Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Primeiro jogo no Arruda

Antiga sede coral na Avenida Beberibe


PRIMEIRO JOGO NO ARRUDA

Clóvis Campêlo

Segundo o pesquisador Carlos Celso Cordeiro, o primeiro jogo do Santa Cruz no Arruda aconteceu no dia 9 de fevereiro de 1956, contra o Auto Esporte do Recife.
Na verdade, segundo o Diário de Pernambuco daquela data, tratava-se de um jogo-treino, onde foram cobrados ingresso ao preço de 5 cruzeiros, ocorrido à tarde, com a vitória coral por 5x2.
Na equipe tricolor, o jornal ressaltava a ausência do goleiro Barbosa e meia Wassil, ambos em viagem ao Rio de Janeiro, onde foram curtir o carnaval carioca.
No lugar de Barbosa, jogaria o goleiro paulista Mauro, que recuperava-se de uma contusão. No lugar de Wassil, jogaria o aspirante Hidelbrando, jovem promessa que surgia no tricolor do Arruda.
Na antiga sede da Avenida Beberibe, hoje demolida, foi oferecido um buffet aos torcedores, segundo o jornal, para quem quisesse molhar a gargante e fazer uma contribuição maior ao clube, além dos 5 cruzeiros cobrados pelo ingresso.
Ainda segundo o DP, o santa Cruz jogaria com a seguinte formação: Mauro; Palito (ou Arlindo) e Lucas; Zequinha, Job e Edinho; Jorge de Castro, Hidelbrando, Otávio, Mituca e Zeca.
Como se pode ver pela escalação acima, no meio campo do Mais Querido a presença de Zequinha, médio volante que depois faria sucesso no Palmeiras e na Seleção Brasileira que foi bicampeã mundial de futebol, no Chile, em 1962.
Os gols do Santa Cruz foram marcados por Marine, que embora não estivesse na escalação inicial entraria no decorrer do jogo, Otávio, Jorge de Castro, Mituca e Plínio, contra. Para o time alvi azulino do Auto Esporte, marcaram Bochudo e Clóvis.
Segundo o Diário de Pernambuco, foi apurada a renda de Cr$ 16.000,00 (dezesseis mil cruzeiros), o que nos leva a supor a presença de um público de 3.200 pessoas.
-

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Foi de fazer chorar...


FOI DE FAZER CHORAR...

Clóvis Campêlo

Amigos tricolores do Arruda, foi de fazer chorar a estréia de Sérgio China como treinador no nosso estádio. Mais uma vez, saímos de lá com a impressão de que regredimos e de que, com essa equipe, não vamos chegar a lugar nenhum.
Tá certo, a Série D não será nenhum primor de técnica e evolução tática. Logo de começo, estrearemos contra um time, o CSA de Alagoas, que hoje nem mesmo faz mais parte da elite futebolística do seu Estado. É um time caindo aos pedaços e que só chegou à Série D depois de várias desistências. Se não conseguirmos um bom resultado contra esse time em queda livre, melhor será desistirmos também.
Cá com os meus botões, fico pensando na paixão resignada dos 9.355 torcedores que se dignaram a ir ao Estádio José do Rêgo Maciel para presenciar aquele espetáculo triste e deprimente. Não foi o Treze que nos desrespeitou abandonando o campo aos 23 minutos do segundo tempo. Foi o próprio time do Santa Cruz ao apresentar um futebol de tamanha mediocridade e se deixar golear por uma equipe que estava atuando com dois jogadores a menos. Quem nos desrespeitou, enquanto maior torcida de Pernambuco e do Nordeste, foi a própria direção coral ao não abrir as bilheterias em número suficiente para que o torcedor entrasse em campo com calma e dignidade. Quem nos desrespeitou foram os cambistas, que se aproveitando da falta de profissionalismo da nossa diretoria, venderam ingressos ao preço de R$ 10,00 (dez reais), portanto com 100% (cem por cento) de aumento no seu valor real, contrariando todos os itens do Estatuto do Torcedor e lesando o bolso do torcedor comum que se aventurou a ir prestigiar o seu time.
Sei não! Dizem que prejuízo pouco é bobagem, mas voltei para casa com a impressão de que mais uma vez estou sendo enganado. Com esse time, não acredito que cheguemos a lugar nenhum. Com esse nível de organização, também não.
Somos um clube de massa, com uma enorme torcida sedenta para demonstrar o seu amor ao clube. Em troca, temos recebido muito pouco de volta, tanto dentro quanto fora de campo.
Sei não!

