no amistoso, e o de 2008, no jogo da volta pelo Brasileiro e que nos valeu a queda para a Série D, onde permanecemos até hoje.
Apesar das críticas e da insatisfação que ora me assola, juro que pela minha cabeça não passa, de maneira alguma, a possibilidade de ficarmos mais um ano no lixo do futebol brasileiro. Apenas me inquieto com o fraco desempenho da equipe em jogos relativamente fáceis, onde poderíamos ter firmado o nosso nome com convicção. As nossas maiores dificuldades são os nossos constantes erros e as nossas próprias limitações dentro de campo.
Por outro lado, sabemos que ascendendo à Série C, no próximo ano, teremos que reforçar a equipe, tanto em busca de um bom desempenho no Brasileiro de 2012 quanto na luta pela conquista do bicampeonato estadual. A um campeão não é dado jamais o direito de vacilar.
Sabemos também que hoje o Santa Cruz vive uma outra realidade, seja em relação a organização do futebol profissional ou a vida administrativa da entidade, com a prática de ações mais eficientes e pragmáticas. E é isso que nos anima e nos tranquiliza mais. É isso que alimenta a confiança da torcida e traz de volta ao clube os torcedores desgarrados. Eficiência e transparência são necessárias.
No entanto, sabemos, também, que o futebol é o carro chefe de um clube como o nosso e que de nada adiantara tudo isso se dentro de campo não se repetirem as conquistas. Precisamos de outros títulos para a reafirmação definitiva da nossa auto-estima e do respeito às nossas cores no cenário futebolístico nacional.

sábado, 20 de agosto de 2011

Galeria de imagens








GALERIA DE IMAGENS

Fotografias feitas no dia 14 de agosto de 2011, no Estádio do Arruda e imediações, antes e durante o jogo Santa Cruz/PE 1x0 Santa Cruz/RN.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Além da imaginação


Fernando Bezerra Coelho

ALÉM DA IMAGINAÇÃO

Clóvis Campêlo

Torcedor de futebol é mesmo um bicho muito besta. Gasta dinheiro, deixa-se iludir e tem muito pouco como compensação. Ainda mais quando o clube está na situação em que o Santa Cruz se encontra hoje: no limite da extinção.
Mas, afinal, por que chegamos e esse ponto? Juntem-se anos de incompetência administrativa à gestões desastrosas e desonestas e poderemos encontrar uma resposta às nossas indagações.
E o pior é que os messias que se anunciavam como os promotores da salvação, falharam.
Primeiro, foi Edinho, primeiro presidente da oposição eleito na história do clube. Não chegou nem a completar o segundo ano do seu mandato. Deixou o clube afundado em dívidas e dúvidas. Dádivas, nenhuma. Mas, os seus feitos não se resumiram apenas ao primeiro mandato como presidente eleito pela oposição. Além disso, fez o clube terminar o campeonato pernambucano de 2008 na sétima colocação, atrás de clubes sem nenhuma tradição no nosso futebol, tendo que disputar um abominável “torneio da morte” para não ser rebaixado à Série B do Estadual. Além disso, em dois anos, fez o clube despencar da Série B do Campeonato Brasileiro para a inexpressiva Série D, de onde ainda não conseguiu sair.
Quando Fernando Bezerra Coelho, do alto da sua bem sucedida carreira de homem público, prontificou-se a assumir o comando administrativo coral, mais uma vez fez-se a luz, iluminando as nossas caras cansadas e descrentes, reativando as nossas três cores desbotadas e reabilitando a esperança quase morta. Foi a nossa segunda desilusão em tão curto espaço de tempo.
No início, tivemos a impressão de que as Repúblicas Independentes do Arruda, local de tanta glória a e tradição no futebol brasileiro, sofreria uma avassaladora revolução. O tempo passou, porém, e nada de significativo aconteceu. Nesses quase dois anos com FBC a frente do clube tricolor, dentro de campo, tivemos apenas a vitória enganadora contra o Náutico, no estadual desse ano, e a vitória contra o Botafogo carioca, no Rio, na Copa do Brasil desse ano. E só, o que, convenhamos, é muito pouco para contentar uma torcida imensa e fiel e para resgatar a credibilidade do clube no cenário esportivo pernambucano e brasileiro.
Assim, ao iniciar de forma melancólica a sua participação na Série D do Campeonato Brasileiro deste ano, sendo derrotado dentro do Estádio do Arruda pelo Centro Sportivo Alagoano, apenas tivemos a sequência dessa ópera bufa, onde, mais uma vez, corremos o risco de continuarmos representando o papel de bobos da corte.

