
SANTA INAUGURA SEU CAMPO JUNTO Á SEDE EM AFOGADOS
Givanildo Alves
O Santa Cruz, depois de esforços e sacrifícios, consegue finalmente concretizar um velho sonho de seus associados e torcedores: ter o seu próprio campo para realizar treinos e jogos oficiais.
O local era ao lado da sua sede social, na rua São Miguel, em Afogados, que a diretoria tricolor pensava em transformar na melhor praça de esportes do Recife, superando o estádio da avenida Malaquias, de propriedade do Sport Club do Recife, que se orgulhavada sua arquibancada de madeira adquirida ao Fluminense do Rio de Janeiro.
A inauguração do reduto tricolor foi marcada para o sábado, dia 8 de dezembro de 1928, após muitas reuniões da diretoria, pois era intenção do presidente do Santa, Carlos Rios, promover uma festa de arromba. Apesar da difícil situação financeira que atravessava o clube, investiu-se no evento, contratando-se os serviços da casa Gallo Preto para ornamentação da área que circundava o campo, bem como a instalação de um palanque para os discursos e um coreto para a banda de música.Todas as figuras importantes do clube foram convocadas para colaborar no programa a ser preparado para a grande festa do Santa que, apesar de haver se desenvolvido em outras atividades, como no remo, por exemplo, fazia pouco tempo, ainda não tinha feito as pazes com o título, que perseguia desde a fundação da Liga, em 1915. Eram, portanto, 13 anos em que o campeonato não saia das mãos do Sport e do América e, nas duas oportunidades em que escapou dos dois poderosos clubes, uma vez ficou com o Flamengo (campeão em 1915), e outra com o Torre, em 1926. A torcida não aceitava esse jejum de um clube que conseguira se infiltrar na alma do povão recifense, mas não lhe dera ainda uma explosão de alegria. O campo era, pois, uma necessidade.Várias comissões foram formadas para garantir o êxito da inauguração. Recepção: Fragoso Selva, Lessa de Andrade, Ramos Leal, João de Souza Leão; Polícia: Carlos Afonso, Jayme Rosas e Jorge Moura; De Jogos: Manfredo Cunha, José Luiz de Barros e Lindolfo Silva; Assistência aos Jogadores: Luiz Barbalho, José Luiz Vieira, Guilherme Rodrigues e Daniel Pernambucano.
Para surpresa da Liga, a diretoria tricolor não incluiu na sua festa nenhum clube que disputava os jogos oficiais da entidade. Preferiu-se organizar um torneio com a participação somente das agremiações que faziam parte do certame suburbano, cuja tabela foi a seguinte: Belga x Varzeano; Iris x Great Western; Afogadense x Ateniense; Auto Esporte x Tuyuty; Concórdia x A A. do Arruda e Mocidade.
Os jornais abriram espaços para o acontecimento tricolor em Afogados, ao qual compareceu um público numeroso, tomando todos os locais das proximidades do campo. A Pernambuco Tramways nesse dia fez circular grande número de carros até no campo. Foram estabelecidos os seguintes preços para entrada: Cavalheiro, 1$100; Crianças, $500; Automóveis, incluindo os ocupantes, 10$000. Mulher não pagou.
O grande evento foi encerrado com uma partida em que os jogadores do Santa Cruz atuaram com a camisa do Fortaleza ( um time suburbano) contra o Marvelo, que nada mais era do que o quadro do Flamengo, pertencente à Liga. Quem dirigiu o encontro foi o presidente do Santa Cruz, Carlos Rios, que era considerado um competente "referee". O Fortaleza, ou melhor, o Santa Cruz, ganhou de 2x1.
A semente jogada em Afogados não germinou. O Santa, que nascera na Boa Vista, haveria ainda de peregrinar por outros caminhos até encontrar o Arruda, sua Canaã, onde se instalou a partir de 1943.
Fonte: História do Futebol em Pernambuco, Capítulo 26, Diário de Pernambuco, Recife, sexta-feira, 28 de julho de 1995, pag. B-5.
3 comentários:
Clóvis Campêlo, saudações tricolores. Aqui é o Ed Cavalcante, do blog Arquivo Coral. Gostaria de saber se você sabe em que trecho da rua São Miguel era esse campo do Santa? Tem essa informação?
Antecipadamente, agradeço!
Infelizmente não, Ed. A informação eu peguei no livro de Givanildo Oliveira.
Clóvis, acabei descobrindo a informação depois de ter postado no seu blog. No ótimo acervo do blog Memórias do Santa Cruz (http://memoriasdosantacruz.blogspot.com/)tem um recorte do Diário da Noite informando que o campo localizava-se na rua São Miguel onde hoje funciona um quartel do exército. Sei onde é. Abraços!
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