
O DIABO LOURO FEZ A ALEGRIA DO POVÃO
Publicado no jornal "O Mais Querido" nº 14, Recife, 16.01.2008.
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Marinho foi recebido festivamente, fez gols, rumou para a Itália, e ao voltar a Pernambuco já não era o mesmo.
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Um dos ídolos do passado, do Santa Cruz, foi o centroavante Marinho. Sem vez no Fluminense, o Diabo Louro, como era conhecido, veio em definitivo para o Tricolor. Foi recebido festivamente, começou a fazer gols e logo caiu na graça da galera. Era 1955, época em que os treinos enchiam o Alçapão do Arruda, e o clube sempre ganhava alguns trocados, através da colaboração espontânea dos torcedores que deixavam uma "ajuda" numa urna colocada à entrada do estádio. Não era obrigatório, mas a aglera contribuía. Marinho cada vez mais empolgava a torcida.
Todavia, no ano seguinte o povão foi surpreendido ao tomar conhecimento de que o astro da equipe coral tinha sido negociado com o Genova, da Itália. Ainda não havia a enxurrada que se vê hoje de brasileiros atuando na Itália. Aqui, acolá, é que saía um jogador do Brasil para lá. O passe de Marinho custou R$ 1,1 milhão, uma fortuna naquele tempo.
A despedida oficial de Marinho aconteceu num programa de auditório da Rádio Jornal do Commercio. Marinho no palco, a orquestra tocando a Valsa do adeus - "Adeus, amor, eu vou partir pra bem longe..." - o povo cantando a acenando lenços, algumas pessoas indo às lágrimas.
No início de 57, Marinho regressou. O que teria acontecido? Logo se descobriu que uma séria contusão, agravada pelo frio europeu, interrompera a carreira do atacante na Itália.
Marinho continuou a ser o ídolo de antes, mas dessa vez não era o titular absoluto da posição. O técnico Alfredo Gonzalez não tinha o mesmo pensamento do torcedor e chegou a barrá-lo. O povão achava que se tratava de despeito do treinador para com o craque. A verdade é que Marinho tornou-se um habituê do Departamento Médico e, pouco a pouco, foi sendo esquecido.
O Santa Cruz, que fora campeão pela última vez em 1947 (bicampeão), veio a fazer as pazes com o título ao conquistar seu primeiro supercampeonato, em 1958, mas equivalendo a 57. Marinho foi apenas mais um na campanha, pois jogou poucas vezes.
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Publicado no jornal "O Mais Querido" nº 14, Recife, 16.01.2008.
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Marinho foi recebido festivamente, fez gols, rumou para a Itália, e ao voltar a Pernambuco já não era o mesmo.
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Um dos ídolos do passado, do Santa Cruz, foi o centroavante Marinho. Sem vez no Fluminense, o Diabo Louro, como era conhecido, veio em definitivo para o Tricolor. Foi recebido festivamente, começou a fazer gols e logo caiu na graça da galera. Era 1955, época em que os treinos enchiam o Alçapão do Arruda, e o clube sempre ganhava alguns trocados, através da colaboração espontânea dos torcedores que deixavam uma "ajuda" numa urna colocada à entrada do estádio. Não era obrigatório, mas a aglera contribuía. Marinho cada vez mais empolgava a torcida.
Todavia, no ano seguinte o povão foi surpreendido ao tomar conhecimento de que o astro da equipe coral tinha sido negociado com o Genova, da Itália. Ainda não havia a enxurrada que se vê hoje de brasileiros atuando na Itália. Aqui, acolá, é que saía um jogador do Brasil para lá. O passe de Marinho custou R$ 1,1 milhão, uma fortuna naquele tempo.
A despedida oficial de Marinho aconteceu num programa de auditório da Rádio Jornal do Commercio. Marinho no palco, a orquestra tocando a Valsa do adeus - "Adeus, amor, eu vou partir pra bem longe..." - o povo cantando a acenando lenços, algumas pessoas indo às lágrimas.
No início de 57, Marinho regressou. O que teria acontecido? Logo se descobriu que uma séria contusão, agravada pelo frio europeu, interrompera a carreira do atacante na Itália.
Marinho continuou a ser o ídolo de antes, mas dessa vez não era o titular absoluto da posição. O técnico Alfredo Gonzalez não tinha o mesmo pensamento do torcedor e chegou a barrá-lo. O povão achava que se tratava de despeito do treinador para com o craque. A verdade é que Marinho tornou-se um habituê do Departamento Médico e, pouco a pouco, foi sendo esquecido.
O Santa Cruz, que fora campeão pela última vez em 1947 (bicampeão), veio a fazer as pazes com o título ao conquistar seu primeiro supercampeonato, em 1958, mas equivalendo a 57. Marinho foi apenas mais um na campanha, pois jogou poucas vezes.
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