Obs.: Crônica escrita após o jogo Santa Cruz 0 x 1 CSA, em 18.07.2010. Publicada originalmente no blog Inútil Paisagem.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Calçada da igreja serve de berço ao Santa Cruz



CALÇADA DA IGREJA SERVE DE BERÇO AO SANTA CRUZ

Givanildo Alves

Em 1914, o futebol não era mais privilégio do Sport, Náutico e ingleses. Ele havia se alastrado, começado a se popularizar e raro era o dia em que nos jornais não saíam notinhas comunicando a fundação de mais um clube. Era o Paulistano, Internacional, Centro Esportivo do Peres, Coligação Recifense, Agros, Caxangá, Flamengo, Olinda, Botafogo, João de Barros (atual América), Velox, Americano e tantos outros. Chegou-se até a fundar uma Liga, a Recifense, que teve poucos dias de vida. Jogava-se na campina do Dérbi, no Jardim Treze de Maio, no British Club, em Santana, no Colégio São Vicente de Paulo, em Olinda, Areias. Jogava-se, enfim, onde houvesse um terreno baldio, e até mesmo nas ruas se jogava.
Os jornais mais lidos da época, como o Jornal Pequeno, Diario de Pernambuco, A Província e Jornal do Recife, que antes davam mais ênfase às regatas e turfe, começaram a ceder mais espaços ao futebol, cujas notícias eram consumidas cm muito interesse pelo povo. Ela não saíam mais espremidas em uma coluna, como antes, mas em duas, três e até quatro! A falta de fotos, encimavam o noticiário com ilustrações, mostrando os jogadores disputando a posse da bola à frente de uma barra.
E foi em meio à febre pelo novo esporte que nasceu a 3 de fevereiro de 1914 o Santa Cruz Futebol Clube, idealizado por um grupo de adolescentes estudantes do Colégio Salesiano que, à noite, costumava reunir-se na calçada da igreja de Santa Cruz, da rua do mesmo nome, no bairro da Boa Vista, do que resultou o nome do clube. A reunião foi na Rua da Mangueira (hoje Leão Coroado), casa nº 2, bairro d Boa Vita, tendo sua primeira diretoria ficado assim composta: Presidente, José Luiz Vieira; Vice, Quintino Miranda Paes Barreto; 1º Secretário, Luiz Gonzaga Uchôa Barbalho; 2º Secretário, Augusto Dorneles Câmara; Tesoureiro, Augusto Franklin Ramos, e Diretor de Esportes, Orlando Dias dos Santos. Foram aprovadas as cores branco e preto como oficiais.
Um fato singular e inesquecível marcou o primeiro ano de vida do Santa. Todo mundo queria participar da prieira partida do clube, que tinha acertado um jogo contra o Rio Negro, uma agremiação também nova e composta na sua maioria de garotos. Havia uma grande expectativa não só por parte dos seus defensores, mas também dos seus primeiros torcedores. O local do encontro foi o campo do Dérbi, o mesmo onde havia se realizado o primeiro jogo de futeol no Recife, e que continuava sendo o principal pólo de diversão da cidade. O Rio Negro se esforçou muito, porém não conseguiu evitar a humilhante goleada de 7x0, imposta pelos meninos da Boa Vista. A grande figura do encontro foi o atacante Carlos Machado, que arrasou coma defensiva contrária, fazendo cinco gols dos sete assinalados. No final do jogo a euforia tomou conta de todos pelo grande triunfo de estréia.
A fragorosa derrota tornou-se um pesadelo para a turma do Rio Negro, que resolveu pedir revanche, impondo no entanto duas condições: o jogo seria no seu próprio campo, na Rua do Sebo, hoje Barão de São Borja, e o Santa Cruz não esclaria Carlos Machado. Como era natural, todos estrnharam a segunda condição, todavia mesmo assim o desafio foi aceito. Sem Carlos Machado a reabilitação seria certa, raciocinavam os dirigentes do Rio Negro. O Santa cumpriu fielmente o acordo, chegando em campo na hora prevista e sem o artilheiro. Discretamente os diretores do Rio Negro conferiram se Carlos Machado, o home que havia feito tantos gols na outra partida, estava entre os onze da Boa Vista. Não, não estava. Acabado o jogo, nova vitória do Santa Cruz e por um placar ainda mais elástico: 9x0! Carlindo Cruz, que havia substituído Carlos Machado, ganhou o jogo quase sozinho. Ele fez seis dos nove gols assinalados.