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Retrato do torcedor


FERNANDA GONÇALVES DE OLIVEIRA

Ela tem 2 anos e um mês, mora no bairro da Macaxeira, na zona norte do Recife, e já torçe pelo Santa Cruz.
Fernandinha é um mimo de gente!
-

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Em algum lugar do passado


EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

Clóvis Campêlo

Dizem quem já foi rei não perde nunca a majestade. Com Reinaldo foi assim em 2005: chegou no Santa Cruz desconhecido, foi campeão estadual no ano do centenário da Coisa e artilheiro do campeonato Brasileiro da Série B naquele mesmo ano, garantido o nosso retorno à Série A com um belíssimo gol de cabeça contra a Portuguesa de Desportos. Saiu do Recife por cima, rumo ao Gremio Porto-Alegrense, onde não conseguiu se firmar como titular.
Hoje, aos 28 anos de idade, retorna ao reduto coral trazendo de volta à torcida a esperança de gols e vitórias, a esperança de um retorno seguro à Série C e aos caminhos de glória que costumávamos trilhar no passado.
Que a imagem acima, daquela equipe campeão e que soube se superar nos inspire e ilumine às vésperas de estrearmos na competição, em Maceió, contra a Centro Sportivo Alagoano.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Retrato do torcedor



"CLÓVIS, eis aí a minha foto com a gloriosa camisa do SANTA CRUZ/PE.
Espero que que o SANTA supere todos os problemas e volte à elite do futebol brasileiro, conquistando títulos e novos torcedores como eu.
Por aqui,em Araçatuba/SP, sempre que posso, continuo exibindo essa camisa belíssima e recebendo a aprovação dos amigos e de pessoas diversas em minha cidade, pois todos sabem que sou sãopaulino, mas matenho agora mais um coração de torcedor, no qual o SANTA CRUZ está, com imensa satisfação.
Abraços do EVERI RUDINEI CARRARA/ARAÇATUBA-SP"
-
Consul dos Poetas del Mundo em Araçatuba, escritor, advogado, músico profissional (piano), instrutor de tai chi chuan, membro da Abrace/Brasil-Uruguay, editor do boletim cultural "meus amigos são um barato", editor do site http://telescopio.vze.com.
-

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Estamos no caminho certo?


ESTAMOS NO CAMINHO CERTO?

Clóvis Campêlo

A Série D é um lugar que ainda não existe. Mesmo assim, caminhamos céleres ao seu encontro, em busca do que ainda haverá de se consolidar. Hoje, despidos dos sonhos megalomaníacos, indubitavelmente assentados no lugar humilde que ainda merecemos, tentamos juntar os cacos e montar uma equipe de futebol que não custe caro e tenha o mínimo de consistência para nos permitir chegar a esse lugar nenhum.
Se a Série D ainda não existe e nos atrai de forma inexorável, caberá a nós exercitarmos o mínimo de competência possivel para o êxito.
Um clube como o Santa Cruz tem o futebol como carro-chefe, repito à exaustão, e dele não pode se descuidar. Do mesmo modo, não podemos nos descuidar do nosso patrimônio físico, que nos últimos anos andou entregue às baratas e se deteriorando.
Assim sendo, acho que a diretoria atual, depois de exercitar sonhos e tropeçar neles mesmos, caiu na real e achou o ponto de equilíbrio necessário para movimentar a máquina tricolor de forma isenta, correta e merecida.
Não sou daqueles que defendem que o importante é competir. Longe de mim essa idéia, não tenho todo esse flair-play. Acho que bom mesmo é ganhar e impor respeito pelas vitórias. O Santa Cruz, ainda hoje, ocupa um lugar meritório na ranking da CBF por conta das campanhas maravilhosas que fez na década de 70. Precisamos retomar esse impulso e acho que o conseguiremos.
Quem viver verá.
Eu acredito!


