terça-feira, 31 de maio de 2011

Luciano Veloso, a Maravilha do Arruda



LUCIANO VELOSO, A MARAVILHA DO ARRUDA

Clóvis Campêlo


Um dos maiores jogadores que já passaram pelas fileiras do Santa Cruz, Luciano Jorge Veloso nasceu na cidade de Pesqueira, no sertão pernambucano, no dia 13 de setembro de 1948.
Segundo o pesquisador Marcos Velloso, no blog Os grandes ídolos do Santa Cruz, Luciano foi o segundo maior artilheiro da história do clube coral, marcando 174 gols em 409 jogos disputados, além de ser o quarto maior goleador em campeonatos pernambucanos, com 110, tentos marcados, dos quais 83 foram feitos com a camisa do Mais Querido de Pernambuco, situando-se atrás apenas de Baiano, Tará e Fernando Carvalheira.
Iniciou a sua carreira futebolística em 1965, no Clube de Regatas Brasil, de Maceió. No Santa Cruz, permaneceu por dez anos, de 1965 a 1975, defendendo ainda o Sport (1975-76), o Corinthias (1977-78), Juventus (1979-80), Portuguesa (1980-81), Náutico (1981-82) e Central (1982), onde encerrou a sua gloriosa carreira.
Como jogador, foi pentacampeão pernambucano (1969-73) pelo Santa Cruz, além de ter sido ainda campeão pernambucano pelo Sport, em 1975, e campeão paulista pelo Corinthias, em 1977.
Consta que Luciano, ao chegar aos juniores do Mais Querido, tinha o apelido de Dodô. Acontece que no time já havia outro Dodô, que atuava como goleiro. Para evitar confusão com os nomes, foi sugerido por um dos diretores que os jogadores passassem a ser chamados pelos nomes de batismo, surgindo assim Luciano e Naércio, dois ídolos do time coral.
Por suas qualidades técnicas, o craque logo ascenderia ao time principal. Sua ascensão coincidiu com a política adotada pelo Santa Cruz, na época sob o comando do presidente James Thorp, de formar uma equipe com jogadores prata-da-casa e oriundos da própria região nordestina, evitando os jogadores caros vindos do eixo Rio-São Paulo. A estratégia deu certo, levando o tricolor do Arruda a conquista do pentacampeonato estadual, nos anos de 1969 a 1973.
Embora sendo pernambucano, Luciano começou no CRB alagoano, aos 17 anos, levado pelo irmão Paulo Veloso, centroavante que também jogou no Santa Cruz no período do pentacampeonato. Chegou ao Santa Cruz pelas mãos do técnico Batista, depois de atuar num jogo contra o clube pernambucano, onde mesmo perdendo por 3x2, fez uma grande partida, marcando os dois gols do time da Terra dos Marechais.
Com sua categoria e seu chute forte, Luciano foi uma peça fundamental na conquista do mais importante título estadual do tricolor do Arruda. Na campanha do pentacampeonato, balançou as redes 69 vezes, tornando-se, ao lado do atacante Fernando Santana, o maior goleador desse período. Foi também o jogador que mais vezes vestiu a camisa coral durante a campanha do penta, participando de 126 jogos dos 131 realizados, com a inacreditável marca de haver atuado em 96% das partidas. Vale salientar, ainda, que em 1969, ao ganhar o primeiro campeonato do título inédito, o Santa Cruz amargava um jejum de 10 anos.
Os anos de 1969 e 1970 foram tão marcantes na carreira de Luciano Veloso, que o meio-campista teve o seu nome incluído na lista dos 40 jogadores pré-selecionados para a Copa do Mundo de 1970.
A sua eficiência e categoria, porém, não se limitou apenas aos campeonatos pernambucanos disputados com brilhantismo. No Campeonato Brasileiro de 1973, terminou entre os principais craques do concurso Bola de Prata, instituída pela revista Placar, ao lado de jogadores como Forlan, Ademir da Guia e Fito Neves, que, na época, atuava pelo Bahia. Jogando os Brasileirões de 1971 a 1974, pelo Santa Cruz, Luciano marcou 34 gols em 96 jogos disputados, uma marca considerável para quem atuava no meio de campo.
Por tudo isso, ganhou com merecimento a patente de Maravilha do Arruda.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Coisas do futebol brasileiro