Fonte: História do Futebol em Pernambuco. Diário de Pernambuco, Recife, sábado, 8 de julho de 1995, pág B-5.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Uma vitória amarela




UMA VITÓRIA AMARELA

Clóvis Campêlo

Vencemos mas não convencemos ainda. Conseguimos a primeira vitória em casa, marcamos o primeiro gol no Arruda, continuamos invictos, reconquistamos a liderança do Grupo 3, mas o futebol apresentado pela equipe foi aquém do esperado e nos deixou com o coração na mão. E dessa feita, não temos a desculpa do campo ruim, da chuva ou de uma iluminação deficiente. Na falta de uma saída melhor, o elenco e o treinador Zé Teodoro alegaram que o descanso de 15 dias atrapalhou o nosso desempenho dentro de campo. Uma desculpa de amarelo. A vitória, aliás, foi uma vitória amarela.
Na realidade, o que nos falta, com algumas exceções, é qualidade técnica dentro de campo. A sorte é que estamos enfrentando equipes piores do que a nossa. Uma outra verdade insofismável é que nos falta bons atacantes. São muitos jogadores de armação (armandinhos) contratados e poucos jogadores de ataque, com presença de área e capacidade de finalização (mesmo que sejam trombadores).
A Série D é diferente do Campeonato Pernambucano por ser um certame mais curto e que não admite erros prolongados. Se no Estadual fomos campeões mesmo apresentando atuações irregulares e bisonhas em alguns momentos, pode ser que na Série D isso seja bem mais perigoso, principalmente quando entrarmos na fase do mata-mata.
Ontem, no Arruda, perante mais de 35 mil abnegados torcedores, vimos um time desconexo e sem a capacidade de se impor diante de um adversário tecnicamente mais fraco. Foi uma vitória suada e frustante, apesar de ter nos trazido de volta a liderança do Grupo 3 e garantir a manutenção da invencibilidade.
Agora, que vamos folgar mais 15 dias, a nossa preocupação aumenta. Não só pela possibilidade de voltarmos a cair na tábua de classificação, como também, levando em consideração as desculpas esfarrapadas apresentadas pelo elenco, corrermos o risco de ver aumentar a nossa desarticulação dentro de campo.
Com um gol de Kiros, o Santa Cruz, ontem, suou e venceu por 1x0 o seu homônimo potiguar, o Santa Cruz do Rio Grande do Norte, atuando com Tiago Cardoso; Bismarck, Leandro Souza, Thiago Matias e Dutra; Joevânio, Memo, Weslley e Renatinho (Chicão); Flávio Recife (Leandrinho) e Kiros (Ricardinho). Treinador, Zé Teodoro. Público de 35.020 pessoas para uma renda de R$ 337.929.
Mais uma vez, tiramos o chapéu para a grande torcida coral, que, esquecendo as comemorações do Dia dos Pais, invadiu as Repúblicas Independentes do Arruda, empurrou o time para a frente e comemorou a vitória, sem perder, no entanto, o senso crítico em relação às limitações da equipe dentro de campo.
Como diria o pessoal do Blog do Santinha, o Santa Cruz é a nossa Pátria!