Domingo, 7 de Junho de 2009

Entre jogos e resultados


Pela primeira vez, Dunga estará no Recife comandando a seleção brasileira
-
ENTRE JOGOS E RESULTADOS

Clóvis Campêlo

Depois de empatar no meio da semana com o inexpressivo time do 1º de Maio, em Petrolina, o Santinha volta a jogar, hoje, no sertão pernambucano, contra o Salgueiro.
O time salgueirense é bem mais organizado e vem subindo de cotação nos cenários futebolísticos de Pernambuco e do Nordeste, nos últimos anos. Uma vitória no jogo de hoje será importante para alimentar a confiança na torcida de que estamos no caminho certo.
Todos se lembram que o presidente Fernando Bezerra Coelho foi eleito presidente do Santinha, em setembro do ano passado, no meio de muitas expectativas e promessas de grandes realizações. Com o time montado, conseguimos fazer uma campanha razoável no Campeonato Pernambuco 2009. No entanto, a eliminação sumária da Copa do Brasil, com duas derrotas para o Americano carioca, fechou portas e dificultou a montagem do clube-empresa que queríamos.
O Santa Cruz, hoje, realiza uma política bem mais modesta de contratações, para disputar a incógnita que é a Série D do Campeonato Brasileiro de 2009, sem no entanto descuidar-se da manutenção do seu patrimônio físico, como vinha acontecendo nas gestões anteriores.
Poucos clubes no futebol brasileiro têm o patrimônio que temos e, além de mantê-lo com a seriedade necessária, é preciso também fazê-lo crescer e acompanhar a evolução dos tempos.
Porém, somos um clube de massa onde o futebol é o carro-chefe e em torno do qual a nossa torcida se organiza e cresce. Montar uma boa equipe, acumular vitórias e voltar a ganhar títulos é imprescindível. Não podemos e não devemos nos contentar com pouco. Mesmo com um time modesto e disputando uma competição modesta, o Santa Cruz deve ter em mente que prestígio só se consegue com vitórias e títulos.
Mudando um pouco de assunto, na próxima quarta-feira, dia 10, teremos no Arruda o jogo da seleção brasileira contra o Paraguai. A vitória canarinha por 4x0, ontem, em Montividéu, contra o Uruguai, deu um novo colorido à partida. E embora eu particularmente ache que temos muito pouco a ver com a seleção de Dunga, uma seleção que visa quase que nexclusivamente privilegiar e promover a contratação de jogadores do eixo sul-sudeste, esse jogo nos colocará em evidência no cenário futebolístico mundial. No dia seguinte, as Repúblicas Independentes do Arruda estarão visíveis em todos os noticiários esportivos do mundo. Isso é bom para o clube, para o futebol pernambucano e principalmente para alimentar a auto-estima da torcida coral, sofrida mas sempre fiel.
-