A Seleção do Irã com a camisa coral, em 1972

COISAS DO FUTEBOL BRASILEIRO

Clóvis Campêlo


Apesar de ser campeão estadual de futebol, o Santa Cruz dorme em berço esplêndido, aguardando o início da famigerada Série D do Campeonato Brasileiro, quando iniciará a sua via-crucis em busca da reabilitação e do prestígio perdido no cenário esportivo nacional.
E embora tenha mantido a base do time que ganhou o campeonato pernambucano, as dúvidas existem e mostram que o calendário do futebol brasileiro, ao menos nas séries C e D, ainda não pode ser levado muito à sério.
Dois meses separam o jogo final do estadual na estreia na Série D, contra o Alecrim de Natal. É um tempo precioso perdido por conta de um calendário mal elaborado.
Como sugeriu um torcedor consciente, talvez seja melhor trazer grandes equipes do cenário mundial para aqui jogar, como fez o Santinha em 1995 ao ganhar o Estadual e trazer o Peñarol do Uruguai para um jogo amistoso. Com certeza , o Arruda se encheria e teríamos uma renda digna da grandeza do Santa Cruz e da sua imensa torcida.
Essa história de ir ao Irã fazer um amistoso parece história pra boi dormir e de boi nós entendemos.
É bem verdade que em 1972, ao disputar aqui a Mini Copa, o Irã nos fez uma deferência especial ao atuar em duas partidas com a nossa gloriosa camisa tricolor. Mas penso que não faz sentido atravessar meio mundo para jogar uma partida e voltar. Melhor seria termos nos preparado para fazer grandes e bons jogos no Arruda com o apoio da nossa torcida fiel.
E por falar em excursão, o pesquisador Carlos Celso Cordeiro, segundo matéria publicada ontem no Jornal do Commercio, do Recife, tem contabilizado nos seus anais 32 jogos do Santa Cruz no exterior, com 23 vitórias, 8 empates e apenas uma derrota.
A excursão mais significativa aconteceu em 1979, sob o comando do treinador Evaristo Macedo, quando estivemos nos Emirados Árabes, na Europa e no Gabão, enfrentando equipes de respeito, como o Paris Saint Germain e a Seleção da Romênia e voltando ao Recife invictos, conquistando o reconhecimento da CBF com o troféu Fita Azul. Consta, inclusive, que, no futebol brasileiro, apenas Santa Cruz e Portuguesa de Desportos ostentam tal título e façanha.
Voltando ao presente, porém, sabemos que o caminho da Série D à Série C será longo e difícil. Precisamos nos fortificar e nada melhor do que enfrentarmos em casa equipes de gabarito e de projeção no cenário desportivo brasileiro e mundial.


Recife, 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Recife em três cores



