quarta-feira, 11 de março de 2009

1943 - A excursão suicida (parte II)

FEBRE TIFO ATACA EQUIPE TRICOLOR. COMEÇA O DRAMA.

Givanildo Alves

A recepção em Belém, segundo Aristófanes, foi um espetáculo impressionante. Cais superlotado. Todos queriam ver a "embaixada suicida".
A temporada na capital paranaense foi iniciada a 10 de janeiro contra o Tranviário, com vitória do Santa Cruz por 7x2. No dia 14, o tricolor enfrentava a Tuna Luso Comercial e obtinha outro triunfo, por 3x1. O terceiro jogo foi como Clube do Remo e sofremos nossa primeira derrota, por 5x3. O primeiro tempo terminara empatado em 2x2. Na segunda fase desabou um temporal e o time do Santa Cruz nadou em campo... O quarto jogo, contra o selecionado paraense, terminou empatado em 2x2, graças a auma penalidade máxima inexistente marcada nos minutos finais. Finalmente, a despedida contra o Paissandu, o campeão. Empate de 4x4. Até os últimos instantes os pernambucanos venciam de 4x3. A arbitragem do juiz paraense prejudicou impiedosamente a equipe visitante que formou assim: King; Zé Maria e Pedrinho; Omar, Capuco e Sidinho II, Guaberinha, Limoeiro, França, Sidinho I e Pinhegas.
Nessa temporada de cinco jogos, o Santa Cruz obteve dois triunfos, dois empates e sofreu uma derrota. Marcou 21 tentos e sofreu 12, tendo um saldo favorável de 9 tentos.
Terminado o compromisso em Belém, o Santa Cruz saiu para outra temporada, desta vez no Amazonas, a convite do Olímpico. A delegação viajou num "gaiola". Foram seis dias de viagem pelo rio Amazonas. A chegada do primeiro clube que visitou a Amazônia foi, por assim dizer, "feriado nacional". Governo e povo tributaram ao clube pernambucano as maiores homenagens. As equipes de Manaus eram tão boas quanto às de Belém do Pará. Profissionalismo no duro. Muito dinheiro correndo na capital amazonense, em pleno ciclo da borracha. Os cinemas abriam pela manhã e as sessões eram ininterruptas até a noite. Vida noturna intensa.
Na partida de estréia, o Santa Cruz enfrentou o Olimpíco, sob um intenso temporal, tendo sido derrotado por 3x1. O time tinha chegado na véspera do jogo e tentou-se por todos os meios adiar a partida, mas os diretores do Olímpico não concordaram. O time ainda estava meio trôpego e por cima de tudo pegou um campo meio encharcado. Veio o segundo encontro, quando obtivemos um estrondoso triunfo de 6x1, diante do Nacional, que era bicampeão amazonense. Na despedida, outra vitória, desta vez sobre o Rio Negro por 5x4.
Após o segundo jogo em Manaus, nada menos de seis integrantes da embaixada adoeceram com um princípio de desinteria. O presidente da embaixada, Aristófanes da Trindade, Pinhegas, França, King, Edésio e Papeira. Convenientemente medicados, todos se submeteram a um regime determinado pelo médico que atendeu à delegação. Uma das suas recomendações era com referência à alimentação: água somente mineral, nada de bebidas alcoólicas. Frutas e verduras: nada de ovos e crustáceos. Todos ficaram bons.King, que era um "prato" excelente, após um jogo entrou como quis no jantar, fugindo à determinação médica. Papeira, que estava no banco de reservas, exultando com a impressionante vitória do clube, "encheu a cara". No dia seguinte, estavam acamados, com febre alta. Médico à cabeceira. Foram bem clinicados. Nada de grave. Podiam viajar.

Fonte: História do Futebol em Pernambuco, Capítulo 52, Diário de Pernambuco, Recife, quarta-feira, 23.08.1995, pag. B-5.

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