Sábado, 6 de Junho de 2009

Retrato do Torcedor


Pedro Henrique e Jorge Lima Filho, filho e pai, tradição tricolor em família

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

O Santa Cruz chega ao Arruda


SANTA SAI DA ENCRUZILHADA E ENCONTRA A PAZ NO ARRUDA

Givanildo Alves

O Santa Cruz até que já estava acostumado a viver em situação financeira difícil, porém como esta de 1943, os tricolores ainda não tinham visto outra igual. Tará, seu grande ídolo, o homem-gol, havia se passado para o Náutico e ainda estava bem viva na memória de todos a morte de Papeira e King, durante a famosa "excursão suicida". Como se isto não bastasse, o Santa estava despejado da sede por falta de pagamento.
Os supersticiosos achavam que o nome Encruzilhada, onde o tricolor tinha sede e campo (defronte à igreja na Estrada de Belém), tinha tudo a ver com a situação. Afinal de contas, raciocinavam, o time era o mais querido do Estado e talvez isso estivesse provocando inveja, ciúme, olho grande. E para curar mau olhado, segundo a crença popular, nada melhor do que um galinho de arruda...
Por isso que, quando Aristófanes de Andrade avisou ao seu amigo Gonçalo de Melo, presidente do Santa Cruz, que o Tabajaras pretendia entregar o campo do Arruda, porque iria encerrar suas atividades, todos vibraram com a notícia. Era chegada a hora de buscar vida nova no Arruda.
O campo fazia parte de uma extensa área de propriedade do industrial Artur Lundgren, a quem os tabajarinos pagavam 150 cruzeiros, por mês, a título de aluguel. Para o Santa Cruz, que estava atolado numa crise financeira das mais críticas, o preço cobrado era um pouco salgado no entanto a transferência se impunha para que o clube não ficasse no olho da rua.
Como compensação pela desocupação do campo, o Tabajaras pediu para o Santa Cruz pagar uma dívida que o clube tinha com a Casa do Atleta, no valor de 1.500 cruzeiros, condição que foi aceita, mas quando tudo parecia certo, eis que surge outro obstáculo. O sr. Santos, procurador de Artur Lundgren, disse que no novo contrato não constava mais a figura do fiador, conforme tinha sidof eito como Tabajaras, mas sim o depósito de uma fiança de 1.800 cruzeiros. A imposição pegou o pessoal de surpresa, porém acabou sendo contornada com a ajuda do apaixonado santacruzense José Fulgino de Melo, que depositou a importância exigida na Caixa Econômica Federal, através da caderneta nº 18.263. José Fulgino era um abastado comerciante e que estava sempre de bolsos abertos para atender às necessidades do seu clube.
Uma vez instalados no Arruda, os tricolores passaram a embalar outro sonho, mais importante e ousado: comprar o campo. Tornar-se seu proprietário, acabando definitivamente com a incomôda situação de inquilinos. Se o Sport já era dono da Ilha do Retiro, o Náutico dos Aflitos, por que o Santa Cruz, clube de maior torcida no Estado, não poderia ter o seu lugar?, comentavam os tricolores.
Na medida em que o Santa crescia de popularidade, mais aumentavam a vontade e o sonho da compra do campo. Nem mesmo o valor estipulado pelo comendador (4 milhões de cruzeiros, à vista), arrefecia o ânimo do pessoal. Aliás, Artur Lundgren fazia questão de pronunciar a palavra "à vista", escandindo as sílabas: à vista.
O desejo da compra do campo virou quase uma obsessão para os tricolores, sobretudo para Aristófanes de Andrade, o home que dera o primeiro passo, visando ao tão importante patrimônio. O campo do Arruda, na rua das Moças, haveria um dia de ser propriedade do Santa Cruz, compenando as canseiras de uma peregrinação de quase 30 anos, pela Boa Vista, Afogados, Estrada de Belém e, finalmente, o Arruda.

Fonte: História do Futebol em Pernambuco, Diário de Pernambuco, Recife, domingo, 27.08.1995, pág. A-28.
-

Sábado, 23 de Maio de 2009

O jogo da seleção brasileira


O JOGO DA SELEÇÃO BRASILEIRA

Clóvis Campêlo

O jogo da seleção brasileira de futebol no Arruda, no próximo dia 10 de junho, contra o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, além de divulgar as Repúblicas Independentes do Arruda para todo o planeta, também servirá para elevar a nossa auto-estima, que tem andado em baixa ultimamente.
Essa década, aliás, não deverá ser lembrada com muito orgulho pela família coral. De importante, apenas, tivemos a conquista do campeonato Pernambucano de 2005, ano do centenário da Coisa, título que até hoje causa inveja e os incomoda, e a ascensão, nesse mesmo ano, à Série A do campeonato Brasileiro. De lá para cá, só fizemos cair e perdermos prestígio nos cenários futebolísticos nacional e regional. E hoje, quando lutamos desesperadamente para traçarmos o caminho de volta à elite, será de suma importância recebermos o jogo da seleção brasileira e termos o nosso estádio e o nosso nome mostrados para todo o mundo.
Só lamento que os organizadores do evento não tenham percebido que estamos no Nordeste do Brasil, região onde o poder aquisitivo da população não pode e não deve ser comparado aos estados do Sul e Sudeste. Os preços são elevados e não sei se a seleção de Dunga merece todo esse esforço financeiro.
No entanto, o Recife sempre teve uma relação de amor com a nossa seleção e não será agora, quando precisamos que tudo dê certo, que vai ser diferente.