O RECIFE EM TRÊS CORES


Recife vestiu, ontem, as cores do Santa Cruz. Fosse na camisa dos torcedores, em cima dos dez trios elétricos ou em bandeiras hasteadas nos carros, o vermelho, o preto e o branco do clube enfeitaram as ruas da capital pernambucana na carreata de comemoração à conquista do título de Campeão Pernambucano - após cinco anos -, que começou pela manhã e terminou no final da tarde, na Avenida Boa Viagem, com show da banda Araketu. O JC tentou pegar uma estimativa do número de participantes com a Polícia Militar e a CTTU, mas não houve retorno. 
O domingo pode ser sinônimo de dia de folga, mas os tricolores acordaram cedo para prestigiar o time de coração. A saída estava marcada para as 9h, no Arruda, mas desde as 8h já havia muitas pessoas se preparando em frente à sede. "Cheguei antes pra garantir minha faixa de campeão e a bandeira", revelou o estudante Márcio Andrade, 18 anos.
O preço dos apetrechos variava entre R$ 10 e R$ 30, dependendo da pechincha. E, enquanto o comércio rolava solto, nas caixas de sons se escutavam os gols de Landu e Gilberto na final. "Sempre que escutar esses gols vou me emocionar. Este título foi especial, depois de tudo o que aconteceu", confidenciou a dona de casa Regina Maria, 46.
Muitos foram os corais com máscaras de bois, em alusão à folclórica história do Sport durante o Campeonato Pernambucano. Já o representante comercial Ângelo Giovani, 47, resolveu inaugurar a ideia do Fuscoral, ao pintar um fusca antigo com as cores tricolores. "Este carro uso com os amigos apenas para brincar no Carnaval. Ontem (sábado), pensamos em pintar com as cores do Santa Cruz", declarou.
A saída aconteceu apenas às 10h30. A reportagem do JC seguiu durante parte da carreata no trio do grupo de torcedores Santamante. Entre os gritos de guerra puxados pelo cantor e animador Chupa-cabra, estavam muitas provocações aos torcedores do Sport. Foram tocadas músicas com referências bovinas, como "É o boi!", de Claudinho e Bochecha, e o famoso brega de autor "Aí você faz mom".
Os trios, de uma forma geral, não seguiram juntos, o que acabou dispersando a torcida em grupos diferentes. Na chegada à Avenida Agamenon Magalhães, O JC flagrou brigas - alguns rubro-negros investiram nos carros, arrancando bandeiras e fazendo ameaças. Apesar de não estarem utilizando camisas do Leão, faziam sinais da Torcida Jovem.
O trânsito também ficou bastante complicado. Alguns carrosque trafegavam no sentido Olinda-Boa Viagem e não participavam fizeram retornos proibidos. Alguns, inclusive, chegaram a dar ré ou voltar na contramão na própria Agamenon, próximo da lombada eletrônica, na altura do Unicords. O trio trazendo a banda Araketu chegou à área de concentração - na Avenida Boa Viagem, na altura do 2º jardim - às 16h45, onde muitos torcedores já esperavam.


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, segunda-feira, 23/5/2011 

terça-feira, 24 de maio de 2011

O pequeno xará de Gilberto



Foto: Rodrigo Lobo / JC Imagem

O PEQUENO XARÁ DE GILBERTO

Gabriela Máxima

Era ainda o primeiro Clássico das Multidões quando o torcedor Abnoam Ribeiro estava com os seus amigos assistindo a decisão entre Sport e Santa Cruz. A euforia de ser campeão pernambucano tomou o tricolor de uma forma tão inesperada, que ele decidiu o futuro nome do filho, que acabara de nascer. "Se o Santinha conquistar o título, o jogador que fizer o primeiro gol será homenageado com o nome do meu filho", apostou.
A sorte do bebê e de seu Abnoam é que o atacante Gilberto (hoje no Inter-RS) fez o primeiro do Santa. E se fosse Landu? "Pensei numa possibilidade, aí eu colocaria Landualdo, mas a minha esposa não gostou da ideia e vetou o nome", brincou o torcedor.
Gilbertinho, como já é carinhosamente chamado pelo pai e pela irmã Daniele, nasceu no sábado que antecedeu o jogo de ida do Clássico das Multidões. E até o Santa Cruz sagrar-se campeão no domingo seguinte, o bebê, ficou sem nome. "Pois é, esperamos uma semana até começarmos a chamá-lo de Gilberto. Nesse período, a pressão para registrar com outro nome foi grande. A princípio, seria João Guilherme. E Rosângela, minha esposa, ainda pressionou. Mas como torcedora fiel ao Santinha, acabou cedendo e resolveu esperar pelo título", explicou.
No segundo jogo, Abnoam foi ao Arruda. "Tínhamos a vantagem, então nossa situação era bem mais tranquila. Comemorei com meus amigos no estádio", festejou. Como bom torcedor que é, Abnoam está satisfeito com a campanha tricolor no Estadual, no entanto, ele quer mais. "Agora, a equipe deve se concentrar na Série D, repetir o desempenho e conseguir o acesso à Série C, até chegar novamente à elite do futebol brasileiro. Nem precisa ser campeão novamente, o acesso está de bom tamanho", completou.
É certo que o pequeno Gilberto carrega uma história, no mínimo, intrigante e que na escola contará com orgulho o ano em que nasceu e o Santa Cruz voltou a ser campeão pernambucano.


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, domingo, 22/5/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quem é o homem de paletó?



QUEM É O HOMEM DE PALETÓ?