domingo, 14 de agosto de 2011

A arena tricolor



A ARENA TRICOLOR

Gustavo Krause

Foi-se o tempo em que possuir um estádio era sinônimo de grandeza para os clubes de futebol. Hoje, é um ônus insuportável. Sinal de modernidade e progresso. Não adianta maldizer os fatos. Nem permanecer imobilizado, idealizando o passado. O futebol virou um produto rentável, grande negócio ou tenebrosa negociata. Não é feito de demônios. Nem de santos. Não pode ser gerido com exatidão matemática. Nem com os impulsos da emoção. Difícil é encontrar o ponto certo. Estas coisas me vieram à cabeça depois que cedi ao convite de amigos tricolores - Dinarte, Walter Benjamim e Nelson Montenegro - que me levaram ao Arruda para assistir ao jogo Santa Cruz contra o Guarani. Aliás, um hábito que larguei - ir aos estádios -, independente da preferência clubística, por conta de uma razão simples: medo da violência. Não sei se vi todos os lances do jogo; suspeito que passei o tempo todo revendo o passado e visitando o futuro. Emoção positiva: mais de 40 mil pessoas vestidas de vermelho, branco e preto, apaixonadas; emoção negativa: a bola teimou em não entrar na barra adversária o que seria saudado pela explosão de grito de gol. Como o meu passado é longo e o espaço é curto, não vou descrever a paisagem desbotada de tudo que já presenciei naquele estádio. Mas não posso deixar de revelar que, um dia, bem longe, fui apresentado a um acanhado campinho e ml sabia que, tempos depois, a vida pública me faria participar, ainda que modestamente, da transformação do campinho no colosso do Arruda. Presta atenção ao jogo! Repreendia-me a consciência do presente. De repente, a mesma consciência me deslocava em direção ao futuro. O que será daquele gigante nos próximos cinco anos? A pergunta me fustigava com o açoite da incerteza. Na década de 70, Pernambuco resistiu ao desperdício dos estádios públicos, todos batizados com aumentativos das homenagens personalistas. Os clubes pernambucanos se cozeram com suas próprias e minguadas linhas, com ou sem apoio do poder público. Agora, chegou o tempo das arenas de múltiplos usos que atendem à rentável indústria do entretenimento e às exigências da Fifa para que o Brasil, na lei ou na marra, seja o palco da Copa. A sensação é que tudo será permitido e depois... Bem, o depois a Deus pertence. Meditando, voltei silencioso para casa. No caminho, relia a lição de um santo filósofo, Santo Agostinho, para quem "o presente do passado é a memória, o presente do presente é o tempo a percepção direta e o presente do futuro é a esperança". Que a esperança, os santos e os homens de boa vontade mantenham de pé, viva, a arena tricolor.

Publicado no Jornal do Commercio, Recife, sábado, 13.08.2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Santinha na imprensa internacional




IRLANDÊS RESPONSÁVEL POR PUBLICAÇÃO DO THE GUARDIAN REVELA PAIXÃO PELO SANTA CRUZ

Aurino Rosendo

A fama da torcida do Santa Cruz está transcendendo todos os limites. Sempre destacada em cenário nacional pelo apoio incondicional que oferece a equipe que disputa a quarta divisão do futebol nacional, a torcida tricolor ganhou destaque, nesta terça (03), no jornal britânico “The Guardian”. O periódico publicou artigosobre a invão coral à João Pessoa, na estreia do time na Série D.
O responsável pela publicação foi o professor irlandês e torcedor do Santa Cruz, James Young. Ele reside há quatro anos no Recife e resolveu enviar para o jornal inglês o artigo que escreveu para o blog The Dirty Trackle, onde narrou a odisséia dos 16 mil tricolores rumo a João pessoa. James é um aficcionado pelo Santa e possui um blog em inglês, onde escreve sobre o clube.
Explicou que a escolha do Santa Cruz como clube para torcer no Brasil vem das suas preferências britânicas. Ele é torcedor do Manchester City, que é conhecido como o clube do povo de Mancheter. Revelou que seu primeiro destino no Brasil foi Belo Horizonte, onde morou por um ano e teve simpatia pelo Atlético/MG. Dessa forma, ao chegar no Recife disse que ao conhecer o Santa Cruz foi amor à primeira vista.
Ele está deixando o Recife para morar em Goiânia, mas garantiu que não vai perder de jeito nenhum de acompanhar no Arruda, os jogos da equipe tricolor na Série D. Batemos um papo com James Young sobre sua admiração pelo Santa Cruz. Confira entrevista:

ENTREVISTA

James, você é torcedor do Santa Cruz?
R: Sou tricolor mesmo, até fui para Sobral no ano passado.