Elias Roma Neto 

No momento em que o time do Santa Cruz posou para a foto que viria a ser o pôster da equipe campeã pernambucana de 2011, na segunda partida das finais, no Arruda, uma pessoa chamou a atenção. No meio dos jogadores estava um senhor de paletó, figura distinta que gerou questionamentos nos torcedores. Poucos sabem, no entanto, que se trata do motorista do ônibus Expresso Coral, Renato Francisco, 61 anos, ou Seu Renato, como é conhecido.
A presença dele na foto que entrará para a posteridade foi graças a um convite do volante Jeovânio. Tudo para retribuir o carinho de uma amizade que começou há pouco tempo, mas vai deixar raízes. "Fui convidado por Jeovânio. Ele é uma pessoa que considero como um filho. É muito humilde e ficamos amigos, pois ele senta na cadeira ao meu lado, nas viagens. Me senti orgulhoso", revela o motorista.
Seu Renato havia trabalhado no Santa Cruz de 1975 a 1980, época em que foi "bissupercampeão", como gostou de lembrar durante a entrevista. Uma prova de seu amor ao Mais Querido e da satisfação de trabalhar onde se sente em casa. "Voltei a trabalhar aqui com Fernando Bezerra Coelho e consegui matar as saudades após 29 anos".
Cuidadoso com o Expresso Coral, o funcionário tricolor se considera um motorista chato. "Se alguém mexer aonde não deve, vou em cima da pessoa. Mas eles sabem que zelo muito e gostam de mim assim. geralmente, os juniores bagunçam mais. Os profissionais se comportam melhor", relatou.
No entanto, são esses mesmos jogadores profissionais que costumam pegar no pé. "Thiago Cunha me chama de frango velho e Mário Lúcio fica mangando da minha voz. E, às vezes, vêm me dizer que tem uma raposa urinando no pneu quando estou andando devagar, na estrada, mas é por precaução".
Marcado no pôster do time campeão, Seu Renato afirma que está feliz por poder mostrar ao seu bisneto, Daniel Riquelme, que nasceu no dia 2 de abril, a foto e contar a história. "Sempre fiz promessa para o Santa Cruz ser campeão e poder mostrar a foto aos meus bisnetos. Recebi a foto de Jeovânio e vou guardar com carinho. No dia em que não puder mais trabalhar, estarei nas sociais. Não saio mais de perto do clube, pois o amo e já nasci com sangue de cobra".


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, sábado, 21.05.2011 

domingo, 22 de maio de 2011

Procurem um clube pra chamar de seu


Ilustração de Ewerton Heráclio
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PROCUREM UM CLUBE PRA CHAMAR DE SEU

Samarone Lima-

Como sempre acontece em nosso país, as elites adoram se aproveitar da massa. O título do Santa Cruz é um exemplo disso. Vejamos.
O Sport, que chamamos carinhosamente de “Coisa”, é presidido por um dos maiores empresários imobiliários do estado. Chegou a pagar R$ 5 mil por um boi, para ser sacrificado, em agradecimento a um título conquistado em 2008. A folha salarial da coisa é três vezes maior que a do Santa. Com o dinheiro do Clube dos 13, abriu uma diferença de orçamento no estado que lhe permitiu chegar ao pentacampeonato. Quem nos dera, começar o ano com cinto, sete milhões!
O Náutico, que chamamos carinhosamente de “Barbie”, sempre se declarou de elite. “Hexa é luxo” é seu bordão.
Durante o campeonato inteiro, o treinador Roberto Fernandes arrotou que o clube era o melhor. Resolveu peitar o Vasco, não adotou uma marcação especial, não estudou o adversário, e só não levou de 6 x0 em plena Barbielândia porque os cruzmaltinos tiraram onda. Depois, como sempre, não encararam a Coisa.
O Santa Cruz, com orçamento modesto, treinador modesto, jogadores modestos, foi caminhando por fora. Com os meninos da base, fomos ganhando força, crescendo no campeonato. Amparados por uma torcida fenomenal, chegamos à final, vencemos a Coisa em seu estádio e chegamos à final com uma larga vantagem.
Então, o que faz a barbie?
Deixa de lado seu discurso elitista e adota o bordão safado do “Triconáutico”, adotando um parentesco que nunca existiu, que a história desmente e que jamais aceitaremos.
O Náutico, até os anos 1950, não aceitava negros em sua sede, na Rosa e Silva.
O Santa Cruz nasceu negro, cresceu negro e sempre esteve com os pés nos morros, na massa, na mistura de cores e classes. No domingo à noite, após o título, era possível encontrar tricolores brancos, pardos, negros, azuis, amarelos, indígenas, cascabulhos, aimorés, cascatais, monumentais, emblemáticos.
Esse papo de “Triconáutico” é o seguinte: A Barbie morre de medo da Coisa. O Santa sempre dá na Coisa.
Eles querem passar para o Santa o bastão. Fazemos o que eles têm medo de fazer.
Não venham atrapalhar nossa festa. Esse papo de “triconáutico” não cola.
Procurem um clube para chamar de seu, e que este não seja o meu.
É campeão!!!!


sábado, 21 de maio de 2011

Exterminador de hexa

Luxo é ser tricolor



LUXO É SER TRICOLOR
Depois de cinco anos, torcedores do Santa Cruz voltaram a gritar: “É campeão!”


Paulo Fazio

O grito estava preso na garganta. Já eram cinco anos sem celebrar uma conquista, tempo em que o Santa Cruz havia se esquecido de como era grande, de como é doce o sabor de levantar um troféu. Mas ontem foi um dia de libertação, em que a torcida tricolor pôde voltar a bater no peito com força e gritar em alto e bom tom: “É campeão!”. No Estádio do Arruda, todo pintado em preto branco e vermelho, à moda dos donos da casa, nem mesmo a derrota por 1x0 para o Sport, com um gol de pênalti de Marcelinho Paraíba no último minuto da partida, conseguiu estragar a festa coral.
A vantagem construída na última partida, quando venceu por 2x0, foi o suficiente para o Mais Querido celebrar a sua 25ª conquista estadual. Bravo, aguerrido e guerreiro, como prega sempre o técnico Zé Teodoro, o Santa Cruz fez o que era necessário: marcou e jogou, o suficiente para segurar o Sport na maior parte dos 90 minutos. Os rubro-negros, inclusive, estiveram tecnicamente muito abaixo do esperado para uma equipe que precisava reverter uma desvantagem atuando no campo do adversário. A vitória acabou sendo amarga com o fim do tão sonhado hexacampeonato.
Dentro de campo, o que se viu não foi uma partida bonita, digna de uma final. Houve sim muita entrega, disposição e vontade de vencer. Mas futebol, mesmo, o Clássico das Multidões acabou devendo na primeira etapa. O Leão até chegou a assustar aos nove minutos, quando Bruno Mineiro cabeceou para fora um cruzamento de Renato, pelo lado direito. O Tricolor respondeu com Landu, aos 14, desperdiçando uma ótima oportunidade de frente para o goleiro Magrão.
Parecia que as emoções estavam reservadas mesmo para o segundo tempo, quando Gilberto cabeceou uma bola perigosa com apenas seis minutos de bola rolando. Precisando da vitória, o Sport atacava como conseguia, mas de tão desorganizado, acabou sendo dominado pelo Santa Cruz. As chances corais foram muitas. Gilberto, aos 25, pegou fraco na bola em um lance certo de gol. Dois minutos depois, foi a vez de Magrão intervir em um ótimo chute de Thiago Cunha.
Antes do apito final, o Sport ainda fez 1x0, em cobrança de pênalti de Marcelinho Paraíba, mas já era tarde. O camisa 10 rubro-negro ainda protagonizou um vexame, ao partir para cima de Éverton Sena após o apito final, que desencadeou um princípio de confusão no Arruda.