Por que você escolheu torcer para o Santa Cruz?
R: Um longa história! Meu time britânico é o Manchester City, conhecido como o time do povo de Manchester. Vim para o Brasil a trabalho e meu primeiro destino foi Belo Horizonte. Lá conheci o Atlético e me identifiquei. Depois, desembarquei em Recife, onde conheci o Santa e sou apaixonado há quatro anos.

Você é correspondente do “The Guardian” em Recife?
R: Não, sou professor e escrevi um artigo sobre a “Invasão Coral” para o blog The Dirty Trackle e daí resolvi enviar para o jornal, que publicou hoje.

Ficou espantado com a repercussão da publicação do jornal?
R: Já tinha enviado outros artigos meus para o The Guardian, não esperava pela publicação. Não sei se vou ficar famoso(risos).

Depois de quatro anos em Recife você está de partida, vai dar para acompanhar o Santa na Série D?
R: Estou indo morar em Goiânia, mas voltarei para acompanhar os jogos. Vou fazer isso de todo jeito. Não posso perder o acesso coral à Série C.

Fonte: http://goleadape.wordpress.com/2011/08/03/ingles-responsavel-por-publicacao-do-the-guardian-revela-paixao-pelo-santa-cruz/

Copiado do blog Coral Jampa (http://coraljampa.worldpress.com)

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

A opinião do torcedor



A OPINIÃO DO TORCEDOR

Aristóteles Coelho

Não adianta mais.
Ou essa cartolagem se convence que é preciso parar com as picuinhas, briguinhas internas, botar dinheiro nos próprios bolsos e levar a sério - planejar, ir atrás de recursos, investir e perseguir um objetivo, ou nunca mais teremos um time de verdade.
Do contrário, continuará amargando derrotas em cima de derrotas para times bisonhos, amadores, sem expressão. Não combina com a tradição, o passado do nosso time.
Essa sequência desastrosa de resultados negativos mancha o passado e destrói a capacidade de se reerguer.
Perde todo o significado a denominação de "uma das maiores torcidas do Brasil", jogos com estádio lotado, torcedor esperançoso. Enquanto isso, lá atrás dos bastidores a conversa é outra e o fato acima é extremamente secundário. É panis et circensis a vida toda.
Será que a torcida coral vai viver só de passado e se iludir em frequentar o campo e vibrar eternamente por nada, sem retorno? Será que este torcedor fiel e apaixonado vai se contentar só com isso?
Olha só isso. É pensamento de time pequeno, que nunca saiu da sarjeta e não tem maiores pretensões: o título de campeão da 2ª divisão do campeonato da Usina Trapiche tá muito bom. É festa pra duas noites e o resto do ano. Fala sério!
Acho que o time, pelo peso de sua camisa e de sua história, tem que almejar conquistas mais significativas, que um simples campeonato pernambucano (que convenhamos, não mede pontencial nenhum para uma equipe competitiva em competições de maior porte)
Eu pelo menos não tenho tesão nenhum em curtir campeonato pernambucano, copa nordeste, copa dos campeões do estado, torneio com os times do Cazaquistão - que serve apenas para clubes não morrerem com as dívidas enormes enquanto algum campeonato aí surja ao longo do ano.
Para mim, como torcedor coral que sou, o time só vai resnascer quando pensar maior. E não é esperando que a diretoria vá tomar iniciativa de querer mudar que não vai nunca.
A torcida tem que agir efetivamente, botar a boca no trombone, derrrubando dirigente corrupto, sem real envolvimento com os interesses do clube, seja pichando a sede, quebrando as instalações, incendiando o ônibus tricolor, jogando ovos nos jogadores, na quadrilha de cartolas. Mostrar que torcida não é só a que enche estádios, mesmo sem a equipe nunca apresentar nenhuma evolução. Torcida é a que exije. Precisamos ter dignidade, é preciso que se respeite o torcedor (não é apenas ser amante do futebol é participar da política e da administração)
Mudança é revolução, é luta e cobrança.
Mire-se no exemplo de um Corinthians, de um Flamengo, de um Grêmio, de um Atlético MG,...Torcedor ali grita, quebra o pau, não dá moleza. O clube vive dele e pra ele. Ele gasta seu dinheirinho suado, apoia-o nos jogos, viaja de caminhão. Não vai deixar que cartolas com seus acordos escusos prejudiquem sistematicamente o time e o prazer de tocer.
O meu Santa é o Santa que entra em campo e impõe respeito e encara qualquer parada de igual pra igual.
Se, um dia, a direção do clube mancomunada (ou será subalterna?) com as "forças ocultas" comandada pelas elites do mundo futebolístico e da mídia esportiva, provar-me que vai tirar o clube da merda, terei o prazer de voltar ao estádio e saber que vou assistir futebol e não torcer em vão. E vou ver o Santa Cruz que conheci.
O outro Santa pra mim não existe.
Assim, deixa-me aqui jogando campeonato português no Play Station, ou assistindo a uma partida do Manchester X Barcelona. É divertido e não tem stress.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Navegar era preciso...