Publicado nor jornal Folha de Pernambuco, Recife, segunda-feira, 16/5/2011

Campeão limpo


Gilberto, o artilheiro coral

CAMPEÃO LIMPO


Carlyle Paes Barreto

Desde o início do ano, Sport e Náutico vinham travando um duelo à parte no Campeonato Pernambucano, com brigas por contratações e provocações mútuas, chegando até às páginas policiais. Esqueceram do Santa Cruz, que mal tinha jogadores à disposição no final da temporada passada e nenhum dinheiro em caixa. Por isso, o título coral, depois de seis anos de hiato, é mais que merecido. É limpo.
Só para ilustrar, o prata da casa Everton Sena, cujos salários não chegam a R$ 5 mil, anulou com competência Marcelinho Paraíba, que ganha mais de R$ 100 mil.
Mas para ser campeão não basta ter um time caro. Fundamental é ter vontade, garra, espírito de decisão. E isso o Santa teve de sobra. E quando se alia isso a uma consciência tática impressionante, o resultado é o título.
Taça levantada pelo capitão Thiago Matias. Mas poderia ter sido pelo goleiro Tiago Cardoso, absoluto. Ou pelo surpreendente Memop, ressuscitado para o futebol. Ou mesmo Renatinho, que começou o ano treinando para compor elenco e termina o Estadual lembrado para a seleção (sub-20). Mas quem pode esquecer da firmeza de Jeovânio, ou da regularidade de Weslley? Lá na frente, Gilberto. Goleador. Imprescindível.
Mas com tantos capitães, com tantos destaques, guerreiros, seria injusto tratar tal conquista em apenas um atleta. Por isso a honra pode ser dada ao maestro de tudo isso: Zé Teodoro. Fez seu trabalho com louvor, montando do zero um grupo equilibrado e competitivo, anulando armas dos adversários. Mas fez mais. Foi dirigente, participando efetivamente da montagem da equipe. Foi atleta, jogando com o time. Foi psicológo. Foi perfeito.


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, segunda-feira, 16.05.2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

De alma lavada



DE ALMA LAVADA

Clóvis Campêlo

Os tempos modernos não nos permitem descanso e muito menos dormir sobre os louros das vitórias. Passados os momentos de euforia, temos que voltar à luta, à labuta diária de matar leões e timbus e outros bichos menores e reconstruir o nome, a história e a glória do Santa Cruz Futebol Clube.
Foi assim, abatido por uma virose inesperada, a gripe do boi, que nem mesmo pude comemorar adequadamente a conquista do campeonato pernambucano deste ano. O Santinha veio devagar, correndo por fora, e, como quem não quer querendo, abocanhou o caneco do Estadual 2011.
Chega, porém, de comemorações, deferências, elogios. É hora de traçarmos as metas para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro, que se inicia em julho. Precisaremos da mesma eficiência que nos fez chegar ao título estadual para vencermos a Série D e subirmos à Série C nacional. O nosso caminho de volta à elite do futebol brasileiro será longo, árduo e difícil. Disso ninguém duvida. Ninguém duvida também que, dentro de uma perspectiva ascendente, temos todas as condições de lograrmos êxito nessa empreitada e, no próximo ano, colocarmos o Santa Cruz em um patamar superior ao que se encontra atualmente.
No entanto, diante de uma conquista tão expressiva e significativa, mesmo já passados alguns dias, não poderíamos deixar de ressaltar alguns aspectos singulares e traçar alguns paralelos com outros momentos históricos anteriores do clube coral.
Assim como em 2005, ano de outra grande conquista nossa, começamos o ano sem lenço e sem documento. A vinda de Zé Teodoro e a montagem do time dentro de uma política financeira realista, com os pés no chão, nos mostrou que seria dentro dessas limitações que teríamos de firmar a nossa competência dentro e fora de campo. E felizmente tudo deu certo. As vitórias foram surgindo e criando um clima de maior confiança entre a grande torcida coral e o elenco e a direção técnica. Algumas derrotas também nos surpreenderam, mas não chegaram a abalar essa relação. Pelo contrário, serviram para que alguns erros fossem corrigidos e alguns acertos fossem feitos no time. Determinados jogadores, como Landu e Tiago Cunha, que chegaram ao clube sob o signo da desconfiança da torcida, foram se entrosando, deslanchando e tornando-se peças principais na campanha. Outros, prata da casa, como Memo e Gilberto, que já tinham tido várias outras chances no time principal, sem se afirmarem, superaram-se, adquiriram a confiança necessária e colocaram à mostra, dentro de campo, os seus verdadeiros valores. Renatinho e Tiago Cardoso foram outros dois grandes nomes que se firmaram ao longo do campeonato, saindo do anonimato e entrando no rol definitivo dos campeões.
De 1995 para cá, esse é apenas o nosso terceiro título estadual. Muito pouco para um clube com a torcida e grandeza do Santa Cruz. Importante, porém, para reacender a nossa auto-estima e a nossa confiança num futuro promissor e menos ingrato do que o passado recente.