NAVEGAR ERA PRECISO...

Clóvis Campêlo

Ontem, em Belo Jardim, o Santa Cruz não encontrou um porto seguro. Trocadilhos infelizes à parte, empatamos em 2x2 e, apesar da nossa liderança no Grupo 3 da Série D, o resultado não poder ser considerado bom. Mais uma vez, enfrentamos a lama, o campo ruim, a má iluminação e um time tinhoso que insistiu em não se entregar. Navegar era preciso, mas a nave tricolor encalhou nas águas de julho. Mais uma vez, a luzinha vermelha deve ter acendido no Arruda. Já está se tornando crônico e preocupante.
Como o Santinha não jogará na próxima rodada, após a sua realização, podemos até cair para o terceiro posto na tábua de classificação. Isso é ruim, desmotiva a torcida e a própria equipe e, o que é pior, acaba com o respeito antecipado que impusemos aos adversários.
Para quem gosta de estatísticas, esse foi o quinto jogo do ano, entre Santa Cruz e Porto. Durante o Campeonato Pernambucano, vencemos três (2x0, 2x1 e 3x1) e perdemos o primeiro (3x1, em Caruaru). Com o empate de ontem, marcamos 10 tentos e sofremos 7 gols.
Penso que, mais uma vez, a ausência de Memo, na frente da zaga, fez falta. Sem ele como volante, os zagueiros se antecipam para dar o primeiro combate, tornando a defesa mais vulnerável. A falta cometida por Éverton Sena, no final do jogo, e que terminou redundando no segundo gol do Porto, confirma isso.
Uma outra questão a ser levantada diz respeito a falta de condições do Estádio Mendonção. Mais uma vez nos perguntamos como um estádio naquela situação, sem estrutura até para que a própria imprensa esportiva exerça a sua função, é liberado para a disputa de um certame nacional, organizado pela nossa entidade mór. Fica a pergunta no ar aguardando que alguém a responda. Nada disso, porém, elimina a nossa falta de competência diante da realidade de um torneio curto, duro e onde não se pode exagerar nos erros, sob o risco de mais um fracasso.
Ontem, em Belo Jardim, mais uma vez sob o comando de Zé Teodoro, o Santa Cruz jogou e empatou com Tiago Cardoso; Éverton Sena, Thiago Matias e Leandro Cardoso; Memo, Jeovânio, Weslley, Renatinho (Chicão) e Dutra; Tiago Cunha (Flávio Recife) e Kiros (Jeferson Maranhão). Público reduzidíssimo de 2.680 pessoas, para uma renda de R$ 36 mil.
A equipe coral só voltará a campo no domingo 14 de agosto, em casa e diante da sua torcida. O adversário será o nosso homônimo potiguar, o Santa Cruz de Mossoró, que atualmente ocupa a terceira posição no Grupo 3, com os três pontos ganhos exatamente em cima do Porto.
Essa será a hora da onça (ou será da cobra?) beber água. Dentro de campos, vamos impor a nossa condição de equipe grande e melhor e fazer com que o time do Rio Grande do Norte pague o pato, o ganso, o gavião e todos os outros bichos de pena possíveis.